Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
DEDICAÇÃO E COMPROMISSO

Trajetórias femininas fortalecem a atuação da Polícia Científica do Pará

Desde o administrativo, laboratórios, perícias e apoios técnicos na PCIPA mulheres diariamente evidenciam como a participação feminina tem sido fundamental para o fortalecimento do órgão, contribuindo para uma instituição cada vez mais moderna, técnica e comprometida com a justiça para a sociedade

Por Monique Leão (Pol. Científica)
08/03/2026 18h41

No mês em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres, histórias de dedicação e compromisso ajudam a contar a evolução da Polícia Científica do Pará (PCIPA). Desde o administrativo até as perícias criminais, profissionais representam a presença cada vez mais consolidada das mulheres na Instituição e na gestão da segurança pública.

Servidora da área administrativa há 19 anos, Hellen Silva da Cruz ingressou na instituição ainda jovem, aos 18 anos

Servidora da área administrativa há 19 anos, Hellen Silva da Cruz ingressou na instituição ainda jovem, aos 18 anos, enquanto buscava definir sua trajetória profissional. Naquele momento, o contato com a Polícia Científica mudou os rumos de sua carreira.

“Eu estava no processo de busca profissional, entrando na universidade e sempre buscando minha independência. Foi quando descobri o mundo dos concursos. Eu não conhecia muito bem o que era a instituição, porém me apaixonei pela atividade pericial. Foi um divisor de águas”, relembra.

Inicialmente estudante de Química, Hellen decidiu redirecionar sua formação acadêmica ao compreender melhor o universo da investigação criminal. “Com o passar do tempo, analisando o que era o serviço público em si, troquei de curso e fiz Direito, porque me apaixonei pela investigação criminal”, conta.

Ao longo de quase duas décadas de atuação, ela passou por diversos setores da instituição, como gabinete, coordenação das unidades regionais, núcleos de crimes contra a vida, corregedoria e setor jurídico. A busca constante por qualificação sempre acompanhou sua trajetória profissional.

“Durante toda a minha trajetória sempre busquei me aperfeiçoar naquilo que faço. Quando trabalhei na corregedoria, por exemplo, me especializei em Direito Administrativo. Já no jurídico, procurei formação em técnica jurídica para que as minutas e pareceres tivessem cada vez mais qualidade”, explica.

Hoje à frente do gabinete da instituição, Hellen destaca que o compromisso com o serviço público também envolve responsabilidade direta com a população. “Sou muito correta com meu serviço, porque se a população me paga para prestar esse serviço, tenho que responder à altura. Quando fazemos um serviço público, ele também se reveste em nós mesmos”, afirma.

Pioneirismo - Histórias como a de Hellen se somam a de outras profissionais que ajudaram a construir a presença feminina na instituição ao longo das décadas. Um exemplo é a perita criminal Maria Betânia Moraes Lisbôa, que iniciou sua trajetória na Polícia Científica em 1990, em um momento em que a perícia no estado vivia um período de transformações técnicas e estruturais.

Maria Betânia Moraes Lisbôa vivenciou o pioneirismo feminino na Odontologia Legal e Antropologia Forense

“Ter a oportunidade de acompanhar toda essa evolução, saindo de um modelo mais tradicional para a alta tecnologia que utilizamos hoje, é um privilégio. Ver a instituição se consolidar como referência de modernidade no estado é motivo de um profundo orgulho, tanto pessoal quanto profissional, pois sinto que crescemos juntas”, destaca.

Perita criminal na área de Odontologia, Betânia dedicou sua carreira às perícias em Odontologia Legal e atualmente, ela ocupa a Coordenação de Odontologia Legal e Antropologia Forense da PCIPA.

Segundo a perita, o interesse pela área surgiu ao perceber que a Odontologia poderia ter um papel importante além da prática clínica tradicional. “O que me encantou na perícia foi a possibilidade de transformar o conhecimento técnico em justiça. Um detalhe na arcada dentária ou nos remanescentes ósseos pode ser a última voz de uma pessoa, sendo a chave para solucionar um caso e trazer paz às famílias”, explica.

Assim como outras mulheres que ingressaram na segurança pública há mais tempo, Betânia também enfrentou o desafio de atuar em um ambiente predominantemente masculino. Para ela, a construção desse espaço ocorreu gradualmente, com base na qualidade técnica do trabalho.

“Ingressar na instituição em 1990 significava atuar em um cenário de transição, onde a presença feminina ainda era uma novidade. Conquistei meu espaço demonstrando a solidez do meu trabalho técnico e científico. Com o tempo, ficou claro que a excelência na perícia não depende de gênero, mas de precisão, olhar analítico e resiliência”, afirma.

Trabalho pericial mudou a trajetória profissional da chefe de gabinete

Hellen também reconhece que a presença feminina na segurança pública historicamente enfrentou desafios. “Trabalhar em um local predominantemente masculino é um espaço de desafios. Nós, mulheres, precisamos nos reafirmar diariamente e mostrar que somos capazes”, destaca.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelas gerações anteriores, ambas percebem avanços significativos na participação das mulheres na instituição. Para Hellen, hoje já é possível observar maior equilíbrio nas oportunidades e no reconhecimento profissional.

Na visão de Betânia, esse avanço também reflete um amadurecimento institucional, que passou a reconhecer o valor da diversidade na construção de um serviço público mais eficiente.

“Hoje percebo uma integração muito mais fluida e natural. Deixamos de ser exceção para nos tornarmos pilares essenciais em todas as frentes, desde as perícias de campo mais complexas até a alta gestão”, afirma.

Esse movimento também tem ampliado a presença feminina em cargos estratégicos e de liderança dentro da Polícia Científica. Para Hellen, a ocupação desses espaços representa o reconhecimento de trajetórias construídas com dedicação e preparo.

“Hoje já vemos um grande número de profissionais mulheres em nível de gestão, existe sim uma quebra de paradigmas”, ressalta.

Para Betânia, o futuro aponta para uma consolidação ainda maior dessa presença feminina na instituição. “Minha expectativa é que a ocupação desses cargos de liderança por mulheres ocorra de forma cada vez mais orgânica, baseada no mérito e na excelência que já demonstramos diariamente”, afirma.

Mulheres da Perícia

PCIPA em números - Atualmente a Polícia Científica do Pará possui 438 servidoras que atuam nas mais variadas funções, desde o administrativo, laboratórios, perícias e apoios técnicos. Mulheres que diariamente evidenciam como a participação feminina tem sido fundamental para o fortalecimento do órgão, contribuindo para uma instituição cada vez mais moderna, técnica e comprometida com a justiça para a sociedade paraense.

Texto: Amanda Monteiro e Monique Leão - Ascom/PCIPA