Especialistas alertam que Covid-19 e câncer podem contribuir para trombose

Médicos observam que em pacientes graves de Covid-19 há maior possibilidade de formação de trombos no sistema circulatório

17/09/2021 23h06 - Atualizada em 18/09/2021 01h24

Em alusão ao Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado em 16 de setembro, o Governo do Pará alerta a população sobre os riscos e sintomas da doença, que também está relacionada a outros males, como câncer e a própria Covid-19.

Trombose é a formação de um coágulo quando o sangue para de circular dentro de vasos sanguíneos ou em qualquer parte do sistema circulatório. O Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, é referência na Região de Integração Xingu para o tratamento de pacientes com a Covid-19, e realiza também atendimento a pacientes com trombose. Em Belém, a referência é o Hospital Ophir Loyola (HOL), que trata pacientes com câncer.

O cirurgião vascular Mário Franco Netto, diretor técnico do HRPT, avalia os reflexos da infecção pelo novo coronavírus em pacientes graves. "Não podemos afirmar ainda que a doença causa o aumento de trombos, até porque eram todos doentes críticos, que tinham potencial de desenvolver a trombose. Porém, a impressão que temos, pelo número de casos abordados tanto de trombose arterial quanto venosa, foi de que a Covid-19 parece ser uma doença que causa o desenvolvimento de tromboses graves. O tratamento nos pacientes de Covid-19 é igual ao realizado em qualquer outra pessoa que tenha trombose. O que a gente percebeu é que o novo coronavírus deflagrou mais eventos trombóticos em pacientes graves do que a média que a gente observa nos pacientes de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)", ressalta.Pacientes que desenvolvem casos graves de Covid-19 podem estar mais propensos à trombose

Sintomas - Os sintomas podem variar, dependendo do local. As tromboses arteriais normalmente geram perda de circulação do órgão ou do membro, causando dor forte, palidez ou desconforto no local. Em alguns casos, há o surgimento de cianose - o escurecimento do membro pela falta de sangue. Já no caso da trombose venosa, haverá inchaço, edema e dor. "Normalmente, o paciente procura atendimento porque o membro fica diferente, apresentando alteração no tamanho, pois fica muito grande por conta do inchaço", detalha o médico.  

Para diagnosticar a trombose há dois métodos: exame clínico e ultrassom com Doppler, realizado para verificar se o sangue está circulando adequadamente na artéria ou veia. Quando a trombose ocorre em órgãos em que não é possível visualizar diretamente pelo Doppler, há exames de imagem, como tomografia ou ressonância, que podem fazer o diagnóstico de trombose cerebral ou abdominal. 

Todos os pacientes com a doença usam os anticoagulantes como tratamento. Mas nos casos arteriais pode ser necessário o procedimento cirúrgico para remoção do trombo, a fim de permitir a circulação sanguínea no membro ou local. Para evitar a trombose arterial ou venosa, é aconselhável beber água, evitar ficar muito tempo sentado, além de praticar atividade física, manter um peso ideal, não fumar e controlar o colesterol, triglicérides e diabetes.

Associação - O cirurgião vascular Paulo Toscano atua no HOL e confirma a associação da trombose com o câncer. "É importante frisar que o paciente oncológico tem risco aumentado de ter trombose venosa ou arterial. É uma mensagem que a gente não pode deixar de passar, porque há uma relação em torno de 25%, ou seja, um quarto do total de pacientes com diagnóstico tromboembolismo e o câncer, havendo a concomitância do problema. Então, o câncer naturalmente não é o único fator de risco de tromboembolismo, mas é o mais importante, e temos que estar atentos quanto a isso", explica o médico.

A trombose pode aparecer como prenúncio de um câncer ainda não diagnosticado, no indivíduo aparentemente saudável. Ao investigar, descobre o quadro de câncer. Mas há vários fatores de risco relacionados à trombose, assim como muitos anticoagulantes – alguns, injetáveis. 

"Hoje, a gente dispõe de um arsenal de novos anticoagulantes orais, que vêm ocupando um papel muito importante no tratamento de pacientes com câncer, com bases e diretrizes internacionais sobre o manejo dessa condição de pacientes oncológicos já bem definidas. Além disso, podemos associar, ainda na fase aguda da trombose, a terapia de compressão com meias elásticas de compressão graduada, que têm um bom nível de evidência em termo de promover melhor conforto para o paciente”, informa Paulo Toscano.

Cirurgia - Paciente do Hospital Regional Público da Transamazônica, Joaquim Ribeiro Santana, 68 anos, passou por cirurgia para tratar trombose na última quarta-feira (15). “Eu estava sentindo fortes dores na perna e fui atrás de atendimento. Então, recebi o diagnóstico de trombose. Fui transferido para o Hospital Regional no dia 12 de setembro, para fazer a cirurgia. Deu tudo certo, graças a Deus! Todos cuidam muito bem de mim. Agora é só aguardar a recuperação para poder voltar para minha roça”, disse Joaquim.

Adriana Ribeiro, cuidadora de idosos, relata que seu avô, Damião Costa, 89 anos, ficou internado um mês e cinco dias para tratar trombose. “Meu avô pegou uma pneumonia, foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e a médica passou remédio para tomar em casa. Ele começou a se sentir mal, e a perna dele começou a ficar muito inchada. Então o levamos para o Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti. Os médicos tiveram que fazer um ultrassom da perna dele e diagnosticaram a trombose", conta Adriana.

O paciente teve de ficar internado recebendo medicação. Como não conseguia andar, os médicos faziam exercícios com as pernas de Joaquim. "Ficou internado um mês e cinco dias. Agora está fazendo tratamento pelo Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS). Já consegue andar, e está bem melhor”, garante a neta do paciente.

Por Carol Menezes (SECOM)