Ophir Loyola alerta para adoção de medidas preventivas contra o câncer

26/11/2020 16h17 - Atualizada em 26/11/2020 17h27
Por Leila Cruz (HOL)

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que haverá 7.590 casos novos de câncer no Pará até o final deste ano, sem contabilizar os 1.660 casos de pele não melanoma, tipo mais incidente, conforme dados publicado na Incidência de Câncer no Brasil pelo Instituto. O documento considera sexo, a localização primária e as taxas brutas de incidência para cada 100 mil habitantes e aponta que, do total de casos esperados, sem contar os casos de câncer de pele não melanoma, 3.740 ocorrerão em homens e 3.850 em mulheres paraenses. 

Os tipos mais frequentes no sexo masculino serão os de próstata (930), estômago (560) e traqueia, brônquio e pulmão (340). Nas mulheres, os cânceres de mama (780), colo do útero (780) e câncer de estômago (300) estão entre os principais. E neste Dia Nacional de Combate à Câncer, celebrado nesta sexta-feira (27), o Hospital Ophir Loyola, referência estadual em oncologia, alerta que a adoção de medidas preventivas a serem tomadas pela população, ajudaria a reduzir sensivelmente a incidência da doença, já que a maioria dos cânceres está associada a exposições ambientais e ao estilo de vida.

Danielle FeioA coordenadora da Oncologia Clínica do HOL, Danielle Feio, explica que os cancros de mama e próstata ocupam o primeiro lugar no Brasil, portanto não estão relacionados especificamente com fator de risco associado à região.  E destaca que as neoplasias do colo uterino, estômago e pulmão estão associados a fatores comportamentais, como sexo sem preservativo, alimentação e o tabagismo que está relacionado a 90% dos casos dos cânceres de pulmão, respectivamente.

Em relação ao câncer gástrico, os alimentos que não vão à geladeira, que são salgados ou mal conservados, as más condições sanitárias e, em especial, a bactéria Helicobacter pylori, principal causadora das úlceras e tumores do estômago, favorecem a grande incidência. O câncer de colo uterino na região Norte tem taxas semelhantes à África, apesar de existir uma vacina eficiente e gratuita, a adesão é baixíssima. A melhor faixa etária para a imunização é na pré-adolescência (entre 9 e 13 anos). Cerca de 80% das mulheres e 50% dos homens terão contato com o papilomavírus humano (HPV) em algum momento da vida.

Danielle Feio destaca que medidas efetivas de prevenção primária e secundária podem reduzir substancialmente o número de casos novos e prevenir muitos óbitos. “A Organização Pan-Americana de Saúde aponta que cerca de um terço das mortes por câncer ocorre devido aos cinco principais riscos comportamentais e alimentares, como o alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e tabaco. Quando adotamos uma vida saudável, estamos diretamente ajudando a combater a doença”, esclarece.

Ela indica a prática de atividades físicas, manutenção do peso adequado para idade e biótipo, não fumar, evitar bebidas alcoólicas em excesso, vacinação contra hepatite B e HPV e a visita ao médico regularmente. “Adotando hábitos saudáveis, o indivíduo reduz em 30% a incidência de câncer. São medidas de prevenção adotadas inclusive para doenças crônicas como diabetes e pressão alta”, orienta.

O fator hereditário também está presente, existem dois tipos frequentes de cânceres: os esporádicos responsáveis por 90% dos casos e os hereditários que correspondem a 10% dos casos. “No caso de algum familiar ser notificado, deve-se considerar a idade, os fatores de risco associados para que seja traçado um perfil da família. Muitas das vezes são casos em que não há hereditariedade. A partir daí, o especialista pode acompanhar e aconselhar o indivíduo com câncer”, explica a oncologista.

A Organização Mundial da Saúde estima que os casos de câncer devam aumentar  em mais de 81% nos países em desenvolvimento até 2040. A principal causa seria a falta de recursos destinados à prevenção. Muitos casos poderiam ser curados se diagnosticados precocemente, o potencial de cura em estágios iniciais é enorme, porém a realidade de pacientes com tumores localmente avançados e metastáticos ainda é muito frequente em nossa região, segundo a Oncologista Danielle Feio.

“Para modificar este panorama, é necessário fazer um diagnóstico precoce, além de diminuir a exposição aos fatores de risco, melhorar as condições sanitárias, manter uma dieta saudável e colocar em prática as medidas educativas de combate à doença. Por isso, a importância de campanhas educativas e do acesso a exames e serviços diagnósticos”, destaca.

Prevenção, Diagnóstico e Tratamento Ganham Reforço no Estado

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), por meio da Coordenação estadual de Oncologia, conduz a organização e operacionalização da Rede e do Plano Estadual de Atenção Oncológica do Pará, com o objetivo de melhorar a qualidade e a resolutividade da assistência oncológica, para diminuir a morbimortalidade por câncer no Estado.

Atualmente, a Rede Estadual de Alta Complexidade em Oncologia é composta por cinco (5) estabelecimentos, sendo um (1) Centro de Assistência Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do HOL, referência para todos os tipos de câncer, de todas as Regiões de Saúde do Pará e quatro (4) unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia – Unacon’s.

São elas, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo para atender, exclusivamente, crianças e adolescentes de 0 a 19 anos incompletos; Hospital Universitário João de Barros Barreto; Hospital Regional do Baixo Amazonas e Hospital Regional de Tucuruí. Para 2021, está prevista a implantação da Unacon no Hospital regional de Castanhal e, posteriormente, a Unacon em Marabá e Parauapebas.

O Protocolo de Acesso à Rede de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia do Estado do Pará foi aprovado na Resolução CIB No. 128 de 18/11/19, visando a melhoria do acesso regulado, via SISREG e SER (Sistema estadual de regulação), às consultas especializadas e exames diagnósticos, bem como as internações clínicas e cirúrgicas em oncologia, para favorecer o diagnóstico precoce e a oferta e acesso ao tratamento oncológico de qualidade e em tempo oportuno.

Patrícia Martins da Coordenação Estadual de Oncologia afirma que a Rede de Média Complexidade em Oncologia “é composta por ações e serviços que demandem a disponibilidade de profissionais especializados, utilização de recursos tecnológicos e de apoio diagnóstico, como exames de imagem e laboratoriais, com biópsias e histopatológicos, para a oferta e realização do diagnóstico e tratamento precoce e oportuno  dos tipos de câncer mais prevalentes no estado do Pará”. 

Segundo ela, a Sespa busca fortalecer a Rede de Atenção à Mulher com ações de diagnóstico e tratamento precoce com apoio à implantação/implementação do Serviço de Referência para Diagnóstico de Câncer de Mama nos municípios polos que realizem, em um mesmo local, a diagnose das pacientes com suspeita de câncer de mama, com oferta de consulta com mastologista, ultrassom, mamografia e punção por agulha fina e agulha grossa (biópsia). E também o Serviço de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo de Útero, nos municípios polos. 

Em 2020, a Secretaria implantou as referências para o diagnóstico dos cânceres mais prevalentes no sexo masculino no Hospital Abelardo Santos (urológicos) e na Policlínica Metropolitana (gastrointestinal), que possam agregar, em um mesmo local, consultas e exames.  

“Apoiamos e realizamos ações de prevenção e controle dos tumores mais prevalentes, por meio de campanhas que visam favorecer a prevenção, detecção e diagnóstico precoce dos cânceres. Realizamos também o monitoramento dos indicadores 11 - razão de exames citopatológicos do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos e o indicador 12, razão de exames de mamografia de rastreamento realizados em mulheres de 50 a 69 anos”, afirma Patrícia Martins.

Com informações da Sespa