Produtores do queijo do Marajó assistidos pela Emater comemoram Identificação Geográfica

A identificação geográfica é um reconhecimento de que o produto é proveniente de uma determinada área e o distingue dos seus concorrentes

25/03/2021 13h47 - Atualizada em 25/03/2021 14h15

A conquista da Identificação Geográfica pelo queijo do Marajó representa a boa reputação do produto, exemplo, de prática tradicional O queijo do Marajó, iguaria apreciada e premiada nacional e internacionalmente, recebeu, recentemente, o registro de Identificação Geográfica (IG), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Fórum Técnico de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas do Estado do Pará, integrado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), apoiou o processo, via articulação, divulgação e visibilidade do produto marajoara. A IG é uma importante conquista para os produtores de queijo marajoara assistidos pela Emater na região. 

A Identificação Geográfica (IG) permite delimitar uma área geográfica, restringindo o uso do nome aos produtores e prestadores de serviços da região - em geral, organizados em entidades representativas, que no caso do queijo, em questão, é a Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQ).

“(A IG) muda a vida dos produtores que vivem dessa atividade e passam a agregar o valor justo de um produto único; sem falar que o Arquipélago do Marajó passa a ser um destino cada vez mais procurado, por suas belezas naturais e pela gastronomia", afirmou a vice-presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQ), Bruna Silva.

Há 12 anos, Bruna Silva, mais conhecida como “Bruna Peua” por causa da marca de queijo da famíla, conta com a assistência técnica da Emater. Ela está satisfeita com o recebimento da IG. "Também, muda no cenário do campo, a partir do momento que várias famílias passam a entender a importância do seu papel e de permanecer produzindo e vivendo de maneira econômica e socialmente justa”, enfatizou Bruna Peua.

Alimentação Escolar

Com a IG, produtores de queijo do Marajó terão mais oportunidades para comercializar o produto para escolas municipais, por meio Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), já que o registro certifica um produto, que já é referência para a merenda escolar. 

Em Soure, por exemplo, a Emater atende, diretamente, sete produtores de queijo. O preço pago é competitivo em relação ao mercado convencional e garante renda sem a dependência da flutuação do movimento de turistas no arquipélago marajoara, pois que os turistas são os principais compradores.

A Associação dos Agricultores Familiares dos Campos do Marajó (AAFCAM), atualmente com 52 associados, também comercializa pelo Pnae. A Associação foi constituída no começo de 2019, sob a orientação da Emater.

O chefe do escritório local da Emater em Soure, Fernando Moura, explica que a Emater auxilia constantemente empreendedores e pequenos produtores de queijo da região. A orientação é detalhada, e visa à organização social das atividades e, consequentemente, a qualidade do produto. 

“Foi um trabalho intensivo, que resultou em uma importante conquista para o queijo do Marajó. Trabalhamos para garantir o produto no cardápio da merenda escolar de Soure. Agora, com o (registro da) IG, mais um passo importante foi dado. O nosso trabalho como assistência técnica não é só de preparação, mas também de articulação. Nós tiramos as dúvidas, mostramos ao produtor o que é necessário para ele se certificar junto aos órgãos responsáveis”, disse Fernando Moura, chefe do escritório da Emater em Soure.

O Fórum Técnico de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas do Estado do Pará é formado por 32 instituições-membro, entre elas, o Governo do Estado, e enquanto órgãos estaduais, a Emater e a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará); e as secretarias de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap); de Turismo (Setur).

Orientação

Desde 2019, a Emater reforçou as visitas técnicas às queijarias e propriedades de pecuária bubalina leiteira de municípios marajoaras como Cachoeira do Arari, Salvaterra, Ponta de Pedras, Muaná, Soure, entre outros, proferindo palestras e aplicando check-lists. O objetivo é identificar a realidade das cadeias produtivas principais e de orientar ajustes sanitários e de manejo dos rebanhos. 

Para o supervisor regional da Emater nas Ilhas, que jurisdiciona parte do Arquipélago do Marajó, o zootecnista Ricardo Barata, mestre em Saúde e Produção Animal na Amazônia, o (registro da) IG é um processo revolucionário de valorização e incentivo à produção do queijo do Marajó.

“Vai proporcionar a diferenciação entre produtos e serviços, melhorando o acesso ao mercado local, além de fomentar o desenvolvimento regional, surtindo efeitos positivos para produtores locais e o consumidor final”, pontuou o supervisor regional.

Por Rodrigo Reis (EMATER)