Produção de mel medicinal em Marabá projeta lucro de mais de mil por cento para assentados em 2022

Projeto-piloto da Emater atualiza tecnologias e capacita agricultores

30/12/2021 11h37

 Na casa do apicultor Antônio José da Costa, 60 anos, morador de Marabá, no sudeste do Pará, a expectativa é que 2022 chegue trazendo doçura. O produtor de mel é um dos atendidos pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), e como proprietário da Chácara Vista Linda, no assentamento federal Boa Esperança do Burgo, ele faz planos de que as 22 caixas de criação de abelhas sem ferrão (“mansas”, nas palavras dele) resultem em cerca de 40 litros no total do precioso medicinal tiúba-uruçu.  

O mel de tiúba é considerado um produto sofisticado, com propriedades terapêuticas que inclusive são repassadas, via transmissão oral, entre gerações de famílias.

“Serve pra tudo: de mal de unha encravada a dor de coração partido”, assegura o produtor.

Projeto

Antônio José da Costa é um dos beneficiários de um projeto-piloto de meliponicultura que a Emater tem conduzido em Marabá desde 2020.  

Com o objetivo de garantir segurança alimentar, alternativa de renda para a agricultura familiar e de fortalecimento de exploração sustentável dos recursos da floresta, a atuação dos extensionistas tem superado as condições adversas da pandemia da Covid-19 e, ainda, enfrentado resistências culturais de uma agricultura familiar pouco habituada a técnicas da atividade, como transferência de enxames e aspectos socioambientais. 

Em 2021, foram 200 atendimentos relacionados a essa cultura. A Emater estima que pelo menos 600 famílias do município possam ser mobilizadas e capacitadas. 

Ao longo dos meses foram instalados sete meliponários em lotes de assentamentos avizinhados: quatro no 26 de Março, um no Boa Esperança do Burgo, um no Grande Vitória e um no Liberdade. Meliponários são os abrigos de abelhas nativas, construídos com madeira e telha recicladas, com intenção de facilitar o manejo e proteger de intempéries, como chuva e excesso de sol. 

“Nossa fase é de organização da produção: prospectar o interesse dos agricultores e o potencial das propriedades, além de, sobretudo, oferecer treinamento contínuo, intensificando parcerias institucionais”, aponta o engenheiro agrônomo Glauco Brito, responsável pela iniciativa.  

 Renda

O preço do litro de mel de tiúba no mercado brasileiro gira em torno de R$ 150. Com coleta prevista para começar em junho, a família de assentados de Marabá espera ver o lucro crescer até 1000%, segundo estimativa da Emater.

 Com 33 hectares, a Chácara Vista Linda conta com 22 caixas de meliponicultura, que convivem com lavouras de mandioca, plantio de milho, criação de galinhas caipiras e um pequeno rebanho leiteiro, com 20 vacas.

O espaço é também o lar do casal Antônio José e Raimunda Nonata Xavier, 49 anos,  que com sua unidade produtiva de agricultura familiar revela como as políticas públicas do Governo do Pará vêm fazendo diferença na vida desses trabalhadores.

“Eu vim do Maranhão jovenzinho [município de Brejo Paraibano] tentar emprego. Há muito tinha no peito esta vontade de fazer mel porque é uma raiz lá do meu povo, insistia e não ia muito pra frente porque era tudo no toco, sem ciência mais moderna”, conta o agricultor.

Ele diz que a Emater comprou a ideia, introduzindo atualizações e tecnologias acessíveis, inclusive em termos financeiros. 

Futuro

Os filhos, Jonh Herbet, 25 anos, funcionário de uma mineradora, e Caíque José, 21 anos, militar do Exército, bem como o neto Bernardo, de dois anos, e a nora Jaiane, 25 anos, dona de casa, consomem o mel de tiúba sempre.

“Bernardo, então, tem a garrafinha dele. Toma desde os 8 meses, de colherzinha, diluído. É um remédio pra nossa existência inteira”, conta o avô, orgulhoso. 

Com o apoio da Emater, Antônio José pretende ajudar a divulgar a biofarmacologia da Amazônia, com o conhecimento popular que não só cura, e ajudar a expandir a criação de abelhas, chegando a 100 caixas nos próximos tempos, sem prazo definido. 

“É a era de sonhar, de interagir com a natureza, de pensar grande e bonito. Isso é acreditar. São meus sinceros votos”, conclui.

Texto: Aline Miranda/Ascom Emater

Por Luana Laboissiere (SECOM)