Medalhas olímpicas incentivam atletas do Programa Bolsa Talento mantido pelo Estado

A iniciativa apoia os atletas para que eles se aprimorem nas modalidades, disputem rankings nacionais e se tornem grandes representantes do Pará no mundo esportivo

29/07/2021 12h46 - Atualizada em 29/07/2021 14h30

A ginasta Camilly Santos, 19 anos, treina desde os quatro e já participou de competições locais e nacionais, com o apoio da SeelO Brasil já conquistou sete medalhas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, ocupando a 11ª posição no ranking mundial. Nesta quinta-feira (29), o destaque foi o triunfo das mulheres no judô, com a medalha de bronze de Mayra Aguiar, e na ginástica artística com a prata de Rebeca Andrade, sob o som contagiante que mistura o clássico de Johann Sebastian Bach com o funk paulista do "Baile de Favela", de MC João.

As vitórias brasileiras oxigenam a esperança da população depois de tantos momentos de tristeza ocasionados pela pandemia de Covid-19. Principalmente considerando que o isolamento social e as medidas restritivas comprometeram os treinamentos físicos e psicológicos dos atletas. Por isso, cada vitória tem um valor ainda maior como o ouro de Ítalo Ferreira no surf; as pratas no skate de Rayssa Leal e Kelvin Hoefler; os bronzes de Daniel Cargnin, no judô, e de Fernando Scheffer, na natação.

Para além da competição, o esporte é um instrumento de transformação social e assim, o solo de Rebeca embalado pelo funk é tão simbólico e reflete a história de superação e garra da atleta, assim como tantas outras Brasil a fora.

A ginasta Camilly Santos: "Sou campeã paraense 11 vezes, invicta desde meu 1º torneio, já estive entre as 8º melhores ginastas do País".No Pará, por exemplo, a ginasta Camilly Santos, 19 anos, treina desde os quatro e já participou de competições locais e nacionais. “Eu morava em frente ao ginásio de ginástica, o meu pai pensava que era ballet porque todos os dias escutava músicas durante a tarde. Ele decidiu ver o que era na verdade, ele gostou muito e decidiu me matricular com apenas quatro anos de idade”, lembra.

O desempenho de Camilly a levou a Jogos Escolares Nacionais e Campeonatos Paraenses e Brasileiros. “Sou campeã paraense 11 vezes, invicta desde do meu 1º campeonato de ginástica rítmica. Em 2017, fui vice-campeã nos Jogos Escolares da Juventude e já estive entre as 8º melhores ginastas do País, nos campeonatos brasileiros”, afirma.

Entretanto, as conquistas foram marcadas por dificuldades que para serem superadas tiveram o apoio do Governo do Estado, por meio do Programa Bolsa Talento, conduzido pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel). “Quando comecei a me destacar nos campeonatos brasileiros, os custos das inscrições e das despesas eram muito altos e eu viajava com minha técnica para competições. O Bolsa Talento me ajudou muito para contratar outras técnicas para me dar aula, além de poder comprar roupas mais elaboradas para competições, me ajudou com o transporte diário para os treinos e é uma ajuda e tanto”, exemplifica Camilly.

“O Bolsa Talento é um programa do Governo do Estado do Pará, com incentivo para que os atletas possam permanecer nas modalidades. Eles treinam para participar de competições em busca das melhores posições do ranking nacional, para que possam também representar o Pará, além de garantir uma vaga na seleção brasileira”, explica Kátia Rocha, diretora em exercício de Esporte e Lazer da Seel.

O programa auxilia crianças e jovens de forma financeira, além de promover benefícios físicos e sociais por meio da prática esportiva. “O esporte consegue trabalhar em diversas vertentes, além de conseguir manter os níveis de corpóreos e desenvolvimento da criança e adolescente, ele também proporciona um equilíbrio. O esporte contribui com estabilização, para que eles possam ressocializar com outras pessoas, além de poder controlar a ansiedade e conviver com essa relação de ganhar, perder e ter solidariedade com o próximo”, acrescenta a diretora.

Surfista Bruno Soares, de 21 anos, dedica-se ao esporte e também tem o apoio da Seel para competir dentro e fora do Pará Sobre as águas - O surf é um dos esportes estreantes das Olimpíadas de Tóquio e já trouxe o ouro com o brasileiro Ítalo Ferreira. No Pará, a modalidade recebe apoio sobretudo com atletas do município de Salinópolis, que têm mais contato com o mar, como Bruno Soares, de 21 anos, que já participou de várias competições. 

“Eu era muito pequeno quando comecei no surf, o meu tio me deu a minha primeira prancha de surf e comecei com ondas pequenas à beira mar. Com muito treinamento e dedicação comecei a ficar em primeiro lugar em todas as competições e hoje sou um dos nomes que representam o Salinópolis e o Pará em campeonatos dentro e fora do estado”, conta o surfista.

Bruno também foi contemplado com o programa. “A minha família sempre me ajudava com as despesas para as viagens, mas ficou muito pesado. Via muitos colegas viajando para competições de surf, eu fiquei curioso e resolvi perguntar quem ajudava com os gastos nas viagens. Eles me falaram sobre o Bolsa Talento, que é uma ajuda para os atletas paraenses. O meu técnico Noelio Sobrinho, que é também o presidente da Confederação Brasileira de Surf do Pará, ajudou a me inscrever no programa. Com essa ajuda, já participei de cinco campeonatos fora e cinco dentro do estado”, enumera o atleta.

A equipe azulina de basquete em cadeira de rodas é um dos grupos incentivados pelo Bolsa Talento, política pública inclusivaPrática inclusiva -  Os esportes paralímpicos, voltados para pessoas com algum grau de deficiência, também recebem atenção. A paratleta de basquete Vivi Brito, 29 anos, já foi convocada para seleção brasileira para os Jogos Paralímpicos de Pequim, na China, em 2008. Atualmente ela se prepara para integrar a equipe do Brasil no sul-americano, que ocorrerá na Argentina, em setembro. 

O basquete em cadeira de rodas faz parte da história dela desde os 15 anos de idade. “Na época nem imaginava que existia esporte adaptado e sem dúvida foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida e me libertou de muito preconceito que tinha de mim mesma. No início, foi um pouco complicado porque eu não gostava de praticar esporte, até por conta da minha deficiência na perna, mas depois a gente vai conhecendo e aprendendo e traz uma alegria que nem consigo explicar, jamais pensei em praticar um esporte em alto rendimento”, admite Vivi Brito.

Ela destaca o papel do treinador na trajetória, que também foi responsável pelo acesso ao Bolsa Talento. “O meu treinador é uma pessoa incansável, ele não deixa a gente desistir em nenhum momento e faz a gente acreditar todos os dias que somos capazes de fazer coisas que jamais imaginávamos que conseguiríamos fazer. Fazer parte da Equipe Remo/All Star Rodas do Pará é muito importante. Ele explicou e ajudou a gente conseguir o Bolsa Talento, com a ajuda conseguimos manter o nosso material esportivo, a Seel ajuda em passagens para competições”, pontua a paratleta.

Por Dayane Baía (SECOM)