Hospital de Clínicas promove ações de autocuidado e saúde mental para mulheres durante internação de filhos
Programação especial reuniu mães acompanhantes e profissionais de saúde em atividades de acolhimento e bem-estar em alusão ao Dia Internacional da Mulher
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, realizou uma programação especial voltada às mulheres que acompanham crianças internadas na clínica pediátrica. A iniciativa promoveu rodas de conversa, momentos de relaxamento e atividades de autocuidado, com o objetivo de promover acolhimento e discutir a saúde mental feminina.
A ação foi organizada pelo Serviço Biopsicossocial do hospital e contou com a participação de profissionais da clínica pediátrica, das UTIs Neonatal e Pediátrica. Durante a programação, foram abordados temas relacionados ao bem-estar emocional, sobrecarga feminina, violência de gênero e a importância da rede de apoio.
Autocuidado também é cuidado com a família
A psicóloga Ivone Barbosa explicou que a proposta da ação foi lembrar às mães que, mesmo em um momento delicado como a hospitalização de um filho, é importante olhar também para si mesmas. “Apesar da criança ser o foco principal nesse momento, essa mãe também precisa se cuidar. Antes de ser mãe, ela é mulher e precisa de momentos de autocuidado”, destacou.
Segundo a profissional, pequenas atitudes dentro da rotina hospitalar já podem ajudar a preservar o bem-estar emocional. “Às vezes o autocuidado está em coisas simples, como descansar um pouco, beber água, fazer um alongamento ou aceitar ajuda da família”, afirmou.
A psicóloga Luana Fonseca destacou que muitas mulheres enfrentam uma sobrecarga emocional devido à quantidade de papéis que assumem no dia a dia. “A mulher costuma exercer várias funções ao mesmo tempo, como mãe, profissional e responsável pela casa. Essa multiplicidade de papéis pode gerar uma carga emocional muito grande”, explicou.
Segundo ela, reconhecer limites e contar com uma rede de apoio é fundamental para preservar a saúde mental.
Diálogo e informação
A assistente social Geice Cordeiro explicou que as rodas de conversa também abordaram temas sociais importantes, como violência de gênero, assédio e direitos das mulheres. “Falamos sobre violência doméstica, importunação sexual e crimes virtuais, como a divulgação de imagens íntimas sem consentimento”, destacou.
De acordo com ela, discutir esses temas ajuda na prevenção e no fortalecimento das mulheres. “Quando elas conhecem seus direitos, conseguem se proteger e também ajudar outras mulheres”, afirmou.
Entre as atividades da programação, uma oficina de automaquiagem proporcionou um momento de cuidado e autoestima para as participantes. A ação foi conduzida pela maquiadora profissional Letícia Beckmann, convidada para participar da iniciativa.
“Foi uma honra participar desse momento. Muitas dessas mães acabam esquecendo de si mesmas enquanto cuidam dos filhos, então poder proporcionar um momento de cuidado e valorização da beleza de cada uma foi muito especial”, contou.
Rotina hospitalar
Entre as participantes da programação estava Sthefany Barbosa, que acompanha a filha internada. Para ela, a iniciativa representou um momento importante em meio à rotina intensa dentro do hospital. “É um ambiente de muito estresse e preocupação. A gente acaba deixando de cuidar da gente, não se alimenta direito, não descansa direito”, relatou.
Segundo ela, o momento de autocuidado fez diferença no dia. “Ter esse tempo para pensar na gente, para se olhar no espelho, para tirar uma foto sozinha… parece algo simples, mas faz muito tempo que muitas de nós não fazemos isso”, afirmou.
Outra participante foi Maria de Fátima, que também acompanha a filha internada. Ela contou que a experiência exige força emocional. “É difícil, mas a gente precisa ser forte e seguir em frente, tentando sempre transmitir amor e tranquilidade para nossos filhos”, disse.
Ela também destacou que muitas mulheres acumulam diversas responsabilidades. “Somos mães, cuidamos da casa, da família e ainda temos outros papéis como filhas, irmãs e profissionais. É muita responsabilidade ao mesmo tempo”, comentou.
A psiquiatra Vânia Pimentel destacou que as mulheres são mais afetadas por transtornos como ansiedade e depressão, resultado de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Segundo a especialista, a sobrecarga de responsabilidades e a pressão social podem contribuir para o aumento do estresse. “Quando não existe divisão de tarefas ou rede de apoio, essa sobrecarga pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade, alterações no sono e cansaço persistente”, explicou.
Ela também reforça a importância de observar sinais de alerta. “Quando os sintomas começam a interferir na rotina e na qualidade de vida, é importante buscar ajuda profissional”, orientou.
A programação reforça a importância de olhar para a saúde das mulheres de forma integral, especialmente em momentos de vulnerabilidade emocional, como a hospitalização de um filho.
Ao promover espaços de acolhimento, diálogo e autocuidado, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna busca fortalecer emocionalmente essas mulheres e contribuir para um cuidado mais humanizado dentro do ambiente hospitalar.
Texto: Jonas Vila (Ascom HC)

