Ideflor-Bio envia expedição a Bragança em apoio à criação de Unidade de Conservação municipal

Objetivo dos técnicos de gestão em biodiversidade foi fazer o levantamento da flora, da fauna e dos solos das ilhas do Canela e do Chaú

26/03/2021 13h43 - Atualizada em 26/03/2021 15h39

Equipe técnica do Ideflor-Bio em pesquisas na ilha Chaú, no rio Caeté, no município de Bragança, região do nordeste estadualO Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) apoia o esforço do município de Bragança, na região nordeste do Pará, para fazer a recategorização da Ilha do Canela e a criação de uma Unidade de Conservação (UC) municipal, na qual a comunidade possa valorizar ainda mais o patrimônio natural e cultural da região.

A Diretoria de Gestão da Biodiversidade do Ideflor enviou equipe técnica a Bragança, com o objetivo de estudar a ilha Chaú, no rio Caeté, para criar uma UC e propor a recategorização, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) na ilha oceânica Canela, juntamente com a Secretaria de Meio Ambiente de Bragança.

Os técnicos em gestão ambiental, fizeram os levantamentos da flora, da fauna e da vegetação; dos solos e topografia; assim como observações das ocupações humanas nas áreas propostas. Além disso, fizeram reuniões com os pesquisadores das instituições de ensino e pesquisas do Instituto Federal da Pará (IFPA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Diretor de Biodiversidade , Crisomar Lobato ressalta que o rio Caeté atravessa a sede do município de Bragança e deságua no oceano Atlântico. Na economia, destaca-se a pesca, a agricultura e o turismo, sendo conhecida regionalmente pela culinária e paisagens únicas. As principais formações de vegetação são os manguezais, restingas e campos salinos. Mas apresenta também extensa vegetação de várzea e mata celular ao longo do rio Caeté, que enche periodicamente pela ação das marés e pelo período chuvoso.                                                                                                                                                        

EXTRATIVISMO

As áreas visitadas pelo técnicos do Ideflor-Bio e da Semma de Bragança foram a Ilha Canela, no oceano Atlântico, um santuário ecológico de um dos maiores ninhais de guarás (Eudocimus ruber) conhecidos, reconhecida pela lei municipal nº 3.280/1997 como “Área de Proteção e Preservação Ambiental Permanente (Ilha do Canela)”; a Ilha do Chaú, localizada próximo das comunidades de Chaú e Portinho do Chaú, com extensa área inundável pelo rio Caeté e muito utilizada para o extrativismo de produtos da floresta. Foi visitada, também, a área da antiga Escola Agrícola, atualmente no campus do IFPA/Bragança e terrenos municipais, que contém nascentes de importantes igarapés de uso e lazer de populações da Bragança.

Segundo a bióloga Nívia Pereira foram aplicados questionários etnobiológicos e transmitidas informações às comunidades locais sobre o objetivo do trabalho para a proposição de recategorização da Ilha do Canela, a criação de UC municipal na ilha do Chaú e a proteção das nascentes e igarapés relevantes para município. 

De acordo com a bióloga Hanóica Cáceres, foram registradas espécies características de áreas de restingas, manguezais, várzeas e matas ciliares, como as aves guarás e várias espécies de garças; os mamíferos mucuras, preguiças, macacos e pequenos roedores; os répteis de diversas espécies de serpentes, lagartos e quelônios, e os peixes meros, corvina e diversos bagres. Foram observadas vegetação de grande porte, típica de florestas inundáveis de várzea e formações de restingas, como dunas e campos, além das grandes formações de manguezais, onde se destaca a espécie mangue vermelho Rhizophora mangle, na Ilha do Canela, e a cortiça Pterocarpus sp, na Ilha do Chaú.

PRESERVAÇÃO

A engenheira agrônoma Rosigrêde Silva explica que a preservação das áreas levantadas são importantes para manter as paisagens naturais, a biodiversidade e a manutenção dos serviços ecossistêmicos, assim como inserir em bases sustentáveis o uso dos produtos, seja do extrativismo vegetal ou pesqueiro, preferencialmente no entorno, garantindo a manutenção de áreas de refúgios para a reprodução dos estoques naturais na região. 

Leonardo Magalhães, biólogo, conta que o apoio às atividades humanas de baixo impacto ao ecoturismo, a educação ambiental e a pesquisa científica são importantes para manter os ambientes naturais, beneficiando as comunidades locais.

A presidente do Ideflor -Bio, Karla Bengtson, diz que o governo do Pará apoia as medidas e o esforço que o município de Bragança faz para recategorizar a Ilha do Canela e criar uma Unidade de Conservação municipal, onde o povo valorize ainda mais o seu patrimônio natural e cultural.

Por Patricia Madrini (IDEFLOR-BIO)