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Seis hospitais estaduais do Pará estão entre os 100 melhores do Brasil em ranking nacional

Resultado reforça a consolidação da rede pública de saúde estadual como referência em qualidade assistencial, segurança do paciente e gestão hospitalar

Por Bianca Botelho (SESPA)
07/01/2026 14h15

Seis hospitais públicos do Governo do Pará e uma unidade municipal foram reconhecidos entre os 100 melhores do Brasil, segundo levantamento do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), realizado em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e Instituto Ética Saúde.

O estudo avaliou mais de 2,6 mil hospitais públicos que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Entraram no ranking apenas unidades com mais de 50 leitos e produção assistencial registrada no Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde. Foram considerados critérios como acreditação hospitalar, segurança do paciente, eficiência assistencial, taxa de mortalidade, tempo médio de internação e disponibilidade de leitos de terapia intensiva.

Nesse cenário, o Pará aparece com destaque ao reunir seis unidades estaduais classificadas e uma unidade municipal entre as melhores do país, incluindo hospitais regionais e centros de alta complexidade: o Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA), em Santarém; o Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), em Breves; o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci; além do Hospital Jean Bitar, do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) e da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará.

Para a secretária de Estado de Saúde Pública, Ivete Vaz, o reconhecimento comprova o caminho adotado pelo Governo do Pará na reestruturação e expansão da rede pública estadual.

“Os critérios adotados dialogam diretamente com o objetivo do Governo do Estado em fortalecer a rede de saúde, ampliar a eficiência, elevar a qualidade assistencial e garantir responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. Isso se traduz em mais confiança no sistema e em mais segurança para quem depende do SUS”, afirmou.

Rede hospitalar regionalizada como política de Estado

O resultado do levantamento evidencia também o impacto da interiorização da assistência hospitalar no Pará, que consolidou os hospitais regionais como polos estratégicos de atenção em média e alta complexidade.

Um exemplo é o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), que há 19 anos atua como referência para 29 municípios do oeste paraense. A unidade acumula mais de 15 milhões de atendimentos, mantém certificação de excelência da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e oferece serviços como oncologia, neurocirurgia, ortopedia e transplante renal.

O diretor-geral do HRBA, Matheus Coutinho, destaca o papel das equipes no resultado. “Ser apontado como um dos 100 melhores hospitais públicos do país só atesta a excelência do trabalho que é realizado diariamente, com uma assistência humanizada e focada no bem-estar dos nossos pacientes. É um orgulho e também uma grande responsabilidade”, afirmou.

Outro destaque é o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, maior unidade pública do Estado e uma das principais maternidades do Pará. Com 360 leitos e atendimento 24 horas em urgência e emergência, a unidade oferece 11 especialidades e acolhe mães e crianças de toda a Região Metropolitana.

O diretor-geral, Flávio Tavares, reforça que o desempenho é resultado de gestão integrada. “Esse resultado é fruto de um trabalho coletivo, alinhado às diretrizes do Governo do Pará, que investe de forma contínua no fortalecimento da rede pública de saúde”, destacou.

Também integra a lista o Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), que tem papel fundamental na ampliação do acesso à assistência hospitalar em uma das regiões mais desafiadoras em termos geográficos do país, fortalecendo a regionalização do atendimento e reduzindo deslocamentos longos e onerosos para usuários do SUS.

Moradora de Breves, Josiele Pantoja conta que o hospital mudou a realidade do atendimento na região. “Antes a gente precisava sair do Marajó para conseguir internação ou cirurgia. Hoje somos atendidos perto de casa, com cuidado, respeito e estrutura. Isso faz toda diferença para quem já está fragilizado pela doença”, relatou.

A professora Lívia Marques, 43 anos, moradora de Paragominas, esteve internada na UTI do HJB após realizar cirurgia bariátrica

Na capital, o reconhecimento alcança ainda o Hospital Jean Bitar, especializado em média e alta complexidade. A unidade é responsável por procedimentos clínicos e cirúrgicos, como cirurgias bariátricas, procedimentos do aparelho digestivo e atendimento a doenças crônicas complexas, funcionando como retaguarda qualificada para a rede estadual de saúde.

Para o diretor executivo do HJB, Giovani Merenda, estar entre os 100 melhores hospitais públicos do Brasil é motivo de orgulho, gratidão e responsabilidade. “Esse reconhecimento é fruto do trabalho coletivo de todos que transformam a política pública de saúde diariamente através de um cuidado real”.

O gestor acrescenta ainda que, em 2025, os avanços foram expressivos, especialmente, na cirurgia bariátrica 100% SUS: o Pará alcançou o 5º lugar nacional e o Hospital Jean Bitar tornou-se a primeira unidade pública do país a realizar 50 cirurgias mensais, todas por videolaparoscopia. “Seguimos provando que é possível fazer saúde pública de excelência, com ética, técnica e humanização”, concluiu.

