Governo celebra um ano do início da vacinação contra a Covid-19 no Pará

Na noite da véspera do dia 19 de janeiro chegou o primeiro lote de vacinas na capital, com 173.240 mil doses

19/01/2022 09h47 - Atualizada em 19/01/2022 11h11

A técnica de enfermagem, Shirley Maia, 39 anos, foi a primeira paraense a ser imunizada contra o coronavírusA técnica de enfermagem, Shirley Maia, 39 anos, começaria mais um dia de trabalho no Hospital de Campanha de Belém, instalado no Hangar – Centro de Convenções, um dos maiores centros de tratamento da Covid-19 no Brasil, quando recebeu a notícia mais esperada dos últimos meses: seria vacinada contra o coronavírus. E mais, seria a primeira vacinada do Estado.  

“Foi um momento de muita alegria, muito esperado, não só por mim, mas por todos os colegas. Senti uma mistura de emoção, felicidade, nervosismo, responsabilidade. Eu considero um verdadeiro privilégio. Se fosse hoje, depois de um ano, faria tudo de novo e se houver uma quarta, quinta ou sexta dose, tomarei com certeza. Me sinto bem mais segura, porque me sinto protegida e protejo a todos. Um ano depois, fortalecemos a certeza de que a vacina salva vidas”, assegura a técnica. 

No dia 19 de janeiro de 2021, foi aplicada a 1ª dose contra a Covid-19 no estado do Pará. Na noite da véspera, chegou o primeiro lote de vacinas na capital, com 173.240 mil doses, que foram destinadas aos profissionais em saúde que atuavam na linha de frente no combate à doença, idosos que viviam em instituições de longa permanência e população indígena. 

Doses iniciais foram destinadas a idosos, profissionais da linha de frente e população indígenaO enfermeiro João Bernardo, 37 anos, servidor de Ananindeua, também foi vacinado no primeiro dia da Campanha e afirma que no momento em que recebia a primeira dose, um filme passou pela sua cabeça. “Lembrei de todas as dificuldades que passamos com nossos pacientes nas urgências, nossos familiares que ficavam em casa enquanto saíamos para ajudar a salvar vidas, ao mesmo tempo em que corríamos o risco de nos contaminar e contaminar nossa família. Mesmo com o nervosismo, a alegria de estar recebendo a vacina tão esperada por todos foi o maior sentimento. Ela chegou renovando as nossas esperanças, veio como um alívio para tanto sofrimento e dor ocasionados pelo vírus”, conta. 

O profissional ressalta que um ano depois, ver de perto a diminuição do número de casos notificados e, sobretudo, da taxa de mortalidade, é um alento. “Queria pedir para todas as pessoas que ainda têm receio à vacina, para que se vacinem sem medo, vacinem-se com a certeza de que é a forma mais segura de proteção contra esse vírus tão cruel que já tirou de nós pessoas tão queridas e amadas”, pede o enfermeiro. 

O titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho, reforça que desde o início da vacinação até hoje, o trabalho não parou. “No primeiro lote, recebemos cerca de 173 mil doses para distribuição em nosso território. Um ano depois, o trabalho continua com total dedicação. Já são mais de 13 milhões de vacinas transportadas, além das ações que o estado realizou a imunização mesmo sendo competência municipal. A saúde pública paraense agradece o trabalho de todas as pessoas envolvidas nessa campanha, reforçando a importância da população completar o esquema vacinal de acordo com a orientação das autoridades sanitárias”, pontua. 

 

Logística

Ainda na madrugada do dia 19 de janeiro, o governo iniciou a distribuição das doses recebidas por todo o território paraense, ação que contou o suporte da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) e mais de 1.200 agentes envolvidos na operação. Neste mesmo dia, começou a vacinação nas regiões do Baixo Amazonas e Tapajós. 

Articulação das equipes de logística garantiu que doses chegassem a diversas aldeias indígenasO tenente coronel da Polícia Militar, Armando Bittencourt, foi o piloto do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) que participou do 1º transporte de vacina no estado. Neste um ano, ele participou de mais de 100 missões, voltadas para a entrega dos imunizantes e de equipamentos utilizados no tratamento da doença, como respiradores mecânicos, contabilizando mais de 250 horas de voo empregado nessas ações. 

“Foi extremamente gratificante ter essa oportunidade, em um momento tão crítico no mundo, levamos esperança, o que gerou o sentimento de superação em muitas pessoas. Víamos nos rostos da população o alívio pela chegada das vacinas. É uma honra fazer parte desse momento histórico, tenho o sentimento de dever cumprido”, celebra o piloto. Em 2021, o Graesp realizou a entrega das vacinas em todas as regiões do Pará. No ano passado, foram mais de 500 operações para transporte de imunizantes, totalizando cerca de 700 horas de voo.

O titular da Segup, Uálame Machado, considera fundamental a atuação do Graesp e do sistema de segurança pública desde o início da vacinação. “O trabalho integrado fez com que, durante este ano, as vacinas chegassem com menos de 24h, nos 144 municípios paraenses, com o apoio das Forças de Segurança, Grupamento Fluvial, as Polícias Civil e Militar e órgãos do Sistema de Segurança, que auxiliaram e continuam auxiliando na distribuição das vacinas. Se hoje a população do Pará tem um índice significativo de vacinados é justamente por causa dessa rápida e eficiente distribuição”, destaca. 

Até a manhã desta terça-feira (18), o governo estadual distribuiu 13.209.124 doses da vacina por todo território paraense, com a aplicação de 11.960.228 doses até o momento.

 

Ações estaduais

Primeira indígena vacinada demarca compromisso do Governo com paraenses que moram fora da capitalApesar da aplicação das vacinas ser responsabilidade das secretarias municipais de Saúde, o governo do Estado uniu esforços com as prefeituras para acelerar a imunização. O projeto Vacinação Itinerante, que já percorreu o distrito de Icoaraci (na capital) e os municípios de Marituba (Região Metropolitana de Belém), Maracanã, Vigia de Nazaré e Bonito (Nordeste), são exemplos das ações, além da mobilização de servidores e disponibilização de vacinas contra a doença na Usina da Paz no bairro Icuí-Guajará, em Ananindeua, e nas ações do TerSaúde, no âmbito do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz). Desde o dia 3 de dezembro, a Sespa mantém um ponto de vacinação no Aeroporto Internacional de Belém para imunizar os passageiros que chegam à capital. 

 

Vacinação infantil

O Estado do Pará iniciou no sábado (15), a vacinação infantil contra a Covid-19 nos municípios de Belém e Ananindeua. As vacinas para este público chegaram na última sexta-feira (14). Ao todo, o Ministério da Saúde enviou 62 mil doses da Pfizer, única vacina autorizada até o momento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa,) para a imunização de crianças entre 5 e 11 anos.

Por Giovanna Abreu (SECOM)