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Adepará doa 1 tonelada e meia de carne para fazenda esperança na Ilha de Mosqueiro

Carne doada é resultado de apreensão de gado em terras onde ocorreram ações de desintrusão no Pará

Por Rosa Cardoso (ADEPARÁ)
25/02/2025 20h02

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), por meio da Gerência de Inteligência e Combate à Fraude Agropecuária (GICFA), realizou nesta terça-feira (25), o acompanhamento da doação de uma tonelada e meia de carne bovina para as obras sociais  da Fazenda Esperança Nossa Senhora de Nazaré, na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém.

A carne doada é proveniente  de operações de desintrusão determinadas pela justiça e realizadas pela União em parceria com órgãos federais e estaduais, que resultaram na retirada de não indígenas e na apreensão de gado criado de forma ilegal na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu.

Uma das medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para consolidar a desintrusão foi a garantia de que todo gado que estivesse dentro das terras indígenas fosse apreendido e abatido (o chamado perdimento imediato) pela União, em parceria com a ADEPARÁ. E, que fosse destinado à doação da agricultura familiar o gado que não pudesse ser abatido.

“Nós somos responsáveis pela defesa sanitária e por possuímos essa expertise técnica  coordenamos o transporte do gado. A Agência de defesa tem essa atividade fim que é garantir a sanidade dos rebanhos para que não haja risco à saúde dos animais e nem do ser humano”, explicou Jamir Macedo, diretor-geral da ADEPARÁ.

Como órgão responsável pela defesa sanitária e pela política de saúde animal, a ADEPARÁ  atuou em parceria com frigoríficos da região habilitados para o abate.

“Nossa responsabilidade é a condução dos animais após a apreensão, a retirada deles das áreas embargadas. Então, os animais que têm condições (peso) vão para o abate, mas antes eles ficam numa propriedade de apoio até ser verificado quais deles terão condições para serem abatidos", disse o diretor.

Para garantir o controle sanitário, antes de ser doada, a carne passou pela inspeção estadual, responsável pela fiscalização dos estabelecimentos que produzem alimentos de origem animal e que no Pará é atividade executada pela ADEPARÁ.

O responsável pelas atividades da Fazenda, João Paulo Gomes, disse que a doação contribui para manter as obras sociais e a recuperação de dependentes químicos, que trabalham na cozinha industrial, na padaria e no refeitório,  já que nem todos os acolhidos têm condições financeiras de manter o trabalho assistencial e espiritual realizado pela organização. 

“Nós atendemos muitas pessoas em situação de vulnerabilidade que as famílias não conseguem contribuir, então hoje nós temos 80 na casa, e a nossa intenção é que a gente chegue a 120. Então, ter 120 pessoas para cuidar e alimentar, não é fácil. Hoje, com todas as dificuldades que a gente encontra é muito importante esse tipo de doação, esse tipo de assistência que a gente recebe”, agradeceu.

A Fazenda Esperança, atualmente, atende aproximadamente 80 pessoas, que são acolhidas para a recuperação do uso de drogas. Durante o tempo que ficam no local, aprendem ofícios, como  panificação e atividades agropecuárias como criação de porcos, galinhas, abelhas, produção de hortaliças, apicultura  e marcenaria. Toda produção é comercializada em paróquias de Belém e na Ilha de Mosqueiro. Com 40 anos de fundação, a Fazenda Esperança está presente em 26 países, com mais de 160 unidades. No Pará, são sete unidades localizadas nos municípios de Abaetetuba, Bragança, Óbidos, Parauapebas, Redenção e Tucumã.

Para funcionar, a Fazenda Esperança recebe apoio do governo do estado por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster) , auxílio federal e doações da iniciativa privada. 

Gerência de Inteligência - Criada pela Portaria  Nº 5440, de 21 de novembro de 2023, a Gerência de Inteligência da ADEPARÁ está subordinada às Diretorias de Defesa e Inspeção Animal e Vegetal.  É responsável por auxiliar en  procedimențos operacionais padrões para cadastramento, utilîzação e suspensão do sistema agropecuário. A GICFA tem também como  atribuições, apurar irregularidades e realizar diligências em propriedades rurais; bloquear ou suspender temporariamente o cadastro agropecuário em casos de descumprimento das legislações, além de dar suporte a outras instituições, na realização de ações conjuntas.

Nas operações previstas para este ano, a Gerência de Inteligência da ADEPARÁ segue atuando de forma integrada com os  órgãos federais e estaduais no cumprimento das decisões judiciais para garantir o resultado da desintrusão.