Ucuúba é destaque em publicação internacional por tolerância ao metal pesado Cádmio

A espécie encontra-se em unidades estaduais de conservação coordenadas pelo Ideflor-Bio

29/03/2021 12h24 - Atualizada em 29/03/2021 12h49

Exemplar da Ucuúba estudada por ter mecanismos bioquímicos capazes de purificar ambientes contaminados por concentração de metalA Virola surinamensis, conhecida como Ucuúba, é uma das espécies da flora ameaçada de extinção e ganhou destaque em revista científica internacional pela capacidade de suportar alta concentração de metal no solo, cádmio, muito utilizado em aparelhos eletrônicos. A espécie é encontrada nas unidades de conservação do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-bio).

Biólogo do Ideflor-Bio, doutor Waldemar Júnior é um dos autores do artigo científico publicado no dia 24 deste mês de março, O estudo reforça o potencial de fitorremediacao da planta (processo que utiliza plantas como agentes de purificação de ambientes contaminados ou poluídos pelo depósito de substâncias inorgânicas), um dos resultados encontrados pelos mesmos pesquisadores em um artigo produzido em 2019, e o estudo ainda descobriu possíveis mecanismos bioquímicos utilizados pela espécie para tolerar o estresse ao metal.

“Em área de minerações e lixões, por exemplo, nós temos uma alta concentração de metais, como o cádmio. Mesmo que as áreas deixem de ser exploradas, o metal não desaparece sozinho desses ambientes. Daí a importância da Ucuúba para a recuperação dessas áreas degradadas, já que demonstra alta propriedade de absorção do metal do solo”, explica o pesquisador. 

O biólogo do Ideflor-Bio, doutor Waldemar Júnior, estuda a ucuúbaO biólogo reforça que o experimento foi feito em casas-de-vegetação (laboratório) e novos estudos realizarão o plantio da espécie em áreas deterioradas que contenham metal, para ver como será o comportamento em campo. “O nosso intuito é que elas sejam, em um futuro próximo, elemento de recuperação das áreas degradáveis, o que reforça a necessidade de fortalecimento da manutenção dessas espécies”, ressalta o pesquisador Waldemar Júnior. 

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

O Ideflor-Bio faz a gestão de 26 Unidades de Conservação (UCs) Estaduais do Pará, com foco na preservação e conservação dos recursos naturais, além do resguardo de espécies com algum nível de ameaça, como a Ucuúba. 

A presidente do Instituto, Karla Bengtson, afirma que, além de reforçar a importância dos recursos naturais das Unidades de Conservação do Estado, a citada pesquisa é indispensável para o embasamento científico que subsidiam tomadas de decisões. 

“Os resultados servem para que possamos tomar medidas de manejo da espécie, seja na Área de Proteção Ambiental (APA Belém), no Parque do Utinga ou no Refúgio de Vida Silvestre (REVIS), onde essa espécie é encontrada, bem como de respaldo para adoção de posturas para impedimento dos agravos provocados aos recursos naturais. No caso da Ucuúba, sabemos que é muito perseguida por seu valor econômico, o que reforça também a necessidade de fortalecer a educação ambiental da sociedade”, afirmou a presidente. 

A diretora de Gestão e Monitoramento de Unidade de Conservação do Ideflor-Bio, Socorro Almeida, afirma que “esta pesquisa, reconhecida internacionalmente, valoriza os nossos recursos naturais e demonstra ainda mais a importância da produção científica para que nós possamos fazer o manejo adequado das UCs, preservando assim os recursos naturais, objeto da nossa proteção”.A ucuúba tem propriedades medicinais para várias doenças

VIROLA SURINAMENSIS (UCUÚBA)

A planta é uma espécie florestal de relevante potencial socioeconômico, ecológico, ambiental e medicinal. Sua madeira é amplamente empregada na construção, carpintaria, marcenaria, fabricação de caixas, palitos de fósforo, laminados, compensados, celulose e papel. 

A resina da casca do caule e as folhas são usadas na medicina popular para o tratamento de erisipelas, cólicas, dispepsia, processos inflamatórios, úlceras, gastrite, câncer, reumatismo, artrite e na prevenção da picada do mosquito da malária pelos indígenas na Amazônia. Além disso, há também a comercialização do óleo rico em lipídios, conhecido como "sebo de ucuúba" extraído das sementes e usado na fabricação de sabões, velas, cosméticos e perfumes. A planta ainda fornece abundante quantidade de frutos para aves e outros animais silvestres.

Por Giovanna Abreu (SECOM)