Publicações literárias e científicas recebem fomento pela Editora Pública Dalcídio Jurandir

Em mais de dois anos foram publicadas mais de 60 obras em quatro linhas editoriais

17/12/2021 12h24 - Atualizada em 17/12/2021 12h28

A Editora Pública Dalcídio Jurandir, vinculada à Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), avança no incentivo à literatura paraense, bem como na produção de publicações científicas no estado. A primeira editora neste perfil na Amazônia - e quarta no país - integra uma política pública de incentivo à leitura criada em 2019 e que se dedica à publicação de livros, revistas, cartilhas, jornais e e-books.

A proposta de alcançar autores em todas as regiões, para além da capital paraense, tem oportunizado a publicação inédita e republicação de obras estaduais. "Flauta de Bambu", de Haroldo Maranhão, consagrado nacionalmente. Paulo Rodrigo dos Santos que teve a obra “Tupailandia” publicada pela Editora e conta o processo de ocupação histórica da região do oeste paraense.

Já a obra “Mair-Abá – Coração de mãe”, de João Brasil Monteiro, traz o processo de construção histórica no sul e sudeste do estado. Duas crônicas publicadas recebem destaque: “Efemérides” de Lorena Valente, e “Olhos de Ressaca” de João Bosco Maia. Ambos premiados pela Academia Paraense de Letras, através de parceria interinstitucional.

De acordo com o editor e coordenador da Editora, Moisés Alves, são quatro linhas editoriais que permitem a publicação de até 30 livros anualmente. “A valorização da literatura paraense. Esse é um aspecto muito importante, além de oportunizar novos autores, que possam fomentar a política literária, a valorização da cultura e das produções científicas. Buscamos regionalizar através dos editais públicos, atingimos vários municípios além das nossas parcerias interinstitucionais como com a Academia Paraense de Letras e órgãos do estado”, comenta.

Josias Favacho é organizador do livro ‘Crônicas de Baião’, lançado no início do mês durante a 24ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. “Sete autores da cidade de Baião, sensibilizados com o trauma das famílias que perderam entes queridos para o Covid-19, juntaram-se num projeto que, de um lado, visa valorizar a cultura local - daí o conteúdo, crônicas populares - e de outro, socorrer nossos irmãos baionenses, através dos recursos obtidos com a venda dos exemplares. Essa ajuda ocorrerá com a compra e entrega de cestas básicas a serem destinadas as famílias que sofreram o impacto econômico com o flagelo do coronavírus. Muitos dos que perderam a vida eram pais de família e representavam a principal fonte de renda do núcleo familiar.  São dezenas de pessoas, a maioria crianças, passando por carência alimentar”, contextualiza Josias.

Autor de uma das crônicas, ele fala da experiência de organizar a publicação. “Propus-me a organizar este trabalho, desde a interlocução com os autores, avaliação dos originais até a mediação com editora, fazendo a gestão de todo o processo de produção gráfica - revisão de texto, diagramação e composição, capa, escolha do papel e outros detalhes que antecedem a impressão e acabamento dos exemplares. Um trabalho solitário, pois, foi coincidente com o isolamento social, necessário nestes tempos de Covid-19, tendo como recursos o telefone celular e um laptop”, lembra.

Josias celebra o sucesso da obra, sobretudo no município de Baião, onde já foram vendidos mais de 200 exemplares.  “Muito importante o incentivo à cultura propiciado pelo Governo do Estado através da Imprensa Oficial. Oportunidade de revelação e valorização de muito material que só com o apoio do estado poderá contribuir de forma mais efetiva para a preservação e valorização de nossa rica cultura. Como organizador do projeto e em nome dos outros autores, agradeço de coração”, enfatiza.

A Ioepa integra o Fórum Estadual do Livro e da Leitura junto a órgãos como Secretarias de Estado de Cultura; de Educação; Fundação Cultural do Pará entre outros. “Estamos sistematizando tudo o que fazemos em relação à leitura para construir o Plano Estadual da Leitura, debatendo com a sociedade civil com as suas demandas. Além de ouvir, é importante trabalhar um conjunto de prioridades”, afirma Moises.

Para 2022, os planos são constituir a estante digital com todas as obras produzidas pela editora. Mais informações sobre as obras podem ser acessadas nos perfis da instituição no Instagram e Facebook

Por Dayane Baía (SECOM)