No Círio, a fé também inspira a produção de agricultores familiares e artesãos apoiados pela Emater

08/10/2021 16h19 - Atualizada em 08/10/2021 17h38

Não falta maniçoba na mesa do Círio da casa de Cristiano Sena, do município de Santo Antônio do Tauá. Apesar da festividade acontecer em Belém, a tradição está presente na família do agricultor e é também a garantia de renda do jovem produtor familiar de apenas 33 anos, que já é acompanhado há mais de uma década pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) no município, e se tornou um dos maiores produtores de maniva da região.

“Nós vendemos, anualmente, 130 toneladas de maniva por ano e a época de maior venda é o Círio, quando temos um aumento de 50% na comercialização. Me sinto agraciado por meu produto entrar na casa de muitos paraenses, fazendo parte dessa confraternização de fé e amor a nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa Mãe Maria!”, declara o agricultor

Cristiano - agricultorE assim como Cristiano, centenas de agricultores familiares acompanhados pela Emater são responsáveis pela produção dos ingredientes tão apreciados pelos paraenses no Almoço do Círio, que são cultivados e produzidos em propriedades familiares da região metropolitana de Belém e também de outras regiões, como municípios do nordeste paraense.

“Aqui em Castanhal, nós temos a Agrovila de Bacabal, onde atendemos aproximadamente 20 produtores de Tucupi e a agrovila de Iracema, onde atendemos em média uns 20 agricultores, que trabalham com o Jambu. Parte dessa produção é vendida aqui, e parte ganha o mercado de Belém nesse período”, informa Marcelo Costa, tecnólogo de alimentos da Emater.

Com a orientação técnica da Emater, os agricultores conseguem melhorar seu processo de produção, desde a programação para o plantio no tempo certo para que os produtos estejam nos mercados em quantidades suficientes e a tempo da grande festa.

Uma rotina de dedicação ao cultivo, que também se aplica ao trabalho de outra categoria apoiada pela Emater, a de artesãos, como Val Genu, expositora da Feira Empório Sustentável, promovida pela Empresa, que traduz nas suas peças feitas de argila, muito da inspiração da festa nazarena.

“Quando começa o mês de julho, a gente já começa a pensar no Círio e a desenvolver peças pensando na possibilidade de receber um público grande na cidade e aumentar as nossas vendas. Então, a gente começa a olhar a cor do manto, a ouvir o que tem de novidade e vai se inspirando baseado no que vê e no que sente”, revela a artesã.

Val Genú - ArtesãAs peças, elaboradas com a lama que excede da mão do oleiro e que seria descartada, ganham então as referências do Círio, como a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, dos anjos, do manto e outros elementos da festa. Para o Círio 2021,  além das biojóias em cerâmica, a artesã também passou a produzir peças utilitárias para levar o Círio também para as reuniões familiares.

“Essa produção de peças utilitárias e decorativas  ainda é muito tímida, mas já existe. E uma das novidades são os pingentes transformados em porta guardanapos para quem trabalha com mesa posta ou para quem usa, pois isso se tornou uma tendência”, conta Val Genu.

A Emater desenvolve ações voltadas a difusão de conhecimentos e tecnologias no meio rural, sempre voltada a melhoria da renda e da qualidade de vida dos agricultores familiares, além produtores de outros segmentos, implementando modelos de produção que gerem rende de forma sustentável.

Texto: Etiene Andrade (Ascom- Emater)

Por Governo do Pará (SECOM)