Bons hábitos de higiene afastam risco de câncer na boca

Cirurgião-dentista do Hospital Ophir Loyola alerta para cuidados redobrados por pacientes oncológicos

20/03/2021 16h52 - Atualizada em 20/03/2021 20h52

“Tenha orgulho da sua boca”. Esse é o tema do Dia Mundial da Saúde Bucal celebrado neste sábado (20). A data foi criada pela Federação Dentária Internacional (FDI) para incentivar a população a ter bons hábitos de higiene bucal e ir a cada seis meses ao dentista, para garantir a saúde e o bem-estar geral.

A higiene bucal inadequada pode aumentar até quatro vezes as chances de desenvolvimento do câncer de boca, segundo estudo promovido pela Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de São Paulo (USP). Isso ocorre porque a má higiene bucal contribui para o surgimento de inflamações que produzem substâncias nocivas ao organismo, como a nitrosamina, além de criar um ambiente favorável ao surgimento dos tumores.Bons hábitos de higiene e consultas periódicas ao dentista ajudam a manter a saúde bucal

O número de novos casos de câncer da cavidade oral esperados para o Brasil, até o final deste ano, será de 11.200 em homens e 4.010 em mulheres, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. A FDI estima que mais de 90% da população mundial sofrerão alguma forma de doença bucal no decorrer da vida. Os problemas mais comuns são cáries, doenças periodontais e, na forma mais grave, câncer de boca. A maioria dessas complicações pode ser tratada ou prevenida com cuidados diários.

Tumor maligno - Mais comum em homens acima de 40 anos, o câncer da boca ou de cavidade oral é um tumor maligno que afeta lábios e estruturas da boca, como gengivas, bochechas, palato (céu da boca), língua (principalmente as bordas) e a região sublingual.

O cirurgião-dentista do Hospital Ophir Loyola, Márcio Nascimento, explica que a cavidade oral desempenha diversas funções no organismo, e tem um papel importante na fala, no sorriso, na mastigação, na respiração e na deglutição, assim como transmite uma série de emoções pelas expressões faciais com confiança, sem desconforto e dor. 

“A cárie e as doenças que afetam a gengiva e o osso, chamadas de periodontais, causam inflamações, sangramentos e até a perda do dente. É preciso entender que essas doenças são infecciosas, comuns nos seres humanos, e precisam ser controladas. Esse controle é feito pela correta higienização dos dentes, da gengiva e da língua. Depois dos intestinos, a boca é a cavidade com o maior número de bactérias”, alerta Márcio Nascimento.

Complicações - A correta higienização bucal também é primordial durante o tratamento oncológico. A quimioterapia e a radioterapia atingem os tecidos e enfraquecem as estruturas dos dentes, favorecendo o desenvolvimento de cáries. “Ocorrem ainda outras complicações, como a mucosite, um processo inflamatório doloroso que afeta a mucosa oral, e a xerostomia, conhecida como boca seca. Além da escovação normal depois da alimentação, o uso de fio dental é de extrema importância, assim como idas regulares ao dentista para limpezas e avaliações”, destaca o cirurgião-dentista. Escovar e usar fio dental contribuem para o bem-estar da cavidade oral

Segundo ele, as doenças da boca também têm relação direta com fumo, consumo de álcool e má alimentação. “Alguns cuidados ajudam a melhorar a saúde da boca, como ingerir menos açúcar, usar limpador de língua e ajustar bem as próteses dentárias. O uso de aparelhos ortodônticos deve ser suspenso durante o tratamento oncológico para evitar sangramentos e possíveis infecções. Somente após dois anos de remissão pode ser utilizado novamente”, recomenda o especialista.

Pacientes oncológicos devem passar primeiramente pelo dentista antes de começar o tratamento contra o câncer. Durante a avaliação, o cirurgião-dentista identificará a presença de cáries e lesões que precisam ser tratadas antes da terapia. “A boca tem um importante papel na qualidade de vida e uma estreita relação com as doenças sistêmicas do paciente. Por isso, a importância em visitar o cirurgião-dentista, periodicamente, independente de ter câncer ou não”, reitera Márcio Nascimento. (Texto: Viviane Nogueira - Ascom/HOL).

Por Leila Cruz (HOL)