Hospital Ophir Loyola alerta para cuidados que preservam a saúde vocal

O câncer de laringe é um dos alvos dos especialistas que tratam de problemas nas cordas vocais

16/04/2021 20h35 - Atualizada em 17/04/2021 02h24

O Hospital Ophir Loyola (HOL), referência em oncologia no Estado do Pará, atende atualmente 77 pacientes com câncer de laringe - 65 homens e 12 mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa para este ano é que sejam diagnosticados no Brasil 7.650 novos casos, sendo 6.470 em homens e 1.180 em mulheres. Em 2020, o Hospital sediado em Belém registrou 37 novos casos.

O câncer de laringe é um dos alvos dos especialistas quando o assunto é cuidado com as cordas vocais. Neste ano, no Dia Mundial da Voz – 16 de Abril, instituído em 2003 pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e pelo Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia, o tema central é “Sua Voz Diz Muito Sobre Você”.Para cuidar da voz é preciso estar alerta a sinais como rouquidão e dificuldade de engolir alimentos

A abordagem visa conscientizar a população sobre a importância da voz para a promoção da saúde, bem como chamar a atenção para os sinais e sintomas que favorecem o diagnóstico precoce de doenças como o câncer de laringe.

Riscos - A voz é um mecanismo fundamental para diferentes rotinas, tanto profissional quanto social. A fonoaudióloga Cláudia Martins, do Hospital Ophir Loyola, ressalta que professores são os mais atingidos por distúrbios na voz. “Eles são, efetivamente, os profissionais com o maior risco de problema na voz devido ao desgaste vocal resultante do desempenho profissional, associado à falta de cuidados necessários”, informa.

Alterações na voz são ocasionadas principalmente por infecção viral ou bacteriana na laringe e nas cordas vocais. Em muitos casos, a infecção está associada a sintomas de gripe e resfriados, podendo ser curada em poucos dias. No entanto, podem ocorrer nódulos e cistos.

A neoplasia maligna de laringe atinge tanto as pregas vocais quanto a garganta. Nesses casos, a duração da rouquidão é maior. Podem ocorrer ainda dor ao falar ou engolir e gânglios (ínguas) no pescoço. A fonoaudióloga observa que o câncer de laringe é mais frequente em fumantes. “A associação do fumo com a ingestão de bebidas alcoólicas, e a predisposição genética aumentam as chances de ocorrência da doença”, alerta.

Sinais do corpo - Entre os sinais a serem investigados por um profissional estão rouquidão, tosse, alterações no timbre da voz, pigarro (irritação na garganta), dor ou cansaço para falar. Os sintomas podem corresponder a diversos problemas, que vão depender da intensidade ou duração.

O diagnóstico é feito com laringoscopia, exame que pode ser feito pelo médico no consultório, com a coleta de fragmentos de tumor para exame do tecido. A biópsia é obrigatória antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar diversas lesões benignas que aparentam malignidade.O Hospital Ophir Loyola incentiva ações voltadas a garantir a saúde vocal

Após o diagnóstico e a determinação da fase da doença, o médico definirá qual o melhor tratamento - cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo. Em muitos casos, é preciso fazer combinações dos recursos terapêuticos.

Cuidados - Cláudia Martins recomenda cuidados para manter a voz saudável, como evitar gritar ou falar alto, não fumar, não ingerir bebidas alcoólica ou gasosa, e nem alimentos que dificultem a digestão. “É importante, ainda, não falar excessivamente durante exercícios físicos, quando gripado ou com alguma crise alérgica, assim como realizar pausas para repouso vocal durante o trabalho, beber bastante água (de preferência em temperatura ambiente) e evitar ambientes com poeira, mofo ou cheiro forte”, alerta a fonoaudióloga.

Ela também chama atenção para pacientes que foram sedados para intubação orotraqueal, que podem apresentar disfonia - dificuldade na fonação -, alteração na voz e disfagia (dificuldade no ato de engolir os alimentos). "São causados pelo uso prolongado do tubo, e podem interferir na fala, na voz e no ato de engolir”, explica. (Texto: Viviane Nogueira - Ascom/ HOL).

Por Leila Cruz (HOL)