Roda de conversa com atletas profissionais inspira pacientes do Oncológico Infantil
Encontro promovido pela equipe de Humanização do Hospital Octávio Lobo transforma brinquedoteca em espaço de inspiração esportiva para usuários e acompanhantes
Na última quinta-feira (19), o ambiente colorido e repleto de elementos lúdicos da brinquedoteca do 2º andar do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, dividiu espaço com medalhas, fotos e histórias de superação. O cenário foi montado para roda de conversa sobre inspirações esportivas, evento promovido pela equipe de Humanização da unidade e que reuniu atletas convidados, pacientes internados e acompanhantes em um encontro marcado por dicas, recomendações e muito incentivo.
Crianças, adolescentes e responsáveis acompanharam atentamente os relatos de atletas de diferentes modalidades, que compartilharam desafios enfrentados antes e depois de ingressarem profissionalmente no esporte. Participaram do encontro a nadadora Nahone Sarges, o atleta de jiu-jitsu, Carlos Gouvea, e os jogadores de basquete, Luzia Frazão, Vileide Almeida e Wilson Corrêa, que dividiram experiências marcadas por disciplina e perseverança.
A brinquedista do Hoiol, Jucinara Silva conta que o planejamento da atividade incluiu a busca por profissionais de diferentes áreas e que o bate-papo foi norteado por relatos de superação. “Antes de definir e contactar os atletas convidados, a equipe ouviu os pacientes internados para entender quais modalidades despertavam maior interesse. Perguntamos, então, qual esporte admiram, gostariam de praticar após a alta, ou qual já praticavam antes da internação”, explicou a integrante da equipe de Humanização da unidade.
Ainda segundo Jucinara, desde a formulação da proposta da atividade, a equipe buscou mostrar às crianças que o esporte pode ir além do lazer e que o adoecimento é uma fase e não um destino definitivo. “O resultado foi melhor do que o esperado, pois percebemos na roda de conversa que os pacientes puderam ver o esporte como uma possibilidade de carreira”, destacou.
A colaboradora relembra que o paciente Lorenzo Stanes, de 7 anos, por exemplo, demonstrou grande entusiasmo ao saber que haveria uma apresentação sobre o jiu-jitsu. “Ele ficou muito animado. Apesar de tímido durante a dinâmica, mencionava o esporte nas conversas que tivemos à beira do leito e demonstrava interesse sobre o assunto”, contou Jucinara. A explicação sobre a modalidade também agradou o paciente Luiz Felipe Dias, de 10 anos. “Eu gosto de futebol e jiu-jitsu, parece divertido. Gostei do atleta de jiu-jitsu (Carlos Gouvêa) que falou das faixas e das fases que a gente passa”, disse o menino.
A dona de casa Jovenilia Lima, 64 anos, é mãe e avó de Adryan Lima, de 12 anos, e acompanhou o evento do início ao fim. “Eu achei muito bom. Moro em Rondon do Pará (município do sudeste paraense) e levanto todos os dias às 5h da manhã. Faço caminhada, vou para a academia ao ar livre com minhas amigas e pratico exercícios porque sei que é importante. Mas esse evento me fez olhar a parte profissional e lembrar que sempre gostei de corrida e de judô, mas que acabei por não praticar", afirmou.
Durante a conversa, surgiram perguntas espontâneas sobre as modalidades. Curiosidades sobre treinos, medalhas, rotina e sonhos. Uma das histórias que mais chamou a atenção de Jovenilia foi a da atleta convidada Luzia Frazão. “Ela (Luzia) disse que, antes de praticar o esporte, enfrentava muitas dificuldades, inclusive para se locomover com a cadeira de rodas. E que, com o basquete, ganhou força nos braços e mais autonomia. Pra mim ela mostrou a importância da gente enfrentar os desafios que vão surgindo e manter uma atitude positiva”, afirmou a rondonense.
Inspiração - Aos 32 anos, a atleta de basquete Luzia Frazão é cadeirante e carrega uma trajetória marcada pela superação. Diagnosticada com Linfoma de Hodgkin aos cinco anos, ela enfrentou o tratamento oncológico e contou como o basquete a ajudou a enfrentar desafios dentro e fora das quadras. “O esporte ampliou minha percepção sobre a vida e me ensinou o que é perseverança e a importância da determinação e da superação de obstáculos”, afirmou.
Luzia conta que passou por radioterapia, quimioterapia, cirurgias e algumas internações na Unidade de Terapia Intensiva. Além de fortalecer o corpo físico, o esporte a ajudou a fortalecer a mente. “Na última vez que estive em coma, o médico disse que só Deus. E minha mãe ia todos os dias à UTI, me abraçava, conversava comigo. Um dia, enquanto ela falava, eu acordei. Essa sensação de ter minha mãe ao meu lado me fortaleceu ainda mais. Eu nunca vi a minha doença como uma barreira, mas como algo para me fortalecer. E ao longo do tempo, com períodos de remissão e recidiva, aprendi a desenvolver uma mentalidade de fortalecimento psicológico”, contou.
Ao final do evento, Luzia e os demais atletas convidados entregaram medalhas simbólicas aos participantes, como mais uma forma de incentivo. “Foi um encerramento com chave de ouro. Foi muito emocionante. Eles puderam sair dos quartos, interagir e perceber que é possível praticar esportes e que, apesar das limitações impostas pela doença, os sonhos continuam possíveis. Foi um momento de descontração mas também de esperança”, concluiu Jucinara.
Serviço - Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hoiol é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária entre 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Texto: Ascom/Hoiol

