Atendimento da Emater transforma realidade de produtores em ilha de Almeirim

Assistência garante ampliação da produção e trabalho para construção de alternativas que visam superar barreiras de logística

06/01/2022 14h02 - Atualizada em 06/01/2022 14h24

Na divisa do Pará com o Amapá, um canal que começa no rio Amazonas e termina no rio Tapajós,  em uma extensão de terra chamada “Laranjal do Taiassuy”, é o último atracamento do oeste paraense, no município de Almeirim, para cuja sede o deslocamento é de metade de um dia a bordo em pequenas embarcações.

Nessa localidade distante, com plantações de cacau, pés nativos de açaí e abundância de peixe e camarão vivem 28 famílias da Comunidade Santa Luzia assistidas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). 

“Grande parceira”, conclama o agricultor Ronelson Teles, 41 anos, residente da Associação dos Produtores Agroextrativistas e Pescadores Artesanais da Comunidade Santa Luzia do Taiassuy e Região (Aprosan). 

“A presença da Emater tem ajudado a gente a sonhar grande e a realizar grande. É muita transformação em pouco tempo. São nossos conhecimentos dando as mãos pros conhecimentos dos técnicos da Emater e juntos todos mundo acreditando que pode dar certo”, acredita.

Parceria

Em dezembro de 2021, a Associação da Santa Luzia completou um ano de existência, ao mesmo tempo em que a demanda por um atendimento mais intensificado e regular da Emater foi sendo estruturado com a organização social. O objetivo permanece: mobilizar os agricultores e organizar os sistemas produtivos, prospectando novos mercados e aumentando margens de lucros. 

“É possível, por exemplo, estudar formas de, pouco a pouco, reduzir a dependência de atravessadores para o escoamento da produção e beneficiar as matérias-primas”, propõe o chefe do escritório local da Emater, o técnico em agropecuária Elinaldo Silva. 

Atualmente, as 22 famílias associadas colhem, por ano, cerca de 18 toneladas de cacau e 10 toneladas de açaí. Além disso, pescam seis toneladas de camarão e alguns quilos de peixe. O cacau é vendido para virar chocolate na Transamazônica, o açaí abastece toda a região de Santarém e o camarão acaba enviado para a capital Belém. 

“As seis famílias que ainda não se associaram irão se convencer pelo bom exemplo. Com a assistência técnica, estamos saindo do mero plantar intuitivo para tecnologias verdadeiras de manejo e acesso a direitos como crédito rural. É uma troca de saberes”, planeja Teles. 

A injeção de recursos é para expandir e melhorar as lavouras. O foco, ademais, coloca-se em agroindústria, insumos e capacitações .

“Penso, por exemplo, em uma despolpadeira e até em turismo rural”, enumera. 

Perspectivas

Com sede própria e a expectativa para 2022 de instalação de um viveiro de mudas via apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), a Aprosan é considerada pela Emater um case de sucesso.

“É como se fosse um projeto de resultado relâmpago, porque a receptividade dos agricultores foi muito boa e as políticas públicas do setor têm bastante cabimento para o interesse e o potencial das famílias”, indica o técnico Silva, da Emater.

Neste semestre, ainda, a Emater está articulando a liberação de pelo menos R$ 200 mil de crédito rural para o manejo de açaizais. 

 

Texto: Aline Miranda/Ascom Emater

Por Luana Laboissiere (SECOM)