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JANEIRO BRANCO

Acolhimento, escuta e cuidado contínuo qualificam a clínica psiquiátrica do Hospital Gaspar Vianna

Unidade da rede estadual pública de saúde fortalece práticas humanizadas com atividades terapêuticas fora da instituição, atendendo pacientes e acompanhantes

Por Governo do Pará (SECOM)
15/01/2026 08h30

Em meio à campanha nacional Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre saúde mental, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, tem fortalecido práticas de cuidado humanizado que vão além do tratamento convencional. A clínica psiquiátrica da unidade prioriza o acolhimento, a escuta e atividades terapêuticas para ajudar pacientes e familiares a enfrentarem momentos de crise.

Charlia Garcia acompanha a irmã, que recebeu alta hospitalar após um longo histórico de internações psiquiátricas. “Os sinais apareceram ainda cedo, mas aos 14 anos tudo se agravou. Ela começou a ouvir vozes, a ter delírios e surtos. Depois disso, fomos encaminhadas para Belém, onde aconteceu a primeira internação no Hospital de Clínicas”, conta Charlia.

“No começo do tratamento, ela não lembrava nem o próprio nome. Com o acompanhamento da equipe, foi recuperando a memória aos poucos. Veio o diagnóstico de esquizofrenia, e a orientação de que o tratamento seria contínuo, por toda a vida”, informa.

Caminhadas em espaços externos fazem parte das atividades terapêuticas

Pacientes e familiares - Ela destaca que o atendimento humanizado é essencial para superar dificuldades enfrentadas em alguns momentos. “Os profissionais cuidaram não só da minha irmã, mas também de mim. Psicólogos e assistentes sociais sempre me chamaram para conversar, para orientar e saber como eu estava lidando com tudo isso”, relembra.

Roseane do Rosário Santos, 46 anos, acompanha atualmente a irmã de 52 anos, que segue internada na Clínica Psiquiátrica. Diagnosticada com esquizofrenia, a paciente enfrenta crises recorrentes quando interrompe o uso da medicação.

“Quando ela entra em crise e deixa de tomar o remédio, fica desorientada e agressiva. Nestas horas, o Hospital nunca negou atendimento. Aqui, ela é acolhida, medicada e cuidada. A gente percebe a diferença. Ela fica arrumada, tranquila, com outra aparência”, relata Roseane.

Ela acrescenta que, durante o período de internação, a irmã participa de atividades terapêuticas, que contribuem para a estabilização do quadro clínico. “Eles cantam, fazem ginástica, pintura, colocam música. Cada paciente encontra algo que gosta de fazer, e isso faz muita diferença”, afirma a acompanhante.

Incentivo a diferentes formas de expressão

Atividades proporcionam bem-estar - Professor de Educação Física, Rômulo Santos explica que as atividades físicas e de lazer fazem parte do tratamento. “As atividades ajudam na redução da ansiedade, do estresse e da agitação, além de melhorar o sono, a disposição e a autoestima. Trabalhamos com exercícios aeróbicos, musculação adaptada, dança, caminhadas, pintura, jogos, cinema e esportes coletivos”, ressalta o profissional.

Rômulo Santos afirma que as práticas fortalecem vínculos e a adesão ao tratamento. Segundo ele, “nosso objetivo é promover bem-estar emocional e tornar a internação mais acolhedora”.

Todos os meses, por exemplo, os pacientes são levados a passeios fora da instituição, como parte do Projeto Resgate do Ser, que visa reduzir o isolamento e melhorar a autoestima. A ação integra o Programa de Residência Multiprofissional em Atenção à Saúde Mental, executado em parceria com a Universidade do Estado do Pará (Uepa).

As atividades lúdicas promovidas pelo grupo de pesquisa têm objetivo terapêutico. De acordo com o enfermeiro Mário Antônio Vieira, coordenador do Projeto, a experiência supera um simples passeio. "Não é só vir ao cenário; é vir e usufruir das coisas que estão acontecendo, enriquecidas com esse ambiente", destaca.

Os pacientes já participaram de atividades em outros espaços culturais e ambientais de Belém, como o Mangal das Garças, praças, museus e cinema, incentivando a recuperação de valores e fortalecendo o lado emocional dos participantes.

Fluxo de atendimento - A assistente social do HC, Gisele Soares, informa que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) são os espaços iniciais para o tratamento da saúde mental.

“O Caps é a porta de entrada e o ordenador do cuidado em saúde mental. É lá que o paciente deve ser acompanhado de forma contínua. A internação no Hospital de Clínicas só acontece quando os recursos do Caps não são suficientes, e o paciente está em crise aguda, com risco para si ou para terceiros”, enfatiza.

Gisele Soares frisa que a internação é breve, priorizando a estabilização do quadro clínico. “A internação é um meio, não um destino. Desde o primeiro dia já se pensa no retorno desse paciente para o Caps, para que o tratamento continue junto da família e da rede de apoio”, completa.

“Recebemos pacientes com depressão grave, transtorno bipolar, esquizofrenia, tentativas de suicídio, ansiedade intensa e agitação psicomotora. A internação acontece quando há risco à vida ou instabilidade clínica grave”, diz a psicóloga Luana Fonseca, explicando quando a internação psiquiátrica se torna necessária.

Segundo ela, o retorno ao Caps é fundamental após a alta. “A internação não define quem a pessoa é. Nosso sucesso é construir caminhos para que ela volte à sociedade com dignidade”, ressalta.

As histórias de pacientes, familiares e profissionais reforçam a importância de abordar a saúde mental durante todo o ano. O "Janeiro Branco" surge como um convite à escuta, ao acolhimento e ao cuidado contínuo.

Texto: Jonas Vila - Ascom/HC