Óleo do murici qualifica o fruto como insumo para a indústria farmacêutica, diz pesquisadora

Fruta foi submetida a um processo de extração limpo com CO2, o chamado solvente verde, que constatou seu efeito citoprotetor de células, órgãos e tecidos

02/07/2021 12h35 - Atualizada em 02/07/2021 13h27

A pesquisadora Flávia Pires, do Labtecs/UFPA, e as substâncias extraídas do murici com tecnologia limpa nos centros do PCT GuamáArtigo publicado na revista Foods pela pesquisadora Flávia Pires, colaboradora do Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs/UFPA), um dos centros de pesquisa instalados no PCT Guamá, aponta que o óleo de murici apresenta alta concentração de luteína, uma substância conhecida por auxiliar na manutenção da boa saúde dos olhos.

Na pesquisa, o fruto passou por uma técnica de extração considerada limpa, que utiliza o dióxido de carbono (CO2) como solvente. “O CO2 é considerado um solvente verde por não ser tóxico e não poluir o meio ambiente. Ele é separado do extrato imediatamente após o término do processo, não deixando quantidades residuais no produto. Portanto, é possível obter um extrato 100% puro, isento de qualquer solvente tóxico”, explica a primeira autora do artigo, a pesquisadora Flávia Pires.

“Fizemos uma extração sequencial supercrítica, um processo em que primeiramente foi extraído um óleo, com CO2 supercrítico e, posteriormente um extrato a partir da aplicação de CO2 supercrítico e Etanol”, complementa a pesquisadora.

Além da luteína, o óleo de murici também apresentou alta concentração de ácidos graxos oleico (ômega 9), palmítico e linoléico (ômega 3), substâncias que contribuem para o bom funcionamento do organismo.
Já o extrato etanólico de murici, apresentou alta concentração de compostos fenólicos e flavonóides, conhecidos por sua ação antioxidante. Tanto o óleo quanto o extrato etanólico do fruto não apresentaram citotoxicidade, ou seja, não promoveram alteração metabólica nas células testadas.

CITOPROTETOR

Em um artigo publicado em 2019, a pesquisadora já havia detectado um alto teor de luteína no óleo de murici, em outras condições de extração. O diferencial do novo estudo é que os compostos foram obtidos na condição ótima de extração, onde foi atestado a não toxicidade e o efeito citoprotetor.

“A citoproteção é um conjunto de processos que contribui para manter a integridade das estruturas celulares e proteger os órgãos e tecidos. O óleo de murici apresentou efeito citoprotetor em 72h de exposição. Os resultados do estudo mostram que o murici apresenta um elevado valor nutricional e nutracêutico, o que pode qualificar o fruto para o uso em processos industriais, com possibilidade de aplicação em suplementos alimentares, por exemplo”, pontua Flávia.

Além da atuação de pesquisadores do Labtecs, a pesquisa contou com a colaboração de membros do Laboratório de Extração da Universidade Federal do Pará (Labex/UFPA) e do Ceabio, o Centro de Estudos Avançados da Biodiversidade da UFPA também instalado no PCT Guamá. A íntegra do artigo está disponível em inglês neste link.

LABTECS/UFPA

Substâncias extraídas do murici revelam poder de proteção a células, órgãos e tecidos e seu potencial de uso na indústria farmacêutica Criado no início de 2020, com investimentos do Governo do Estado, por meio do Programa BioPará de estímulo de crescimento da bioindústria, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Labtecs/UFPA estuda plantas e frutos para criar novos produtos por meio da tecnologia supercrítica.

A tecnologia supercrítica é um processo de extração de substâncias que usa solventes em estado supercrítico – um estado da matéria no qual o fluido se comporta como líquido e gás simultaneamente.

Pioneira na região Norte, essa metodologia torna o processo de extração mais eficaz e mais limpo, com menor geração de resíduos.

Por Juliane Frazão (PCTGuamá)