Por que não há lixeiras nas trilhas do Parque Estadual do Utinga?

Direção do Parque quer conscientizar frequentadores sobre os riscos, para animais e plantas, de manter resíduos orgânicos e inorgânicos em área ambiental

18/01/2022 17h43 - Atualizada em 19/01/2022 02h26

Muitas pessoas que visitam o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna (Peut), em Belém, estranham, e até mesmo não concordam, com a falta de lixeiras ao longo das trilhas existentes no espaço. Mas a motivação para a falta das lixeiras é uma prática comum em parques naturalísticos e/ou unidades de conservação no Brasil e exterior, e tem um objetivo essencial para a preservação dos recursos naturais: fomentar a educação ambiental, incentivando os frequentadores a levarem o lixo que produzirem durante o passeio pelo Parque, para que não deixem nenhum resíduo no local.

A atitude de carregar o próprio lixo e descartá-lo em local apropriado evita a dispersão de materiais estranhos à natureza, principalmente os não degradáveis, que podem trazer riscos aos animais que vivem ou circulam pelo Parque. As áreas do Parque do Utinga devem estar sempre livres de lixo orgânico e outros detritos para preservar a saúde dos animais

Papel, embalagens, garrafas de água e máscaras estão entre os materiais comumente utilizados pelo público nas dependências dos parques. Se descartados no chão ou mesmo em lixeiras, esses resíduos representariam riscos aos animais, que poderiam ingeri-los ou se machucarem ao remexer depósitos de lixo. 

Na condição de unidade de conservação, o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna não poderia proceder de outra forma. “Há uma grande circulação de animais silvestres nas trilhas. Além deles poderem comer os alimentos e carregarem as embalagens para dentro das matas, há o perigo de atrair outros animais, como ratos, baratas e pombos”, alerta Basílio Guerreiro, biólogo da Organização Social Pará 2000, que administra o Peut em conjunto com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio).

Basílio Guerreiro orienta que o mais sensato é levar o lixo para casa, selecionar e fazer o descarte adequado. “Os alimentos, se deixados nas lixeiras, podem criar um hábito diferenciado nos animais e provocar doenças”, reforça o biólogo.As ações de conscientização visam preservar os recursos do Parque

Juliana Bittencourt, veterinária no Bosque Rodrigues Alves, o jardim zoobotânico da capital paraense, que também é referência em educação e preservação ambiental, também ressalta outros riscos que uma dieta irregular pode causar aos animais. “O que ocorre aqui no Bosque é que os macacos-de-cheiro, que são animais de vida livre, costumam ser alimentados por pessoas do lado de fora dos portões, geralmente por alimentos gordurosos e nocivos à saúde deles, como pipoca, o que pode deixá-los doentes”, informa a veterinária.

Os biólogos reiteram que o descarte de lixo em parques ambientais é nocivo para a fauna e a flora desses espaços. Se for lixo orgânico, pode causar infecção alimentar nos animais, e se for inorgânico, como embalagens, os animais podem se cortar ou poluir as áreas verdes, ao levar esse resíduo para as matas.

Serviço: O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna funciona de quarta a segunda-feira, das 06 às 17 h. Entrada franca. É obrigatório utilizar máscara nas dependências do Parque e apresentar, na entrada, o comprovante de vacinação com as duas doses registradas. O Peut fica na Avenida João Paulo II, s/n, no bairro Curió-Utinga.

Texto: Gabriel Nascimento – Ascom/OS Pará 2000

Por Governo do Pará (SECOM)