São José, espaço para sempre liberto

12/01/2017 00h00

Na Belém que aniversaria também celebrando o turismo, um lugar é bastante procurado pela carga histórica que possui: o Pólo Joalheiro São José Liberto é destino de amantes e estudiosos de preciosidades e artesanato em gemas. No local estão expostas, para observação e venda, cerca de quatro mil peças, entre diamantes, ametistas, amostras de ouro, cerâmica marajoara e tapajônica e muiraquitãs. Objetos que chegam a ter até 500 milhões de anos de história geológica até virarem sofisticados adornos forjados a mãos hábeis.

O local nem sempre foi uma referência de território turístico e de lazer de Belém. Sua história chega a ser um paradoxo do que hoje representa o espaço para muitos que o visitam e lá trabalham. Por cerca de 150 anos, o prédio já pertenceu a congregação religiosa e também se tornou o presídio São José. Palco de grandes conflitos e rebeliões, o lugar foi desativado pelo Governo do Estado em 1998.

Restaurado, renasceu em 2002 como Espaço São José Liberto, que abriga 13 atrações de visitação – entre os quais os mais procurados são o Museu de Gemas do Pará e a Casa do Artesão. Ambos com capacidade de levar visitantes a uma viagem pela história das pedras preciosas e utensílios utilizados por indígenas nos séculos passados. Definitivamente, o espaço São José Liberto transcende conhecimento e elegância.

Joias - Antes de integrar a equipe do espaço, onde já trabalha há uma década, Carmen Macedo, 70, foi criada nas proximidades do prédio, quando ele ainda era um presídio. Hoje só consegue ver o espaço São José Liberto como um local de paz. “A produção dos nossos artesãos e ourives consegue trazer leveza para esse local. Diferentemente de anos atrás, hoje a gente tem os portões abertos, as pessoas não precisam pagar nada para ter acesso aos anexos que aqui temos”.

Gerente de Eventos do Instituto de Gemas de Joias da Amazônia, dona Carmen ressalta: o novo local, reformado, foi concebido para ser patrimônio de expressões culturais, espetáculos de artes e criações culturais. “Como acontece comigo, que lembro da infância, ele aproxima o público do próprio passado”, sorri.

Hoje São José é liberto. Liberto das angústias das quais um dia foi palco. De cadeia pública a espaço de referência no turismo de Belém. Da pedra bruta, retirada à força do seio da terra, uma esperança se faz jóia lapidada para o futuro de Belém: um cada vez mais cristalino e belo corolário secular.


Serviço:
O Espaço São José Liberto funciona de segunda à sexta-feira, das 9h as 18h30.

Texto: Raiana Coelho

Por Redação - Agência PA (SECOM)