Medicina da Uepa completa 55 anos consolidada pela excelência e interiorização
Em cinco décadas, mais de seis mil médicos foram formados para assistência à população na capital e no interior
Primogênita de doze filhos e vinda de uma família humilde, Ana Maria Bastos Almeida ficou em 101º lugar no vestibular da antiga Faculdade de Medicina do Estado do Pará (FEMP), e, com a ampliação de vagas e a desistência de um candidato, foi chamada e conseguiu se matricular. Com esforço e dedicação, concluiu o curso e foi a primeira a receber o grau de médica na formatura, na década de 70. Anos depois, ela teve sua trajetória reconhecida por um ex-professor. O médico Everton do Amaral escreveu a história de Ana Maria em uma coluna de jornal impresso, intitulada “A Número Um”, tornando a conquista dela motivo de inspiração para gerações.
"Ele contou que eu fui a primeira aluna a quem ele deu nota 10 e a primeira a receber o grau de médica", recordou Ana Maria, com emoção. Essa lembrança é valiosa neste momento em que o curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) celebra 55 anos de uma trajetória marcada pela formação de profissionais qualificados e pela contribuição para o fortalecimento da saúde pública estadual do Pará.
Criado em 12 de março de 1971, num prédio dentro do Hospital Ophir Loyola, o curso da antiga Faculdade de Medicina do Estado do Pará (FEMP) expandiu a oferta de vagas de medicina no Pará. A FEMP era mantida pela Fundação Educacional do Estado do Pará e tem, em seu quadro, nomes notórios ligados à história da Faculdade, como os médicos Jean Bitar, José Arrais, João Maradei, Camillo Vianna, entre outros.
*Interiorização da formação de médicos e pesquisadores*
Na década de 90, o curso de medicina, um dos pilares na criação da Uepa, passou a integrar o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e se consolidou como referência na região Norte. No decorrer dos anos, a Uepa seguiu ampliando sua infraestrutura e fortalecendo a integração com a rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de Belém, houve a interiorização dos cursos de medicina da Uepa nos municípios de Santarém, no ano de 2006, e em Marabá, em 2013. O curso forma profissionais médicos e pesquisadores qualificados para desenvolver ações de promoção, prevenção e reabilitação da saúde individual e coletiva.
*Curso terá sessão especial de homenagem na Alepa*
Uma sessão especial em comemoração ao Jubileu de Ametista do Curso de Medicina da Uepa será realizada nesta quinta-feira (12), às 14h, no auditório João Batista, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). A iniciativa reconhece a contribuição da instituição para a formação de médicos e para o fortalecimento da saúde pública no Pará. Entre os destaques da sessão, todos os alunos da primeira turma vão ser homenageados por serem os primeiros médicos formados no curso.
Atualmente, por meio do Prosel da Uepa, entram 100 alunos no curso por ano em Belém, 40 alunos por ano em Marabá e 40 alunos/ano em Santarém. O curso tem mais de 300 professores no três campi e utiliza o currículo 100% com a técnica pedagógica de Metodologias Ativas. A formação prática garante aos estudantes vivência real desde o primeiro semestre do curso, e é desenvolvida em diversos hospitais do governo do Estado, ambulatórios, unidades Básicas, e nos atendimentos no Campus II, em Belém, pelo SUS, como no Ambulatório de Ginecologia, Maternar, Dermatologia e Policlínica, com múltiplos cenários de atuação e também, a estrutura dos Laboratórios de simulação de habilidades e do morfofuncional.
Nestes espaços do campus II, em Belém, mais de 70 mil atendimentos e procedimentos de saúde foram realizados em 2025, dados que mostram a relevância dos serviços prestados de saúde em ensino e o impacto positivo das ações desenvolvidas pela Uepa junto à comunidade. Entre as entregas dos últimos anos, destaca-se o Serviço Especializado em Dermatologia, o Ambulatório de Ginecologia e, atualmente, a reforma do Centro de Saúde Escola (CSE), com previsão de entrega para 2027.
*Modernização e formação qualificada*
De acordo com o médico e professor Caio Botelho, coordenador do curso de Medicina da Uepa, a trajetória do curso é marcada por constante evolução, acompanhando os avanços da medicina sem perder o foco na qualidade e na humanização do atendimento. Nas projeções dos próximos investimentos, estão previstos a ampliação de laboratórios, melhorias da estrutura do curso, atualização de simuladores e do projeto pedagógico com a implementação de conteúdos novos no currículo, destaca ele.
