Técnicos da Setran trabalham na estabilização da ponte de Outeiro

Primeira etapa de trabalho terá a o tensionamento de cabos, feito por meio de macacos hidráulicos

24/01/2022 14h49 - Atualizada em 24/01/2022 16h17

 

A Secretaria de Estado de Transportes (Setran) montou equipes de trabalho que estão executando serviços embaixo da ponte do Outeiro, nesta segunda-feira (24). O objetivo é estabilizar a estrutura e assim liberar o tráfego para veículos leves e pedestres. Durante a manhã foi iniciado novo esquema de navegação, concentrando os embarques e desembarques nas rampas de acesso à 7ª Rua, em Icoaraci.

Leila Martins, diretora técnica da Setran, explica que a primeira etapa de trabalho terá a o tensionamento de cabos, por meio de macacos hidráulicos. “É necessário primeiro dar estabilidade à ponte. No prazo máximo de 30 dias faremos um teste de carga e, se a ponte estiver segura, vamos liberar a passagem de motociclistas, ciclistas e pedestres”, pontua Martins. A estimativa de custos dessa etapa é de R$ 300 mil.

Travessia

Nália Renata Chaves, professora, tem uma rotina intensa que exige o deslocamento da ilha para o continente pelo menos quatro vezes ao dia. Ela já utilizou tanto os ferryboats quanto as lanchas e os navios. “Começamos a nossa rotina cedo por causa das embarcações, que cumprem um horário e nós nos adaptamos para também alcançar as nossas responsabilidades. Dentro de um mês, de janeiro realmente esse serviço estiver concluído, para nós, vem beneficiar muitas famílias”, afirmou a professora.

Maria Júlia Freitas, diarista, tem familiares em Belém e conta que cogitou se mudar para não precisar atravessar todos os dias. “Acordo 4h30 da manhã todos os dias e pego o ônibus 5h30. Faço a travessia duas vezes por dia. Só venho trabalhar e fazer compras no supermercado. Pensei em vir passar um tempo na casa dos meus filhos, mas não posso sair da ilha por causa dos meus cachorros. Quando liberar a ponte para pedestres vai ser melhor porque vamos andar só um pouco, vai facilitar para os meus netos que estudam para Belém”, acredita a diarista.

Obras

A estabilização, no entanto, é uma solução emergencial. A recuperação da ponte exige um prazo maior para liberação a veículos de quatro rodas. O projeto prevê a construção do mastro central para colocação dos cabos-estais, restauração dos pilares remanescentes, guarda-corpo, pista de rolamento e instalação de defensas para evitar novos choques de embarcações.

“Esta nova etapa deve ter prazo de duração de sete meses, mas a Setran vai empreender todos os esforços para entregar a obra antes do prazo, inclusive com a possibilidade do terceiro turno de obra para dar celeridade os trabalhos”, adiantou Leila Martins.

Enquanto a ponte permanece interditada, órgãos estaduais e municipais trabalham em conjunto para garantir o tráfego das mais de 80 mil pessoas que residem na ilha de Outeiro. Nesta segunda iniciou o novo esquema de transportes fluviais gratuitos para a comunidade, centralizados nos flutuantes e rampas de acesso à 7ª Rua, em Icoaraci.

Abraão Benassuly, presidente da Companhia de Portos e Hidrovias do Estado do Pará (CPH), comentou as mudanças. “Com o objetivo de dar mais conforto aos passageiros que estavam se deslocando de Outeiro para Belém através do Porto da Sotave e agora é pelo trapiche de Outeiro. Para isto, colocamos mais um flutuante coberto com 80 metros de comprimento, para fazer os embarques simultâneos”, detalhou.

As lanchas rápidas são equipadas com ar-condicionado e transitam entre a rampa de acesso de Outeiro ao trapiche de Icoaraci, em cerca de cinco minutos. Já os navios trafegam entre o porto da Brasília, em Outeiro, e o Terminal Hidroviário de Belém, em viagens de aproximadamente 1h. Também estão disponíveis para a travessia dois catamarãs, um com capacidade para 155 lugares e outro para 133.

O Departamento de Trânsito do Pará (Detran) deve intensificar a fiscalização para garantir a segurança dos passageiros nas embarcações. “A partir desta terça-feira (25), a capacidade máxima da balsa será respeitada, em torno de 400 passageiros, no patamar de cima da balsa. Assim, a melhor forma de tráfego será através dos catamarãs que se deslocam até o trapiche de Icoaraci. Ali é um ponto estratégico que oferta ônibus para todos os lugares de Belém”, explica Bento Gouvêa, diretor técnico operacional do Detran.

Por Dayane Baía (SECOM)