Mangal das Garças recebe pássaros resgatados em Barcarena

Até espécie não originária da região foi encontrada em gaiola em uma residência por policiais civis e equipe da secretaria ambiental do município

26/03/2021 19h09 - Atualizada em 27/03/2021 01h55

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças, um dos espaços ambientais e turísticos mantidos pelo Governo do Pará, recebeu nesta semana várias espécies de pássaros (da ordem Passeriformes), resgatados por profissionais da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Barcarena (Semade), na região do Baixo Tocantins. Dentre as espécies apreendidas em operação da Polícia Civil estão coleirinho (Sporophila caerulescens), curió (Oryzoborus angolensis), trinca-ferro verdadeiro (Saltator similis), graúna (Gnorimopsar chopi), japim-soldado (Cacicus chrysopterus), além de uma espécie atípica da região, o canário (Serinus canaria), natural do Arquipélago dos Açores e nas ilhas da Madeira e Canárias.Os pássaros resgatados em Barcarena estão recebendo cuidados no Mangal das Garças

Policias civis lotados em Barcarena encontraram diversas gaiolas em uma residência. “Cerca de 20 pássaros foram resgatados, alguns machucados, incluindo uma ave não típica da região, a qual infelizmente, por critérios técnicos, não poderá ser solta na natureza”, contou Keise Pinheiro, diretora de Proteção Ambiental da Semade. 

Gestores da Secretaria Municipal entraram em contato com a direção do Mangal das Garças para avaliar a possibilidade de deixar as aves temporariamente no espaço. “Os pássaros estão em quarentena em suas respectivas gaiolas, por uma questão de adaptação. Realizamos exames clínicos e vermifugação. Somente após 30 dias, e passados alguns procedimentos de laboratório, é que poderemos, de fato, incluir as aves no espaço”, explicou Camilo González, veterinário do Mangal.

Educação ambiental - A inserção desses pássaros no Parque Zoobotânico é uma oportunidade de incentivo à educação ambiental, uma vez que as espécies costumam ser traficadas para domesticação.

Basílio Guerreiro, biólogo do Mangal das Garças, disse que, dependendo do grau de domesticação dos animais - do nível de adaptação aos cuidados humanos -, há possibilidade de liberá-los na natureza, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

“É importante deixar claro que o Mangal das Garças não tem autonomia para receber animais de pessoas físicas. Porém, com a autorização da Semas, nós podemos recebê-los para que o espaço seja um lar temporário”, acrescentou Basílio Guerreiro. 

Após o devido período de observação e exames, os pássaros que precisarem ficar no Mangal das Garças serão inseridos no Viveiro das Aningas e na Reserva José Márcio Ayres, o borboletário. (Texto: Gabriel Nascimento).

Serviço: Parque Zoobotânico Mangal das Garças, administrado pela Organização Social Pará 2000, está com o funcionamento suspenso para o público externo até o término do lockdown, previsto para o próximo dia 29 de março.

Por Beatriz Pastana (Pará 2000)