Famílias da Comunidade de Santo Expedito, em São Miguel do Guamá, recebem títulos de terra

Posse de terreno deve estimular práticas como a da agricultura familiar, gerando emprego e renda

25/06/2021 18h19 - Atualizada em 25/06/2021 19h20

A autônoma Bárbara de Sena foi uma das 20 contempladas com títulos de terra para a Comunidade Santo Expedito, entregues nesta sexta (25), pelo Governo do Estado, em São Miguel do Guamá, nordeste paraense. A jovem não escondia a ansiedade em finalmente obter o documento que confirma a posse do terreno onde mora. "É uma grande oportunidade", reconheceu a nova proprietária.

O governador Helder Barbalho, ao fazer a entrega simbólica dos termos de posse, lembrou que a regularização permite ao proprietário o acesso a linhas de crédito com juros bem mais baixos, voltados aos mais diversos tipos de investimento.

Titular da Setran, secretário Adler Silveira"Para uma região como essa, trata-se de algo determinante. É a segurança que o produtor precisa para ir atrás de recursos e investir na terra, ter semente melhor, adubo, calcário. Se ele não sabe se a terra é dele, faz o quê? Faz o que dá, não vai investir, porque não sabe se vai perder mais à frente", destacou o chefe do Executivo Estadual. 

"Estamos entregando títulos principalmente para aqueles que praticam a agricultura familiar, e como donos, podem fazer o que quiserem. A atividade do agronegócio é muito importante e desejamos que se expanda cada vez mais, promovendo mais emprego e mais renda", reforçou Helder Barbalho.

Bruno Kono, presidente do IterpaÉ justamente dos financiamentos diferenciados que Bárbara quer ir atrás o quanto antes. "É um grande passo, não tinha nada no meu nome, esse é meu primeiro bem. E a gente nem tinha previsão de quando receberia essa documentação. Quero começar um negócio com agropecuária, com hortifruti, algo que faça uma grande diferença na minha renda", antecipou.

O presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Bruno Kono, afirma que a documentação promove principalmente a dignidade das famílias. "Identificar documentalmente onde eles moram e a relação com a área tem um fator muito emotivo. Tratam-se de ocupações antigas, que nunca tiveram documentação, e agora foram regularizadas" detalhou o gestor.

Kono destacou ainda que a possibilidade de a regularização da terra abrir caminhos para investimentos traz ganhos não só para aquele núcleo familiar, mas todo o município.

"Seja para comércio ou agrícola, não deixa de ser uma forma de melhorar tanto a própria renda como sua forma de produção, e também a qualidade de vida de toda a família que ocupa aquele espaço", ressaltou.

João Carlos Araújo também conseguiu regularizar o terreno que herdou do pai. Há pelo menos seis anos ele tentava obter a documentação, mas acabava sem conseguir por conta da burocracia.

"A titulação nos abrirá vários caminhos. A atividade agrícola nós já realizamos e queremos conseguir financiamento não só para que a gente tenha lucro, mas também para contribuir para o desenvolvimento do município", explicou. "Com essa atuação do Governo do Estado e do Iterpa para acelerar o processo, acredito que o ganho será de toda a região", finalizou. 

Por Carol Menezes (SECOM)