Safra de limão Taiti em Monte Alegre deve superar em 10 mil toneladas a do ano passado

Há dez anos, a Emater garante assistência técnica e acompanhamento dos produtores, que discutem a verticalização da produção para evitar o descarte

27/04/2021 15h18

Cultivo de Limão Taiti, em Monte Alegre, garante duas safras, diferentes no volume de produção e no preço do produto no mercadoCom uma área plantada de 3,376 mil  hectares e mais de 1 milhão de mudas, a expectativa para este ano é de que a produção de limão Taiti em Monte Alegre, no oeste do Pará, seja de mais de 98 mil toneladas nas duas safras anuais, superando a de 2020, que foi 86,184 mil toneladas.

As duas safras se diferenciam pelo volume de produção e pelos preços que o produto alcança no mercado, explica Francisco Lima, técnico em agropecuária do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará ( Emater) em Monte Alegre. 

“Existem duas safras anuais,  a do chamado inverno e a do verão. A diferença entre as 2 é que os preços do limão na safra de inverno são muito baixos; variando em função de retração de mercado os preços médios ficam em torno de 4 a 5 reais a caixa; e no verão, apesar da cultura apresentar uma menor produtividade em razão do baixo nível de recursos hídricos, o preço da caixa pode chegar a até 70 reais”, detalha Francisco.

Isaías Pedreiro disse que foi surpreendido pela grande produção no inverno e teve que decartar parte da safra para reduzir os prejuízosO agricultor Isaías Pedreiro foi surpreendido pela grande produção de inverno e a concorrência de produtores de outras regiões. Com os preços baixos que não compensaram os custos com o transporte e outros gastos com a colheita, ele precisou fazer o descarte de parte da produção, mas espera recuperar o lucro na próxima safra.

“A produção do inverno foi boa, mas não gerou lucro, e precisamos até fazer o descarte de boa parte dela. Agora, a gente está aguardando a produção do verão, as árvores já estão florando e acreditamos que a safra será boa”, acredita o agricultor, um dos mais de 800 produtores acompanhados pelos técnicos do escritório local da Emater.

VERTICALIZAÇÃO

“O escritório, através da sua equipe técnica, de forma programada ou espontaneamente, realiza visitas e aplica metodologias como demonstrações técnicas, dia de campo , excursão etc. Além da formalização de credito rural aos produtores. Quanto ao descarte, uma saída para isso, que é a verticalização da produção com instalação de uma esmagadora do fruto ou algo similar, situação que já vem sendo pensada pelos produtores com a orientação da Emater”, ressalta o técnico Francisco Lima.

Atualmente, a  produção de limão representa algo em torno de 20% a 25% do  Produto Interno Bruto (PIB) do município de Monte Alegre,  gerando uma receita anual superior a  40 milhões de reais  aos produtores da região.

Há cerca de 25 anos o cultivo de limão já é desenvolvido em Monte Alegre, mas comercialmente o produto começou a se fortalecer uma década depois e há 10 anos vem recebendo o apoio contínuo da Emater para a produção de limão Taiti.

“O uso de ferramentas metodológicas adequadas e a difusão de novas tecnologias, implementados pela Emater, propiciaram um incremento na produção, e agora estamos trabalhando na organização de produtores com vista a ampliar mercados e ter maior poder de negociação.”, afirma o técnico.

Além dessa assistência técnica dada aos produtores, outros aspectos são considerados como positivos para o desenvolvimento do cultivo de limão em Monte Alegre, como a aptidão da terra, a tradição no cultivo já enraizado na agricultura familiar, um mercado em expansão e a boa logística de acesso aos mercados, e bom o retorno econômico.

Atualmente,  90% da produção de Monte Alegre é absorvida pelo mercado de Manaus no Amazonas, indo também para Macapá, no Amapá, Belém no Pará, Imperatriz no Maranhão e Sinop no Mato Grosso.

* Por Etiene Andrade ( Ascom Emater) 

Por Rodrigo Reis (EMATER)