Restauradas, fotografias de Luiz Braga enriquecem acervo da PGE

14/12/2018 00h00
Por Redação - Agência PA (SECOM)

Fotografias que datam desde 1985, mostrando as várias sedes da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ao longo da história, além de locais típicos de Belém e diversas cenas do dia a dia da cidade. Um trabalho que resulta do olhar artístico de Luiz Braga, adquirido pela PGE em 1997 e já totalmente restaurado. Na última quarta-feira (12), as obras foram entregues, na sede da instituição, pelo próprio Luiz Braga, momento que também marcou a instalação oficial da Curadoria de Arte.

O processo de restauração começou após reuniões entre o fotógrafo e a comissão da Procuradoria, visitas técnicas, coleta, reimpressão e devolução das obras. Já a Curadoria de Arte da PGE tem um trabalho diferenciado, destinado a promover a integração entre os servidores e procuradores com a arte, e é formada por membros da Procuradoria, que trabalham nas horas vagas, sempre em busca de novas ideias para despertar o olhar dos demais servidores e visitantes para a importância da arte.

A Curadoria foi criada no início da atual gestão, quando o Procurador-Geral do Estado, Ophir Cavalcante Júnior, com o objetivo de preservar e valorizar o acervo artístico da instituição, se reuniu com outros servidores para discutir necessidades e ações que deram início ao Projeto PGE Cultural. Uma dessas ações foi a restauração das obras do fotógrafo Luiz Braga.

Roland Massoud, um dos procuradores mais antigos da PGE, acompanhou grande parte da história da Procuradoria e também participou da aquisição das fotografias de Luiz Braga, em 1997. Na época, a atual sede da Procuradoria estava sendo inaugurada. Várias peças de arte, como pinturas, fotografias e painéis de diversos artistas, foram compradas ou doadas para compor o novo espaço. Atualmente, as fotografias de Luiz Braga são as obras mais valiosas do acervo, pois além da quantidade (11 obras), foram se valorizando desde a aquisição.

Além da qualidade do trabalho, uma das motivações para a escolha das peças foi o fato de retratarem as antigas sedes da Procuradoria. Segundo Roland Massoud, é importante lembrar às gerações atuais o caminho percorrido pela instituição, suas dificuldades e êxitos para obter o reconhecimento ao trabalho desenvolvido no decorrer dos anos. “Acredito que não podemos seguir para o futuro sem respeitar e preservar o nosso passado. Nós temos o dever de conservar”, ressaltou.

Durante a entrega das obras restauradas, Roland Massoud destacou a importância de trazer a arte para o ambiente de trabalho, não só para suavizar a rotina do ofício, mas para despertar o sentimento de pertencimento em cada integrante da instituição. “Além da questão estética, a arte resgata a nossa história e identidade cultural”, afirmou.

Coloração manual – As fotografias de Luiz Braga possuem um valor inestimável. Duas obras – “Crianças na montagem do circo” e “Homem na venda de açaí” - foram coloridas à mão, uma técnica não mais utilizada pelo artista, o que as tornam ainda mais especiais.

Outra obra, “Mercado do Ver-o-Peso dourado”, está exposta de maneira singular, em tiras verticais. O motivo é simples: Luiz Braga explicou que à época (1997) as técnicas de revelação eram limitadas, e para produzir a foto no tamanho desejado (2m x 3m) foi preciso revelar em painéis verticais, posicionados lado a lado. Originalmente, estes painéis eram de metal, mas durante o processo de restauração foi utilizado material com PH neutro, que ajudará a conservar a peça.

Para o restauro foi preciso recorrer às fotografias originais, guardadas por Luiz Braga, e adaptar o espaço físico da PGE para receber as obras, com adoção de películas nas janelas para impedir que os raios ultravioleta desbotem as fotos, e colocação de molduras novas e mais apropriadas à conservação.

Durante a entrega, Luiz Braga ressaltou a importância da relação entre as instituições públicas e a promoção da arte, e afirmou que iniciativas como a da Procuradoria-Geral, ainda que raras, são essenciais para valorizar a produção cultural local e a transformação do ambiente de trabalho em um local menos pragmático. “A despeito de tudo o que está acontecendo lá fora, eu continuo acreditando na poesia, e não há nada que diga que aqui dentro não caiba poesia”, frisou o fotógrafo.

Ao final do evento, o procurador adjunto, Gustavo Monteiro, representando Ophir Cavalcante Júnior, disse que a arte faz pensar sobre a realidade e em soluções. “Nosso ofício nos demanda pensar fora da caixa, e a arte nos proporciona isso”, declarou.

Premiações – Luiz Braga nasceu em Belém, onde começou a fotografar aos 11 anos. Até 1981 desenvolveu trabalhos em preto e branco, mas se encantou com a visualidade popular amazônica.

Foi premiado em 1991 com o “Leopold Godowsky Color Photography Awards”, pela Boston University (EUA). Em 1996, com a Bolsa Vitae de Artes, realizou o trabalho “Amazônia Intimista”. Em 2003 foi homenageado no XXI Arte Pará e recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil.

O artista realizou mais de 70 exposições no Brasil e no exterior. Suas obras estão no Museu de Arte de São Paulo, no Centro Português de Fotografia e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.