Banpará-Bio estimula produtividade e mantém a floresta em pé

Iniciativa integra as ações do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e será apresentada pelo Estado durante a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, a COP26

05/11/2021 11h00 - Atualizada em 05/11/2021 12h12

Inserido dentro do Programa Territórios Sustentáveis, executado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), o Banpará-Bio é um exemplo de iniciativa do Governo do Pará de fomento do aumento da produtividade no campo com a manutenção da floresta em pé. A iniciativa faz parte das ações do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e será apresentada pelo Estado durante a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, a COP26, evento que começou no domingo (31), na cidade escocesa de Glasgow. 

De forma prática, a linha de crédito estadual, lançada pelo Banco do Estado do Pará, em setembro deste ano, se volta para produtores rurais inscritos no Programa Territórios Sustentáveis, com o valor de financiamento de até R$ 100 mil, e prazo de pagamento máximo de 12 anos, com carência de até 48 meses. 

O Banpará tem um limite de R$ 400 milhões para operar o Banpará-Bio. Até o momento, três produtores rurais realizam as primeiras contratações de crédito no estado, o que totaliza mais de R$ 249 mil em investimentos.  

"O Banpará-Bio foi criado a partir da necessidade de melhores condições (menor burocracia) de acesso ao crédito dos produtores rurais do Estado do Pará, sobretudo, em áreas com menor índice de regularização fundiária e ambiental. A linha de crédito tem por objetivo o financiamento de Sistemas Agroflorestais e demais atividades e serviços agropecuários pautados na sustentabilidade ambiental e social, o que podemos chamar de iniciativa produtiva verde, a fim de cumprir as diretrizes do Plano Estadual Amazônia Agora e, em caráter específico, o Programa Territórios Sustentáveis", detalha Braselino Assunção, presidente do Banpará.

Agricultor Elias de AlmeidaPara o agricultor Elias de Almeida, proprietário de uma chácara em São Félix do Xingu, sudeste paraense, um dos municípios atendidos pelo Territórios Sustentáveis, o novo projeto vai permitir que a categoria trabalhe sem agredir o meio ambiente.

"Nós queremos trabalhar da forma correta, dentro da regularidade e das leis ambientais, porque entendo e tenho a consciência que cada cidadão precisa contribuir para melhoria do nosso planeta para que possamos ter qualidade de vida melhor. O homem do campo pensa em desmatar e desmatar, mas e aí? Qual vai ser o nosso futuro? Então, entendemos que desmatar não é o caminho, mas sim trabalhar dentro de um projeto e um programa onde possamos produzir e preservar a natureza", frisa o agricultor Elias.

Ações

O Territórios Sustentáveis, um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), é a estratégia estadual de transição para a economia de baixas emissões destinadas às áreas pressionadas pelo desmatamento. As ações do programa são desenvolvidas na PA-279, que interliga os municípios de Ourilândia do Norte, Tucumã, Água Azul do Norte e São Félix do Xingu. 

“O Banpará-Bio é um esforço do Governo do Estado para garantir que os recursos financeiros para aumento de produção, aumento de renda, chegue efetivamente aos produtores rurais, especialmente, aqueles que produzem em cadeias ligadas a bioeconomia como cacau, açaí e psicultura. Então, esses produtores não estavam tendo acesso as linhas tradicionais de crédito do mercado por exigências que não estavam compatibilizados com a realidade do Pará, da Amazônia. Portanto, por meio do fundo garantidor do Estado, conseguimos ofertar esse volume de créditos para nossos produtores rurais que estejam dentro do Territórios Sustentáveis”, frisa Raul Protázio, secretário adjunto de Recursos Hídricos, Clima e Bioeconomia da Semas.

Nessa região, o Banpará tem agência em todas as quatro cidades, o que facilitará a adesão dos produtores rurais ao programa. "A expectativa do Banpará-Bio é conseguir atender produtores de todo o Estado que visem a iniciativas de produção sustentável e que contribuam com a concretização da economia verde no Pará, para isso, disponibilizamos 400 milhões de reais para essa linha de crédito", finaliza o titular do Banpará.

Por Bruno Magno (CPH)