Paraenses alavancam pequenos negócios com a ajuda do Fundo Esperança

21/04/2021 17h53 - Atualizada em 21/04/2021 18h20

Empreender é o sonho de muitos brasileiros, com a possibilidade de ser o seu próprio patrão e trabalhar com horário flexível, conforme as características do negócio. Na prática, o desafio é bem maior e se torna ainda mais difícil quando uma pandemia ameaça a saúde, a vida e a fonte de sobrevivência do empreendedor. No Pará, o Governo do Estado disponibiliza a segunda edição do Fundo Esperança, destinando R$ 150 milhões para o auxílio de pequenas e médias empresas.

“A minha vida antes da pandemia era boa. Tenho dois filhos, sou mãe solteira e cabeleireira. Eu tinha uma moça que trabalhava fazendo unha aqui comigo no meu salão. Ele é de bairro, mas dava para suprir minhas necessidades, fazer pagamento de conta em dia, me alimentava bem. Hoje, não está dando para fazer isso”. O desabafo é de Andrea Machado, empreendedora do bairro da Sacramenta em Belém, que viu os clientes ficarem cada vez mais escassos com o passar dos meses.

Ela conta que além dos cortes de despesas, a pandemia impactou o cotidiano dela. “Muita gente não quer vir correr o risco de pegar Covid. E caiu muito mesmo o movimento.  Então hoje, eu estou vivendo uma vida muito difícil, pela misericórdia de Deus, porque está muito difícil mesmo a vida. Depois da pandemia nada melhora, todo tempo cada vez pior, lamentou Andrea.

Andrea Machado.O Fundo Esperança veio como a luz que ela precisava enxergar nesse cenário. “Com o Fundo Esperança eu consegui pagar algumas contas que estavam um pouco atrasadas.  São R$ 2 mil, para algumas pessoas, pouco. Mas já me ajudou bastante. Consegui colocar a minha energia em dia. Fiz compras para minha casa, uma quantidade legal de comida. Ajudei minha mãe que também está desempregada e para mim foi muito bom. Eu começo a pagar no mês de outubro”, acrescentou a cabeleireira.

As vantagens incluem juros de 0,2%; seis meses de carência e três anos para pagar; suspensão da cobrança e pagamento das parcelas de 2020 por seis meses, e aumento do limite de R$ 15 para R$ 50 mil.

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) indicam que entre 17 de março a 16 de abril de 2021, 35.844 pessoas foram beneficiadas com um total de R$ 103.837.179,40. Entre elas, 29.220 são pessoas físicas, para quem foram disponibilizados R$ 51.761.215,20. As outras 6.624 são pessoas jurídicas que acessaram R$ 52.075.965,20.

Pessoa física, Nívea Silva abriu um negócio de venda de guloseimas há um ano. Ela trabalha sozinha e usa a cozinha da avó para preparar os produtos. “Eu vendia docinhos de festa. Estava começando o meu negócio quando a pandemia chegou, isso fez com que minhas vendas caíssem muito”, lembra a doceira. O Fundo Esperança foi uma força para não desistir do sonho. “Consegui um empréstimo de R$ 1.800 que me ajudou a sair do vermelho e deu um respiro no meu negócio”, disse um pouco aliviada.

A situação é parecida com a de Thayze Vale, moradora do bairro da Baia do Sol, em Mosqueiro, que trabalha com venda de roupas. “Minha vida antes da pandemia era bem melhor, minhas vendas, vários clientes e encomendas de vários lugares. Fazia minhas entregas sem nenhum risco”, contou Thayze.

Com a impossibilidade de fazer as entregas, ao mesmo tempo que os clientes deixaram de procurá-la, o estoque ficou estagnado. “Minhas mercadorias demoram a sair e sempre tenho que fazer várias promoções com preços bem baixos. E o Fundo Esperança me ajudou muito mesmo, pude comprar novas mercadorias, pois estava sem dinheiro para investir em mais roupas. Agora estou tentando seguir de novo com as vendas”, pontuou a empreendedora.

Por Dayane Baía (SECOM)