Cerimônia marca a entrega da Casa Sustentável, projeto da Fapespa com a Fundação Guamá

A unidade foi construida a partir de uma metodologia própria que por processo inovador, transforma o plástico em similar de seixos agregados

30/09/2021 16h05 - Atualizada em 30/09/2021 16h36

Equipes da Fapespa e Fundação Guamá, gestora do PCT Guamá, e da startup Amazon Recover na entrega da casa sustentávelNa manhã desta quinta (30), a startup Amazon Recover fez a entrega simbólica da Casa Sustentável ao Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá. O projeto é fruto do termo de fomento firmado entre a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e a Fundação Guamá, organização gestora do PCT Guamá.

“O nosso apoio técnico e de negócios, somado ao apoio do Governo do Estado, permitiu que o projeto chegasse nesse primeiro marco. Nós temos a expectativa que esse projeto consiga alcançar êxito ainda maior, convencendo prefeituras e instituições públicas e privadas a darem investimento mais adequado para os resíduos produzidos, gerando elementos de valor para a construção civil, com resistência e qualidade comprovadas”, afirmou o diretor presidente da Fundação Guamá, Rodrigo Quites, no auditório do Espaço Inovação, na abertura do ato de entrega.

Diretora científica da Fapespa, Aurycelia Dias destacou a importância do incentivo à inovação. “A Fapespa tem como premissa fomentar os projetos de pesquisa voltados à ciência, tecnologia e inovação no Pará, buscando atender as necessidades das instituições públicas e privadas, além de órgãos estaduais. Hoje somos a principal fomentadora de pesquisa no Pará e buscamos cada vez mais consolidar os recursos visando a garantia de investimento na pesquisa e na formação de recursos humanos qualificados”, pontuou.

A casa sustentável tem forro miriti, feito especialmente por um artesão de Abaetetuba. O material garante maior conforto térmico.Engenheiro civil e um dos inventores do projeto, Marcos Sousa, afirmou que, “ninguém imaginou que a ideia que surgiu lá em 2016, durante um TCC, chegaria até esse ponto. Um dos nossos grandes desafios foi produzir o maquinário necessário para aproveitar diferentes tipos de plástico, além do processo onde as impurezas se perdem ou são agregadas aos produtos”.

O evento contou com a presença de representantes do Banco do Estado do Pará (Banpará), do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA), do Clube de Engenharia do Pará (CEP), do Instituto Lixo Zero Brasil, e da Cocavip, a cooperativa de catadores de materiais recicláveis de Icoaraci que receberá uma instalação fabril da Amazon Recover.

“A gente não consegue utilizar 30% do rejeito que chega até a cooperativa, materiais como Tetra Pak, embalagens plásticas de macarrão e bolachas, o tubo preto. Estamos tendo muito problema com a mica (parte traseira de televisores). Com essa parceria a gente acredita que vai solucionar essa questão do acúmulo de resíduos no nosso pátio, porque eles [Amazon Recover] vão conseguir reutilizar boa parte dos materiais”, informou a catadora Rosilene, mais conhecida como Lena na cooperativa.

Tecnologia

A partir de uma metodologia própria criada pelo negócio inovador, o plástico é transformado em seixos feitos do agregado graúdo de plástico. Segundo os empreendedores, é possível fazer diferentes peças, como blocos com e sem função estrutural, broquetes, tubos, entre outros produtos comumente derivados do concreto. A solução criada também tem o potencial de reaproveitar vidros e rejeitos da mineração.

A casa entregue ao PCT Guamá possui forro de miriti, feito em parceria com um artesão de Abaetetuba. Os engenheiros afirmam que, por conta das propriedades dos tijolos, o conforto térmico do protótipo é melhor do que o de construções tradicionais e que o preço final da construção foi 30% menor do que se tivesse sido feita com os materiais convencionais.

Por Juliane Frazão (PCTGuamá)