Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
BUSCA ATIVA

Uepa realiza ação para identificação precoce de hanseníase

Pessoas com sintomas da doença, como manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, acompanhadas de alteração de sensibilidade, formigamento e dormência, podem procurar o atendimento gratuito e sem agendamento

Por Marília Jardim (UEPA)
21/01/2026 13h41

Patrício Ferreira, pescador de 41 anos, morador do município de Cametá, percebeu uma dormência em parte do pé esquerdo e decidiu buscar atendimento médico. “No interior, estamos sempre um na casa do outro e nem sei como contraí a doença. Eu tinha uma mancha no pé onde não sentia nada e, como sempre costumava jogar futebol, achava que fosse por causa disso. Mas, ao ser examinado, veio o resultado da hanseníase”, relata. Atualmente, ele segue em tratamento na Dermatologia da Uepa e retira os medicamentos em seu próprio município, por meio do SUS.

Para alertar e conscientizar a população sobre a doença, o Ministério da Saúde (MS) realiza, em todo o País, a campanha Janeiro Roxo, voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença. Em Belém, na próxima sexta-feira (23), o Serviço de Referência Especializado em Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) promoverá um mutirão para a busca ativa de casos suspeitos, no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS/Campus II), no bairro do Marco, das 8h30 às 11h. 

Pessoas que apresentam esses sintomas podem comparecer ao local para atendimento gratuito, sem necessidade de agendamento, munidas de cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), documento de identidade (RG) e comprovante de residência. O diagnóstico precoce é essencial tanto para o controle da doença quanto para o enfrentamento do preconceito. Os principais sinais da hanseníase incluem manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, acompanhadas de alteração de sensibilidade, formigamento e dormência, especialmente nas extremidades. 

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é transmitida por meio de contato prolongado com pessoas infectadas que ainda não iniciaram o tratamento. De acordo com a médica dermatologista Carla Pires, o diagnóstico é feito por meio de exame clínico e, somente em 2025, 251 pacientes estavam em acompanhamento por hanseníase na Dermatologia da Uepa. O tratamento, ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é realizado por meio da poliquimioterapia com antibióticos, que interrompe a transmissão e garante a cura. O tempo de tratamento varia de seis a 12 meses, conforme a classificação da doença, que pode ser paucibacilar ou multibacilar, explica a médica.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2025 foram registrados 20.632 novos casos de hanseníase no Brasil, que ocupa a segunda posição mundial em número de ocorrências, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença está associada, entre outros fatores, à desigualdade social, às condições inadequadas de saneamento e ao estigma que ainda persiste em torno da enfermidade.

No Pará, conforme a Coordenação Estadual de Hanseníase da Sespa, foram notificados 1.486 novos casos em 2025. Em Belém, o número chegou a 184. Os municípios com maior incidência são Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Xinguara. A faixa etária mais atingida é a de 35 a 49 anos, que concentra 27,72% dos casos.

O Serviço de Referência Especializado em Dermatologia da Uepa funciona no Campus II/CCBS, localizado na Travessa Perebebuí, nº 2623, no bairro do Marco, em Belém, com atendimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Capacitação 

No dia 28 de janeiro, a Sespa, em parceria com a Uepa, promove o Simpósio Hanseníase na Infância e Adolescência, das 9h às 12h, no auditório da Unidade de Ensino e Assistência em Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Ueafto), no Campus II da Uepa. O evento é direcionado a profissionais de universidades, conselhos de classe, entidades e movimentos sociais. As inscrições poderão ser realizadas no dia do evento.

A Sespa, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e a Uepa realizam, no dia 29 de janeiro, às 8h30, um curso online de Atualização em Hanseníase, voltado a profissionais da Atenção Básica, com transmissão pelo projeto de Telessaúde Saúde Digital da Uepa. A programação abordará temas como diagnóstico diferencial, manejo das reações hansênicas e Avaliação Neurológica Simplificada, e terá como facilitadoras a médica Carla Pires e a fisioterapeuta Terezinha Araujo (Unidade de Referência Especializada - URE Dr. Marcello Candia, localizada no município de Marituba). A iniciativa reforça a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado da doença e contribui para a qualificação dos atendimentos e das ações de vigilância em saúde. As inscrições podem ser feitas aqui.