Governo do Pará entrega novo Centro Cultural Palacete Faciola, em Belém

Prédio histórico composto por três casas será a nova sede do DPHAC e do Museu da Imagem e do Som (MIS)

22/06/2022 16h18 - Atualizada em 22/06/2022 17h04

O Palacete Faciola é um casarão histórico de Belém, que chegou a ficar em estado de abandono Após um intenso trabalho de restauro e reconstrução em um dos casarios mais simbólicos da arquitetura de Belém, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), entrega neste sábado (25) o Palacete Faciola, que agora assume o caráter de um centro cultural. Composto por três casas, o equipamento abrigará o Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC), o Museu da Imagem e do Som (MIS) e um auditório para 105 pessoas, que funcionará como espaço multifuncional para atividades ligadas às manifestações e expressões da cultura material e imaterial do Estado.

Essa é a primeira vez que o DPHAC e o MIS recebem uma sede física própria. A cerimônia de abertura do espaço será realizada a partir das 17h, com a presença do governador Helder Barbalho; do secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas; da diretora do DPHAC, Karina Moriya; e do diretor do MIS, Januário Guedes. Durante a entrega, o governador acenderá as luzes e fará uma visitação para conhecer o novo espaço.
 
O prédio será a sede do Depto. de Patrimônio Histórico (DPHAC) e do Museu da Imagem e do SomShow e exposições
Abrindo a programação de inauguração, a Amazônia Jazz Band (AJB) se apresenta com toda versatilidade e carisma. O show será aberto ao público pela rua Dr. Moraes e o repertório inclui as músicas “Foi assim”, de Paulo André & Ruy Barata; “Rhythm of our world”, de Arturo Sandoval; a seleção Tim Maia, com os clássicos nacionais “Azul da cor do mar”; “Primavera”; “Gostava tanto de você” e “Descobridor dos sete mares”. Na sequência, os músicos interpretam “Flor D’Luna”, de Tom Coster; “Oye Como Va”, de Tito Puente; “Europa”, de Carlos Santana e Tom Coster; e “Smooth”, de Itaal Shur e Rob Thomas.

O espetáculo também será composto pelas canções “A few good men” (Gordon Goodwin), “Estrepa muleke” (Kim Freitas), “Live and let die” (Paul e Linda Mccartney), “Against all odds” (Phil Collins), “Chorando se foi” (Banda Kaoma), “Sem você nada é bonito” (Pinduca), “12 horas sem te ver” (Pinduca), “Cuisse la” (Les aiglons), “Solo de craque” (Aldo Sena), “Rencontre” (Eric Brou) e “I got you (I feel good)” (James Brown).

Na entrega do espaço também serão abertas três exposições. A primeira - “Belém Passado/Presente” - é uma homenagem do Governo do Estado ao professor, arquiteto e urbanista, Flávio Nassar, falecido em março deste ano, que se destacou por sua extensa produção intelectual, dedicação ao patrimônio arquitetônico da capital paraense e à formação de novos profissionais da área. A exposição será composta por uma maquete do centro histórico de Belém, que ficará exposta durante quatro meses em uma das salas do Palacete.

Um dos casarios mais simbólicos da arquitetura da capital, o Palacete Facíola será entregue neste sábadoMedindo 5,10x7,10 metros e ocupando uma área aproximada de 36 m², a obra tem a base de isopor e os imóveis em madeira balsa. Sua construção teve início em janeiro de 2016, como um presente pelos 400 anos de Belém. A criação foi do Estúdio Tupi, dirigido pelo arquiteto paraense Aldo Urbanati, com realização da Universidade Federal do Pará (UFPA) e produção do Fórum Landi/UFPA, projeto coordenado por Flávio Nassar.

A segunda exposição – Memorial Palacete Faciola - visa a transformar o espaço em si numa ação permanente de educação patrimonial, buscando valorizar os detalhes arquitetônicos e pinturas artísticas das edificações, assim como o entendimento do modo de vida da Belle Époque. “A restauração e a requalificação do Palacete Faciola visam não apenas retornar um importante marco arquitetônico à cidade de Belém, como também adaptá-lo para um local de visitação e de uso funcional, transformando num Memorial Palacete Faciola, onde os visitantes desfrutarão de espaços ambientados conforme o estilo de quando o local funcionava como morada, e uma sede administrativa onde funcionará o DPHAC. Será um local de trabalho, de estudo e de valorização do patrimônio cultural paraense”, destacou Karina Moriya, diretora do DPHAC.

Exemplar da arquitetura eclética, o Palacete Faciola tem predominância do estilo “Art Noveau” Durante a entrega do Centro Cultural Palacete Faciola, haverá ainda a exposição permanente “Cinema, televisão e audiovisual na coleção do MIS, um breve recorte”, que reunirá acervos e equipamentos da memória audiovisual paraense, como câmeras de estúdio de das tvs Guajará e Marajoara; câmeras de cinema de Super 8, e 16 mm; projetores de filme Super 8, 16 e 35mm, aparelhos de tv; câmeras fotográficas analógicas; gravadores de som de fita magnética, poltronas do antigo cinema Guarani, e outros objetos de várias épocas, desde a década de 1960 até anos mais recentes, com exceção de uma vitrola, com funcionamento à corda, que data dos anos 1940/50.