Para Lívia Marques, usuária acompanhada na unidade, o hospital representa acolhimento e segurança. “Eu sempre fui muito bem atendida no Jean Bitar. A equipe explica tudo, acompanha de perto e a gente sente que está sendo cuidado de verdade. Isso traz tranquilidade num momento difícil”, afirmou.

Na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, maior referência materno-infantil do Estado, o reconhecimento nacional também reforça um ciclo consistente de investimentos em qualidade e segurança assistencial. Na última edição do prêmio, a instituição já havia alcançado um desempenho de destaque, ficando em 14º lugar entre os melhores hospitais públicos do Brasil - sendo o único hospital público de administração indireta do Governo do Pará a figurar no ranking.

Desde então, a Santa Casa avançou ainda mais, mantendo a Acreditação de Excelência Nível 3 da ONA e conquistando a certificação internacional Qmentum – nível Platina, referência global em qualidade em saúde e cuidado centrado no paciente. A unidade também ampliou a implantação de melhorias internas de processos, infraestrutura e avaliação da experiência do paciente, fortalecendo a cultura de segurança assistencial.

A coordenadora de qualidade da instituição, Camila Negrão, afirma que o reconhecimento consolida o esforço permanente das equipes. “Esse prêmio avalia qualidade, segurança e eficiência na gestão hospitalar dos hospitais públicos do país, e é um reconhecimento muito importante. Na última edição, a Santa Casa ficou em 14º lugar e foi o único hospital público de administração indireta do Estado entre os finalistas. De lá para cá, evoluímos ainda mais, com certificações nacionais e internacionais e melhorias contínuas no cuidado centrado no paciente. Nossa expectativa agora é a melhor possível, confiantes de que todo esse investimento em qualidade e segurança nos permitirá avançar ainda mais”, destacou.

Estudante Josiele Pantoja, 25 anos, recebendo cuidados no HRPM

Referência no tratamento do câncer infantojuvenil

O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) é hoje o maior hospital do Brasil em número de leitos habilitados em oncologia pediátrica pelo SUS, com 89 leitos, sendo 10 de UTI, e taxa média de ocupação de 89%. A unidade de Alta Complexidade em Oncologia é gerenciada pelo Instituto Diretrizes, sob contrato de gestão com a Sespa, e é referência na Região Norte no diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil em pacientes de 0 a 19 anos incompletos, atendendo usuários dos 144 municípios paraenses e do Estado do Amapá.

Atualmente, o hospital acompanha mais de 1.000 crianças e adolescentes, realiza cerca de 35 mil atendimentos especializados por mês e opera com fila zero para consultas, cirurgias e quimioterapia. Outro diferencial é o tempo de resposta de até 60 minutos para aceitar pacientes regulados e definir o direcionamento assistencial, garantindo agilidade e segurança.

Em 2025, o Hoiol foi reconhecido como empresa brasileira do ano durante a 18ª edição do LAQI Impact Summit – Brazil, promovido pela Latin American Quality Institute (LAQI), que celebra iniciativas alinhadas aos pilares ESG. A unidade possui acreditação ONA 2, que atesta padrões de qualidade e segurança, e já se prepara para um novo ciclo de certificação.

“O Hospital segue protocolos clínicos fundamentados em evidências científicas, assegurando que todos os procedimentos sejam padronizados e executados de acordo com as melhores práticas da medicina. Esses protocolos são atualizados de modo constante, a fim de garantir que a equipe esteja sempre capacitada para oferecer um atendimento seguro e eficiente”, afirmou a diretora-geral, Sara Castro.

Pará entre os destaques do SUS na Amazônia

O levantamento nacional mostra que São Paulo lidera o ranking com o maior número de unidades classificadas, seguido de Goiás, Pará, Santa Catarina e Pernambuco. Na Região Norte, o Pará aparece como um dos Estados com melhor desempenho, reforçando o protagonismo da rede pública estadual no atendimento hospitalar do SUS.

Ao reunir seis unidades no ranking, o Estado demonstra avanços consistentes em gestão, qualidade assistencial, segurança e resultados clínicos, alinhados às políticas de expansão da rede, formação de profissionais e implantação de protocolos assistenciais.

Os 100 hospitais finalistas concorrem agora ao Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, que irá apontar, entre eles, os dez melhores do país. A etapa final incluirá pesquisa independente de satisfação dos pacientes e análises complementares de governança e eficiência.

O Governo do Pará reforça que o reconhecimento nacional reflete uma diretriz permanente da gestão estadual: garantir qualidade, acesso e acolhimento na rede pública de saúde, fortalecendo a regionalização e reduzindo desigualdades históricas de acesso a serviços de média e alta complexidade na Amazônia.

Texto: Bianca Botelho (Ascom/Sespa) em parceria com assessores das unidades.