Reunião na Sespa discute a fixação de dentistas em UTI

03/07/2015 17h42
Por Redação - Agência PA (SECOM)

O secretário de Estado de Saúde Pública, Vítor Mateus, reuniu-se nesta sexta-feira (3) com representantes da Comissão de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia (CRO) para discutir assuntos relacionados à atuação do odontólogo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Trata-se da Resolução Normativa RDC 7/ 2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que garante a assistência odontológica na UTI nos hospitais públicos e privados.

Segundo a presidente da comissão, Rosely Cavaleiro, para que o profissional esteja habilitado é necessária capacitação com formação intensivista. Para isso, ele deve passar pelo curso de aprimoramento em odontologia na UTI, chancelado pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (Sobrati). A finalidade é minimizar o risco de infecção, racionalizar o uso de antibióticos e medicamentos, reduzir o tempo de internação e custos hospitalares e melhorar a qualidade de sobrevida dos pacientes.

“Atualmente temos mais de 60 profissionais capacitados no Pará para atuarem em UTI. Esta reunião foi de suma importância para darmos o passo inicial nesse processo. O secretário se sensibilizou com a apresentação que foi feita sobre casos de pacientes na UTI sem a assistência odontológica e sinalizou que serão feitas ações referentes a estes aspectos”, ressaltou Rosely.

O coordenador estadual de Saúde Bucal, Evaldo Bichara, anunciou que a Sespa vai dar andamento às ações e viabilizar a prática nos hospitais sob gestão estadual. “O primeiro passo é reunir com a Diretoria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde para estudar a possibilidade de incluir esta função no rol de funcionários da Sespa. Também vamos trabalhar para que a Assembleia Legislativa do Estado aprove uma lei estadual que obrigue a presença de cirurgião-dentista em UTI”, destacou.

Estudos feitos em diversos países apontam a disseminação bacteriana bucal como uma das principais causas da pneumonia nosocomial, adquirida após 48 horas da entrada do paciente na UTI. A doença prolonga a permanência do paciente na unidade e aumenta o uso de antibióticos e custos hospitalares. Há ainda o risco de 50% dos pacientes evoluírem a óbito. Estudos também comprovam que a ação do dentista na UTI reduz o tempo de internação e a taxa de infecção hospitalar, assim como gastos com antibióticos. 

“Uma das coisas que precisamos dimensionar é o convencimento dos gestores que gerenciam as unidades hospitalares. Daí eles passarão a perceber a importância de se contratar estes profissionais. Isso pode representar a diminuição do número de gasto com paciente na UTI, além de evitar que pacientes evoluam à óbito por problemas relacionados às bactérias bucais”, concluiu o secretário Vítor Mateus.