De acordo com o diretor do MIS, Januário Guedes, o acervo busca trazer ao público atual um pouco da história desses registros. “Com essa exposição espera-se contribuir para informar o público sobre a finalidade de um Museu da Imagem e do Som, cujo papel é o de recolher, preservar, guardar e difundir a memória de um lugar, de uma sociedade, de um povo, no caso a sociedade paraense, contribuindo para a construção de sua identidade cultural”, comentou.
 
Reconstrução completa

Projetado em 1895 e concluído em 1901, o Palacete Faciola foi construído para abrigar a família de Antônio Faciola, personagem de destaque no cenário político e econômico de Belém. Após décadas danificado pelas intempéries e a falta de uso, o prédio foi desapropriado pelo Governo do Estado em 2008 e, em 2012, passou a ser administrado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), recebendo intervenções de reforço estrutural nesse período.

Em outubro de 2020, a Secult deu início às atuais obras de restauro, revitalização e requalificação, com previsão de entrega em 25 meses, mas o espaço será entregue antes: apenas 20 meses depois do início dos trabalhos, como o novo Centro Cultural Palacete Faciola.

A edificação histórica ocupa uma localização privilegiada, com a fachada voltada para a avenida Nazaré, uma das principais rotas da procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Entre as etapas da obra, foi feita a limpeza e catalogação das peças encontradas no prédio, com a separação de azulejos, ladrilhos e cerâmicas, gradis, portas e adereços de fachada.

Exemplar da arquitetura eclética, com predominância do estilo “Art Noveau” e do período da “Belle Époque”, o prédio de mais de 100 anos de história exigiu, durante as obras, o trabalho conjunto de profissionais de diversas áreas, que buscaram, acima de tudo, preservar e valorizar a memória do local e das mais de 2 mil peças que foram encontradas e catalogadas.

O projeto realizado no espaço incluiu a restauração das fachadas das três casas; a recomposição espacial dos edifícios; novas portas e janelas em madeira; a reintegração de pisos e forros; a recomposição da cobertura; a reintegração de rebocos e os revestimentos internos, respeitando o caráter histórico das casas. Também foi feito todo o paisagismo da área externa; instalação de sistemas elétricos, hidrossanitários, de drenagem, acústico, de ar condicionado, logística e de prevenção e combate a incêndio.

“Essa é uma edificação do início do século XX que foi completamente restaurada, resgatando elementos que ali foram encontrados e, com isso, dando vida a este prédio que estava por muito tempo abandonado e deteriorado. Além do MIS, DPHAC e o auditório, o Centro Cultural terá também um café e uma loja colaborativa, e passa a integrar o conjunto urbanístico e arquitetônico de Belém. É uma grande honra para o Governo do Estado e para a Secult realizar essa entrega, que foi iniciada e está sendo feita nesta gestão. A obra durou exatamente 20 meses e isso mostra que é possível realizar um projeto de preservação com qualidade, alinhado ao desenvolvimento das técnicas mais modernas de preservação, de restauro e conservação”, concluiu o secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas.
 
Acervos do DPHAC e do MIS
Criado em dezembro de 1990, o DPHAC nunca ocupou um espaço exclusivo, portanto, a casa principal do Centro Cultural Palacete Faciola abrigará a sede inédita do Departamento. O público que visitar o local terá a oportunidade de acessar mobiliários do Museu da Imagem e do Som (MIS) e do Museu do Estado do Pará (MEP), além de uma biblioteca especializada em publicações do departamento, com processos, plantas, fotografias, livros, folhetos, periódicos e slides, disponíveis para pesquisa de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h.

Também recebendo pela primeira vez uma sede própria, a expectativa é alta para que o MIS, que já existe há 50 anos, comece a funcionar no novo centro cultural. “Nosso intuito com a instalação do MIS em novo espaço é de que possa, depois de cinco décadas da proposta de criação, feita por Eneida de Moraes, no início dos anos 1970, e da sua efetiva criação no início dos anos 1980, finalmente ter uma sede própria, com estrutura e ferramentas adequadas, contar com parâmetros e equipes preparadas para diagnosticar, recuperar, conservar, catalogar, guardar e difundir nosso acervo audiovisual e que possamos encontrar parcerias públicas e privadas para a difusão do acervo e para a articulação de informações e experiências com outras instituições que trabalham com a preservação de acervo de imagem e som”, disse o diretor Januário Guedes.

A coleção do MIS possui cerca de 4.460 mídias sonoras em fitas K7, discos de vinil e CD’s; e 4.485 mídias audiovisuais, que englobam fitas VHS, rolos de películas 35mm/16mm, DVD’s, fitas mini DV e DV Cam e HD Cam. O acervo também é composto por 600 fotografias de acesso público e 500 materiais impressos. As principais obras da coleção são longas-metragens e documentários de Líbero Luxardo; cine jornais de Milton Mendonça; documentário do Museu do Marajó, do padre Giovanni Gallo; partituras, músicas, cartas e fotografias do maestro Waldemar Henrique e de Altino Pimenta; cartazes de filmes de Pedro Veriano; depoimentos de figuras públicas paraenses; filmes paraenses contemporâneos e filmes brasileiros da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Por Thaís Siqueira (SECULT)