Cinco casais de ararajubas foram soltas no Parque Estadual do Utinga

Ave, que havia sido extinta na região Metropolitana de Belém há um século, é reintroduzida por meio de projeto

25/01/2022 14h11 - Atualizada em 26/01/2022 09h19

Cinco casais de ararajubas foram soltas no Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna”, na manhã desta terça-feira, (25). Com plumagem verde e amarela as aves passaram a sobrevoar o céu de Belém, e se juntam às 27 aves soltas no Parque na primeira etapa do projeto, somando 37 ararajubas soltas no habitat natural. A soltura faz parte da segunda etapa do projeto de “Reintrodução e Monitoramento das Ararajubas em Unidades de Conservação da RMB”.

Para dar continuidade ao projeto, 11 ararajubas chegaram ao viveiro do Parque no início da tarde da segunda-feira (24). As aves foram enviadas pela Fundação Lymington, sediada em Juquitiba/São Paulo, parceira do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio), que desenvolve o projeto por meio da diretoria de Gestão da Biodiversidade (DGBIO) do Instituto.

O projeto visa à conservação e proteção dessa espécie endêmica do bioma amazônico, ameaçada de extinção, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), do Ministério de Meio Ambiente e a Resolução Coema n° 54

As ararajubas que foram soltas nasceram no criadouro da Fundação Lymington, chegaram no viveiro do parque Utinga após serem aprovadas nos exames físicos, sanitários e comportamentais, para a segunda etapa do projeto. No decorrer de seis meses, foram monitoradas no viveiro de ambientação do (Peut) por biólogos do IDEFLOR-Bio e da Fundação Lymington. Durante o monitoramento as aves passaram por processo de adaptação, com treinamento de voo, defesa de predadores, exercícios para ganho de musculatura e alimentação com frutos, sementes e flores nativas.

A segunda etapa do projeto conta com o serviço de rastreamento, que será realizado por meio de rádio colar. Das dez aves soltas, cinco receberam o equipamento de monitoramento, que permitirá mapear o deslocamento dos espécimes, além de auxiliar no mapeamento da população.

A presidente do IDEFLOR-Bio, Karla Bengtson, reforça que as ararajubas são aves ameaçadas de extinção, incluídas tanto na lista estadual quanto federal. A soltura de mais dez ararajubas na natureza e a chegada de mais onze, é importante para a continuidade da segunda etapa do projeto e assim, repovoar a região metropolitana de Belém com as espécies, reforçando o compromisso do Instituto com a preservação e conservação da Biodiversidade. “Os profissionais do IDEFLOR-Bio e da Fundação Lymington, responsáveis por todo treinamento das aves, estão de parabéns, pela dedicação e comprometimento, para o sucesso do projeto", ressaltou a presidente.

Parceria

Segundo o diretor de gestão de Biodiversidade (DGBIO), Crisomar Lobato, o IDEFLOR-Bio tem um acordo com a Fundação Lymington que é a única fundação que cria ararajubas no Brasil. "Quando contatamos que a espécie havia sido extinta na Região Metropolitana de Belém, entramos em contato através do IBAMA com a Fundação para que pudéssemos reintroduzi-las no Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna” e áreas protegidas do entorno. Nós já estamos há alguns anos com o projeto que já é um grande sucesso. As 11 ararajubas que chegaram ao Parque estão saudáveis e já estão em processo de adaptação ao nosso clima e alimentação da amazônia.

As aves são treinadas pelo biólogo Marcelo Vilarta, e aprendem a viver soltas na natureza e também a se defender dos predadores.

"Para nós, do IDEFLOR-Bio, que trabalhamos no sistema estadual de meio ambiente, é uma alegria enorme fazer isso, pois a espécie ararajuba é genuinamente paraense. Aproximadamente 80% das populações de ararajubas vivem no estado do Pará, predominantemente ao longo da rodovia Transamazônica, 10% estão no Maranhão e outros 10% no estado do Amazonas. Reintroduzir as ararajubas na região metropolitana de Belém é de uma satisfação enorme para nós. Torna-se importante salientar a dimensão desse projeto, para que a população do entorno esteja cada vez mais informada sobre o trabalho desenvolvido pelo IDEFLOR-Bio.

"É importante pra nós que elas fiquem soltas e se adaptem nos locais de onde nunca deveriam ter saído. Já existe uma geração de ararajubas belenenses soltas pelo Parque do Utinga e Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia. Poucas aves têm uma cor tão brasileira, como as ararajubas, verde e amarelo. Nós temos que fazer um trabalho de conscientização e divulgação no país inteiro para que o Brasil conheça essa espécie tão importante", reforçou Crisomar.

Marcelo Vilarta, biólogo de campo do Projeto Ararajubas, diz que reverter os impactos ambientais e recuperar os danos sofridos pela natureza é um dos grandes desafios do século. Assim, o Projeto de Reintrodução de Ararajubas é de grande importância por representar a possibilidade de reversão de sua extinção local.

“A ave foi extinta na RMB há aproximadamente um século, devido à ocupação humana, mas agora está gradualmente se restabelecendo na mesma área através das solturas de indivíduos nascidos na Fundação Lymington ou resultados de apreensões do comércio ilegal. O processo de reintrodução é longo e ainda há muito a ser feito para que a população de ararajubas volte a ser o que já foi, mas a cada soltura nos aproximamos cada vez mais desse ideal.”, ressaltou o biólogo.

O Projeto de Reintrodução e Monitoramento das Ararajubas nas Unidades de Conservação da Região Metropolitana de Belém teve início em 2017, com a chegada das primeiras ararajubas em agosto, ao viveiro de ambientação construído no Parque Utinga. A primeira soltura das espécies foi realizada em janeiro de 2018.

Por Aldirene Gama (IDEFLOR-BIO)