No último mês de janeiro, o curso de medicina da Uepa conquistou destaque nacional e obteve desempenho de excelência no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), iniciativa do Ministério da Educação (MEC).
"São muitos desafios, como a extensa carga horária e o alto custo na formação de um médico que leva, em média, cerca de dez anos, considerando a graduação e as residências médicas, que são fundamentais. Nesse contexto, a integração do curso de medicina com as Residências da Uepa, por meio da Comissão de Residência Médica (Coreme), busca sempre ampliar vagas e fortalecer a formação. A Uepa é completa e forte na graduação e pós-graduação. Além disso, muitos egressos retornam à universidade como professores, trazendo ainda mais qualificação, o que representa grande valor para a instituição", ressaltou Botelho.
*Investimentos contínuos*
A expansão do curso e a melhoria da infraestrutura acadêmica têm sido impulsionadas por investimentos do Governo do Estado do Pará, que incluem modernização de laboratórios, fortalecimento de campos de prática e ampliação das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Para o reitor da Universidade do Estado do Pará, Clay Chagas, esse conjunto de investimentos tem sido fundamental para consolidar a formação médica em diferentes regiões do estado. “Os investimentos do governo do Pará têm permitido fortalecer a estrutura de ensino, ampliar os cenários de prática e garantir que o curso de Medicina da Uepa mantenha um padrão de excelência. Isso se reflete diretamente na qualidade da formação dos nossos estudantes e no compromisso da universidade em formar profissionais preparados para atender às necessidades de saúde da população paraense”, destacou.
Entre as recentes entregas de infraestrutura que fortalecem o atendimento à população e qualificam a formação acadêmica na área da saúde, destacam-se a do Serviço de Dermatologia e do Ambulatório de Ginecologia, e atualmente, a reconstrução do Centro de Saúde Escola do Marco (CSE- Marco), com previsão de entrega para 2027. Os espaços ampliam a capacidade de assistência, oferecem melhores condições de acolhimento aos usuários e contribuem para o aprimoramento das atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela instituição.
*Atividades de extensão*
O projeto Arquipélago é um dos projetos de extensão do curso, fruto da parceria entre a Uepa e a prefeitura de Soure, no Marajó, para fortalecer a Atenção Primária no município, integrando saúde e educação, com atendimento em locais que têm dificuldade de acesso a médicos.
Segundo um dos alunos participantes, Felipe Eduardo Andrade Sousa, do 10º semestre de Medicina, a vivência permitiu compreender as limitações logísticas e estruturais da região e perceber que o papel do médico vai além de identificar e resolver problemas imediatos. "Exige sensibilidade, responsabilidade e compreensão das condições de vida dos pacientes e suas vulnerabilidades. A experiência também trouxe mais autonomia e maturidade, mostrando que a formação médica é contínua e vai muito além da sala de aula", relatou Felipe.
Oriundo da escola pública estadual Paes de Carvalho e natural de Mosqueiro, Felipe Sousa destaca que falar dos 55 anos do curso é reconhecer uma formação de qualidade, que oferece aos estudantes o melhor da região e todo o suporte necessário para enfrentar os desafios da profissão. Para ele, a universidade ensina não apenas a medicina baseada em evidências, mas também a importância de ser um médico humano, atento à realidade das pessoas. Ao longo da graduação, ele participou de atividades de ensino, pesquisa e extensão na capital, no interior e até em outros estados, e afirma ser grato por fazer parte da instituição que contribui para sua formação como pessoa e profissional.
"Na Uepa, aprendo a ser um médico humano, que entende a realidade da nossa região e das pessoas que dela fazem parte, levando o que temos de melhor a cada lugar que atendemos com o que realmente importa: cuidado", ressaltou o universitário.
O coordenador Caio Botelho afirma que o perfil de alunos do curso é, em sua maioria, do próprio Pará. “Nos enche de alegria e é muito gratificante abrir as portas da universidade para estudantes paraenses e também para todos aqueles que sonham em fazer uma medicina de qualidade, estudar com dedicação e se tornar grandes médicos. Como toda instituição pública, enfrentamos desafios, mas também temos muitas conquistas a celebrar. Sabemos que quem faz a universidade é o aluno. Cabe a nós oferecer suporte, investir em infraestrutura e garantir uma boa organização pedagógica. A nossa maior riqueza e orgulho são os médicos que formamos e entregamos à sociedade", enfatizou o professor.
Para a gestão da instituição, celebrar os 55 anos do curso de medicina da Uepa é reafirmar a excelência acadêmica e o papel social da universidade na formação de profissionais médicos comprometidos com a saúde e a vida da população.

