Pará registra saldo positivo na geração de empregos formais voltados ao público feminino

Estado fechou 2020 com aproximadamente 8 mil postos de trabalhos ocupados por mulheres

09/03/2021 11h13 - Atualizada em 09/03/2021 14h38

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Pará celebra também saldo positivo na geração de empregos formais voltados ao público feminino. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado na semana passada, aponta que o Estado fechou o ano de 2020 com aproximadamente 8 mil postos de trabalhos formais ocupados por mulheres, alcançando o melhor resultado entre os estados da Região Norte.

O estudo é elaborado em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), baseado em dados do Ministério da Economia, segundo o novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Segundo o Dieese, o Pará foi o estado que apresentou o maior percentual de inserção de mulheres no mercado de trabalho. Em toda a Região Norte, foram realizadas, entre janeiro e dezembro de 2020, 218.308 admissões formais femininas, contra 203.579 desligamentos, o que gerou um saldo positivo de 14.729 postos de trabalhos voltados a este público. Desse total, cerca de 52,2% foram obtidos no estado do Pará.

O técnico e pesquisador do Dieese, Everson Costa, explica que, mesmo diante das dificuldades ocasionadas pela pandemia, o Pará conseguiu encerrar o ano de 2020 com destaques significativos, entre eles, a geração de postos de trabalhos voltados ao público feminino.

“Embora ainda estejamos um pouco distantes no sentido de equidade entre homens e mulheres, o resultado apresentado sinaliza que a mulher tem conquistado seu espaço e se destacado em diversos setores econômicos, seja na construção civil, na indústria, no comércio ou no setor de serviço. É possível perceber que a mulher tem buscado mais oportunidades de qualificação, mais tempo de estudo, o que dá acesso a inúmeras possibilidades mercadológicas”, destaca.

O Governo do Pará tem estabelecido uma rotina de retorno da economia, mantida através do direcionamento de atividades essenciais. Mediante esse processo de retomada, a Seaster tem potencializado os 31 postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e atuado, diariamente, com o encaminhamento de trabalhadores à ofertas de emprego.

Depois de um ano sem trabalho, Márcia Luzia conseguiu uma oportunidade através do SineMarcia Luzia tem 44 anos e estava desempregada há um ano. Ela conta que foi até um posto do Sine atualizar o seu cadastro e, através do atendimento, teve acesso a novas oportunidades. “Já conhecia o serviço, já fui admitida por duas empresas através da intermediação do Sine. Eles realizam um trabalho muito importante. Como já estava há um ano fora do mercado, fui até um posto atualizar o cadastro e acessar o banco de vagas. Em menos de um mês, recebi a ligação para participar de uma entrevista em uma empresa de telefonia móvel. Lá o trabalho é desafiador, tudo é novidade, mas tenho aprendido bastante e seguido em frente”, conta.

A história da mulher no mercado de trabalho foi escrita ao longo dos séculos, marcada por luta e resistência. Mesmo diante de um cenário desigual, o protagonismo feminino tem sido pauta no mundo inteiro, e esse processo de empoderamento também tem possibilitado a conquista de novos espaços.

Maria Evaneide Pantoja, diretora de Administração e Finanças da Seaster, reforça que a participação das mulheres no mercado vai além da equidade, é algo fundamental para o desenvolvimento da sociedade e a expansão da economia mundial.

“A nós, mulheres, restam muitos desafios, sobretudo neste tempo de pandemia. A dupla ou até mesmo tripla jornada de trabalho e a baixa escolaridade fazem com que muitas se limitem a cargos e funções com menores salários. Entretanto, apesar desse contexto desigual, a atuação do público feminino tem sido pauta global: em uma conferência do G20, metas foram estabelecidas para que, até 2025, a desigualdade de gêneros nas maiores economias do mundo diminua. Isso trará um aumento em milhões para a economia mundial e, não por menos, tem sido tema entre grandes potências que já entendem que, para que as metas sejam alcançadas, é preciso investir em educação e na qualificação de mulheres. Deixo aqui minha gratidão àquelas que lutam dia a dia, que ofertam serviços mais humanizados e assim fazem deste mundo um lugar melhor para se viver”, destaca a diretora.

Por Camila Santos (SEASTER)