'Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos' é o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno

03/08/2021 14h27 - Atualizada em 03/08/2021 15h33

A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM 2021) é comemorada anualmente entre os dias 1 e 7 de agosto, porém a campanha em prol da amamentação, Agosto Dourado, continua durante todo o mês e este ano propõe o tema: “Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos”.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Coordenação de Saúde da Criança e parceiros, vai realizar diversas programações, em sua maioria de forma virtual, durante o período da Campanha para promover o assunto.

Segundo a Coordenadora de Saúde da Criança da Sespa, Ana Cristina Guzzo, o objetivo dos eventos virtuais é falar das várias estratégias necessárias para garantir a proteção permanente da amamentação, como é o caso da proteção Legal, através da vigilância do cumprimento das Normas Brasileiras para a Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras – NBCAL e o compromisso de todos os profissionais da área da saúde, entre outros.

“Tendo em vista as limitações com relação a Pandemia, fizemos a maior parte das programações via Web conferência, mas haverá uma oficina de Aconselhamento em Aleitamento Materno que ocorrerá na Fundação Santa Casa, direcionada a profissionais de saúde que atuam em Hospitais Amigos da Criança e, ainda teremos a Avaliação Global (pelo Ministério da Saúde) do Hospital Regional de Barcarena, que deve se tornar mais um “Hospital Amigo da Criança” do Pará. 

No dia 04 de agosto, às 14h,  haverá um Workshop com uma consultora do Ministério da Saúde, uma profissional membro da IBFAN - Brasil (International Baby Food Action Network) e uma da Saúde da Mulher da SESPA, que abordarão o tema da SMAM 2021 - “Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos” em várias linhas. Link para participação: https://meet.google.com/pjg-veiq-sfo

No dia 11 de agosto, às 10h a Live: Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) para Conselhos Profissionais, com o tema: O que podemos fazer para proteger a amamentação e a dupla mãe-bebê do marketing não ético de alimentos infantis? Mediada pelo médico Hélio Franco da Coordenação de Saúde da Criança/SESPA. Link para participação: https://meet.google.com/pjg-veiq-sfo

No dia 12, às 10h terá o Workshop - NBCAL PARA VIGIL NCIA, com o tema: “ O que podemos fazer para proteger a amamentação e a dupla mãe-bebê do marketing não ético de alimentos infantis?”, com a participação de Cintia Ribeiro Santos, Consultora Internacional em Aleitamento Materno e Membro da Rede IBFAN-BRASIL, tendo como Mediadora a Enfermeira Dione Marília Albuquerque Cunha - Membro da Rede IBFAN-Pará- Internacional Baby Food Action Network

Ainda no dia 12, às 14h haverá o Workshop sobre “A abordagem do Aleitamento Materno na formação acadêmica, como fator de proteção da amamentação”, que terá como palestrante a Dra. Naíza Sá, Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Saúde Ambiente e Sociedade/UFPa e professora da Faculdade de Nutrição da UFPa.

Benefícios

O aleitamento traz inúmeros benefícios à saúde da mulher e do bebê, explica a coordenadora. “Há grande número de estudos que apontam a importância do Aleitamento Materno para a mulher e seu bebê. Na verdade, a importância do aleitamento para a sociedade como um todo. Não cansamos de referir sobre a sua melhor digestibilidade, a proteção conferida através da transferência de anticorpos; a redução do risco de doenças infecto contagiosas; menos pneumonia; menos diarreia, menos internação hospitalar e, principalmente, a redução da mortalidade infantil”.

“No referente aos benefícios para a mulher pode-se apontar o menor risco para o câncer de mama, menor risco de hemorragia pós-parto, menos anemia pós-parto, além da construção do afeto entre mãe e bebê e sua importância para o desenvolvimento infantil e toda a vida. E tudo isso a custo “zero” para as famílias, principalmente nos tempos atuais”, avalia a Dra. Ana Guzzo. A médica, ressalta que “a SMAM deste ano quer dar o destaque para a necessidade de proteção da amamentação e, neste sentido, busca reforçar o compromisso efetivo das sociedades e governos com este ato que é base da vida, principalmente em um momento tão difícil como o que estamos passando com esta Pandemia”.

Segundo dados do Ministério da Saúde, após avaliação de 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e março de 2020, foi constatado que mais da metade (53%) das crianças brasileiras continuam sendo amamentadas no primeiro ano de vida. Entre as menores de seis meses, o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Já nas menores de quatro meses, de 60%.

De acordo com dados da segunda Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, de 2008, o Pará apresentava um tempo médio, de amamentação em crianças menores de 6 meses de 88,8 dias, sendo maior que a média nacional, cujo percentual era de 54,1 ao dia.

Esse desempenho é resultado de várias ações de incentivo ao aleitamento, dentre elas o projeto de mais de 30 anos no estado, o Programa de Apoio ao Aleitamento Materno (PROAME), existente nos 144 municípios. Outras ações são a criação dos bancos de leite humano, hoje implantados em Belém, na Santa Casa; em Marituba, no Hospital Divina Providência; em Bragança, no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria; e em Marabá, no Hospital Municipal – todos certificados com classificação na Categoria Ouro da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e com apoio do Corpo de Bombeiros, por meio do projeto “Bombeiros da Vida”.

A performance positiva do Pará em relação aos bons índices de aleitamento materno também está associada à iniciativa Hospital Amigo da Criança, título conquistado por 10 hospitais localizados no Estado: Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Santa Casa, Ordem Terceira e Beneficente Portuguesa, em Belém; Anita Gerosa, em Ananindeua; Divina Providência, em Marituba; Santo Antônio Maria Zaccaria, Hospital de Clínicas e Hospital Geral, de Bragança e Hospital Santo Antônio, de Alenquer.

Por Melina Marcelino (SESPA)