Egressos retomam aulas do ensino regular na Fábrica Esperança

10/08/2015 17h04
Por Redação - Agência PA (SECOM)

Em parceria inédita da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) e a Fábrica Esperança, 70 egressos do sistema penal que atuam como colaboradores na Fábrica retomaram os estudos nesta segunda-feira, 10, no próprio local de trabalho. Os estudantes, a partir de 20 anos e até a faixa de 70 anos de idade, distribuem-se em quatro turmas, entre Ensino Fundamental (Menor e Maior) e Ensino Médio. No começo da manhã ocorreu a aula inaugural do curso regular para egressos em regime aberto (livramento condicional, monitorados e em prisão domiciliar), na presença da coordenadora de Educação de Jovens e Adultos da Seduc, Núlcia Odília Azevedo; do diretor geral da Fábrica Esperança, Marcos Vagner Fonseca Lopes, gestores e professores.  

Os estudantes destinarão de três a quatro horas por dia para estudar. “Essas pessoas vinham para o trabalho e manifestavam a vontade de retomar os estudos, mas não conseguiam conciliar o trabalho com os estudos, por morarem em locais distantes da periferia e pelo cansaço natural da jornada de trabalho. Agora, elas vão poder atuar nessas duas frentes tão importantes nesse processo de cidadania”, relata a coordenadora de Educação da Fábrica Esperança, Roseane Barbosa.

Os estudantes dispõem de salas climatizadas, ponto de internet, material e recursos pedagógicos. “Eu estou no 2º ano do Ensino Fundamental e pretendo concluir o Ensino Médio”, afirmou o aluno Charles Gonçalves, 30 anos. Ele disse que parou de estudar em 2007.

Já o aluno Miguel Trindade do Nascimento, 38 anos, falou da importância do momento. “Não sei ler e nem escrever. A Fábrica Esperança é um espaço de preparação para o mercado de trabalho e, então, como é que eu vou até uma empresa se eu não sei ler e escrever? Eu estou me esforçando aqui para aprender no colégio. Eu parei de estudar há muito tempo, eu não entendia como o estudo é importante para a gente”, afirmou Miguel, que é serigrafista na Fábrica Esperança.

Permanência

Núlcia Azevedo, da CEJA/Seduc PA, afirmou que “a parceria possibilita trabalhar com o egresso do sistema penal, de forma a ter um monitoramento mais próximo desse egresso e levar a educação até ele, ou seja, ter o acesso e a permanência, porque quando esse aluno sai e vai para a escola, não se tem o monitoramento de perto; mas quando esse egresso trabalha aqui (na fábrica) e ele fica aqui mesmo para estudar, se consegue esse acompanhamento para a permanência dele na escola”. Núlcia disse que esta é uma das primeiras experiências da iniciativa privada no sentido de garantir ao egresso o acesso à educação em seu próprio local de trabalho.

Para a aluna Dinair Souza Santos, 57 anos, há um motivo especial para regressar aos estudos. “É para ensinar para os meus netos”, comemora. Dinair contou que os netos costumam “perguntar as coisas e eu não sei”. Entre os alunos da aula inaugural estava Jesias Moreira da Silva, 67 anos, há dez anos atuando na fábrica.

A Fábrica Esperança reúne mais de 300 egressos. Cidadãos que vieram do sistema prisional, incluindo pessoas com pena extinta e com pena ainda a cumprir. “A educação é muito importante nesse processo de ressocialização. A Fábrica atua no lado profissional e no lado educacional, formando um conjunto completo para que o egresso possa ter uma possibilidade de produzir  e ter o retorno que a sociedade quer da gente”, afirmou o diretor geral da Fábrica Esperança, Marcos Vagner Fonseca Lopes, destacando que no local funcionam cursos profissionalizantes para os egressos.