Seduc inicia levantamento para implantação da EJA Intercultural em comunidades Warao
Ação da Coordenação de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), quer ampliar o acesso à educação formal e garantir o direito à escolarização dos indígenas
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) realizou, nesta terça-feira, 13, treinamento voltado ao levantamento das comunidades Warao para a implantação da escolarização da Educação de Jovens e Adultos (EJA) Intercultural. A ação é coordenada pela Coordenação de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), com o objetivo de ampliar o acesso à educação formal e garantir o direito à escolarização da população indígena Warao na Região Metropolitana de Belém.
De acordo com a coordenadora da Ceja, Wannice Camila Bandeira, o trabalho marca a retomada das atividades da educação formal junto às comunidades indígenas. Atualmente, seis turmas de alfabetização do Programa Brasil Alfabetizado já estão em funcionamento, e os alfabetizadores indígenas atuarão no levantamento da demanda educacional.
“Esse diagnóstico vai permitir identificar quem precisa ser alfabetizado e quem deve ingressar no ensino fundamental I, fundamental II, ensino médio e na EJA”, explicou.
O levantamento será realizado inicialmente em seis comunidades Warao, sendo quatro localizadas no distrito de Outeiro, uma no Tapanã e uma em Ananindeua. A expectativa é ampliar a oferta educacional para até 14 comunidades, fortalecendo o atendimento e garantindo maior alcance da política pública.
A alfabetização será ministrada pelos próprios indígenas Warao, que já atuam como alfabetizadores no Programa Brasil Alfabetizado, assegurando o respeito às especificidades culturais e linguísticas do povo indígena. A proposta pedagógica é baseada na educação intercultural e trilíngue, com ensino em português, espanhol e warao.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas à ampliação da escolarização da população Warao e inclui o levantamento de dados sobre a demanda educacional das comunidades indígenas na Região Metropolitana de Belém.
Para o indígena warao, Roisdael Caldenón, a iniciativa representa uma oportunidade de inclusão e cidadania. “Precisamos trabalhar e não sabemos ler o português, e isso é muito importante para todos nós. Graças à Secretaria, teremos essa oportunidade. Vamos colaborar de todas as maneiras”, destacou.
A educação intercultural já é uma realidade na rede estadual e segue sendo fortalecida como política pública de reparação social e de garantia do direito humano à educação para os povos indígenas. Participaram da reunião representantes da Seduc, da Organização das Nações Unidas (ONU), e os alfabetizadores da comunidade Warao.
