Graesp diminui distâncias no Estado e tem papel fundamental para atendimentos de urgência

26/05/2022 20h02 - Atualizada em 27/05/2022 14h12

Este ano, a aviação na Amazônia faz aniversário de 50 anos de uma atuação essencial e indispensável para um Estado de dimensões continentais, onde distritos de um mesmo município são separados por dias de distância. Desde 2004, o Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) fortalece essa presença, com serviços prestados também em Saúde, Educação, Meio Ambiente e até mesmo em diferentes situações de resgate e transporte de pessoas, nas mais variadas condições. Durante os períodos críticos da pandemia de Covid-19, foi a estrutura do Graesp que garantiu o transporte urgente de insumos, vacinas, médicos e pacientes por todo o Pará, com o apoio de 14 aeronaves, 42 pilotos e 30 tripulantes.  

Criado Graer (Grupamento Aéreo) há 17 anos e subordinado à Polícia Militar, iniciou com um helicoptero e dois superplanadores para patrulhamento, levantamento de informações, fiscalização ambiental e outros. Em 2011 se tornou Graesp e assumiu toda a demanda de aviação dos órgãos ligados à Segurança Pública. Em 2015, assume também as demandas da governadoria e Casa Militar.

"O Graesp tem função primordial em um estado gigantesco como é o Pará. Além da segurança pública, nós também damos apoio na questão de saúde, logística e todo o apoio que é necessário para que possamos transpor os obstáculos desse estado gigantesco. Nós estamos com base, não só em Belém, mas também em Santarém e Marabá com o propósito de ampliar ainda mais para que estejamos presentes na vida da população paraense dando segurança pública e também levando saúde e todos os serviços que a população precisa, a exemplo que que fizemos na pandemia, com o transportes de vacinas, medicamentos e enfermos", reforça o titular da Segup, Ualame Machado.

"De lá para cá, só crescemos: passamos a fazer missões de resgate aeromédico, transporte de carga, de autoridades, de tropas, hoje atendemos todas as secretarias e todas as áreas, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Sistema Penitenciário. No combate a pandemia, houve muito empenho e desempenho. Foram quase dois anos transportando insumos para o combate à crise sanitária", reafirma o diretor do Grasesp, Cel. Armando Gonçalves. 

A equipe também tem papel crucial na localização de aeronaves que se acidentam. "Passamos 45 dias tentando localizar um avião que tinha sumido em Jacareacanga, voamos 350 horas mas não achamos. Um piloto caiu em área de garimpo em Alenquer e foram oito dias de buscas. Também já resgatamos grávidas em situação de risco no Marajó, auxiliamos em naufrágios e incêndios que ocorreram em São Félix do Xingu, Porto de Moz, Altamira, Novo Progresso, São Geraldo do Araguaia, Marabá", lista o gestor. 

Das 14 aeronaves a disposição do Grupamento Aéreo, cinco foram apreendidas pela Polícia Federal transportando cocaína,, totalizando oito aviões e seis helicopteros. Os pilotos já fizeram treinamento nos Estados Unidos e no Canadá. "Uma vez íamos auxiliar uma operação do Ibama em Castelo de Sonhos, e passando por Moraes de Almeida avistamos uma acidente com viatura do Exército, à altura da BR-163, em plena Transamazônica. Um coronel estava preso nas ferragens, e nós o resgatamos e levamos para Novo Progresso. Ele não ia chegar com vida se esperasse mais, esse é o Graesp", finaliza o diretor.

Vivência - Também comemorando em 2022 o mesmo período de 50 anos de carreira como piloto, Carlos Alberto Saldanha, aos 69 anos empresta, há dois, toda essa vasta experiência ao Grupamento Aéreo. Nascido em Belém, ele tem mais de 20 mil horas de voo no currículo, tendo passado quase 20 anos sobrevoando áreas de garimpo na região amazônica, outros seis na Aeronáutica, e também tendo acumulado um bom período de vivência como piloto comercial executivo. Com formação ainda em mecânico e técnico de aeronaves, soma histórias suficientes para escrever um livro, segundo ele próprio, mesmo não sendo muito dado a fotos, gravações em vídeos e coisas do tipo.

Alberto Saldanha acumula mais de 20 mil horas de voo e de histórias para contar"É muita coisa, muita história. Aqui é uma região muito bonita, muita selva, rios, muito boa de voar porque não tem quase montanha, dá para fazer voos até mais baixos dependendo da meteorologia, embora os tempos de percurso sejam grandes, por conta das grandes distâncias", relata. "É tudo uma aventura muito grande. Já fiz pousos forçados de precisar sair de helicóptero, já tive pane durante o voo, já parei para consertar penas panes e depois continuei voando...", lista Carlos, confirmando que o acervo de memórias é mesmo enorme.

Durante o auge da pandemia chegou a subir voo oito vezes em um único dia. "Foi uma época diferente, a gente voava mais apreensivo porque era muita gente dependendo do que a gente estava fazendo, participei muito de missões em apoio à região da Calha Norte (oeste paraense)", relata o piloto.  

Ele garante que o fato de ser qualificado para pequenos consertos nos equipamentos lhe tornou um piloto mais seguro. "O conhecimento técnico me ajudou demais, especialmente nos voos que fazia para o meio do mato. Perdi muitos colegas em voos e ter essa qualificação me ajudou muito a voar de forma mais segura", relata.

O piloto ao lado do equipamento onde passa a maior parte do tempoViúvo e pai de três filhos, que já lhe querem aposentado, garante que seguirá voando até o fim da vida. "Foi muito gratificante, já com a idade que tenho, entrar no Graesp, onde o trabalho é feito com muito segurança, com um alto padrão de manutenção do aviões. Hoje atendo secretarias, autoridades, faço voos de vacinas, de insumos, e hoje entendo ainda mais o papel do Grupamento Aéreo no Estado, que é muito grande e muito importante. O Pará é muito grande, e ter esses voos significa muita coisa, seria muito mais difícil de resolver as coisas se não fosse o Graesp", garante Carlos Alberto.

Por Carol Menezes (SECOM)