Festival TEAlentos celebra habilidades de pessoas com espectro autista

Promovida pelo Governo do Pará, a programação terá dois dias de apresentações pela internet de música, dança, teatro, poesia e artes visuais

16/04/2021 19h41 - Atualizada em 16/04/2021 22h32

No Teatro Gasômetro, Alan Cauê durante os ensaios para sua apresentação no festival Alan Cauê Oliveira da Silva, 15 anos, toca violão e teclado, e também canta desde os 11 anos de idade, quando seus primeiros fãs eram somente a avó e os frequentadores da igreja que frequenta. Na tarde desta sexta-feira (16), durante o primeiro ensaio do recém-criado Festival TEAlentos, no Teatro Estação Gasômetro, no Parque da Residência, em Belém, o adolescente mostrou desenvoltura tocando clássicos do brega paraense e dos Beatles.

As apresentações de Alan Cauê e de outros 30 participantes com o espectro autista estão marcadas para os dias 17 e 18, sábado e domingo, com transmissão ao vivo pelo canal no YouTube do Governo do Pará (https://www.youtube.com/channel/UCH5UGma6GF1zbrBRqi8Aifw), a partir das 16 h, dentro do I Festival Paraense de TEAlentos, criado pela Coordenação Estadual das Políticas para o Autismo (Cepa), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), por meio da Fundação Carlos Gomes (FCG) e Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).A música é uma das cinco manifestações artísticas presentes na programação

"É maravilhoso participar de um evento como esse, com tantas outras pessoas mostrando seus talentos. É muito legal ter a chance de mostrar o que a gente sabe fazer, os hobbies de cada um. É uma forma de valorizar não só quem vai se apresentar, mas todos os autistas", disse Alan Cauê. "Até que eu estou calmo, mesmo nos ensaios, porque vou participar de um evento maravilhoso, e me sinto feliz por isso", acrescentou.

Talentos e competências – O I TEAlentos pretende superar qualquer estigma de limitação ao enaltecer talentos, capacidades e competências da pessoa com espectro autista, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade desse acolhimento para sua socialização.A coordenadora Nayara Barbalho convida a população a se emocionar com o TEAlentos

A programação prevê 31 apresentações, sendo 17 presenciais e 14 virtuais. Não será uma competição e nem haverá votação, mas sim um momento de contemplação de talentos. Os participantes se inscreveram e foram selecionados por uma comissão. Durante o ensaio da tarde desta sexta-feira, pais, acompanhantes e até organizadores tiveram dificuldades em segurar a emoção a cada apresentação.

"As expectativas são enormes, não só dos selecionados, mas dos familiares e do público em geral. É uma iniciativa muito importante para que a gente possa valorizar, empoderar, mostrar ao mundo as habilidades daqueles que passaram tanto tempo acostumados a ser destacados pelas dificuldades. Este festival vai mostrar os incríveis talentos que as pessoas com autismo são capazes de desenvolver", destacou Nayara Barbalho, coordenadora estadual de Políticas Públicas para o Autismo.

Expectativa – A programação apresentará cinco habilidades artísticas: música, dança, teatro, poesia e artes visuais. Entretanto, próximas edições podem incluir esportes, por exemplo. "Acredito que esse evento entrará no calendário do Estado, e também poderá provocar mudanças em outros, porque tivemos inscrições de outras cidades do Brasil, mas que não pudemos aceitar porque priorizamos os talentos locais", informou a coordenadora.

O cenário de pandemia de Covid-19 foi decisivo para definir o formato da programação. "As apresentações presenciais são realizadas em horários agendados, para que não haja encontros entre os participantes, e todos poderão assistir pela internet. A gente convida os espectadores para ser emocionarem com a gente", ressaltou Nayara Barbalho.Richard e Rose Mary Pires: mãe e filho ansiosos pela participação no festival recém-criado pelo governo

Reconhecimento - Professora de Educação Especial, Rose Mary Pires acompanha o filho, Richard, 14 anos, que escolheu declamar poemas de Fernando Pessoa no TEAlentos. "Foi uma surpresa o convite. É um presente, a realização de um sonho a gente poder representar uma comunidade autista, que é cada vez maior e nunca havia sido vista, reconhecida, não só pelo governo. Isso aqui representa muita coisa que nunca aconteceu antes", disse a educadora, muito emocionada. "Ela é minha instrutora e está me ajudando. A esperança é de que dê tudo certo e que seja muito bom", declarou Richard.

Rafael Calvinho usa a arte com o filho de 5 anos para aliviar a pressão do isolamento social na pandemiaRafael Calvinho, 36 anos, trabalha há pouco tempo com artes visuais e vai mostrar algumas de suas criações, que datam do início da pandemia. Ele e o filho, de 5 anos, têm autismo, e usaram essa forma de expressão como um meio de aliviar a ansiedade e as inquietações durante o isolamento social.

"Foi uma forma também de mostrar a ele (filho) figuras, imagens e entretê-lo com isso. Embora não seja a minha profissão, as artes visuais sempre foram uma válvula de escape pra mim; o desenho, as histórias. Estou me reencontrando com essa dinâmica", contou. "Espero levar, além das mensagens que busco mostrar, que o autismo não é limitador de talentos. A pessoa só precisa de um direcionamento, com cuidado e liberdade, para desenvolver suas habilidades", ressaltou.

Serviço: I Festival Paraense de TEAlentos. Dias 17 e 18 de abril de 2021, das 16 às 18 h. Transmissão pelo https://www.youtube.com/channel/UCH5UGma6GF1zbrBRqi8Aifw

Por Carol Menezes (SECOM)