Curso de Enfermagem da Uepa completa 76 anos de história

Mais antigo dentre todas as graduações da universidade estadual, formação faz aniversário neste mês de novembro

20/11/2020 12h00 - Atualizada em 20/11/2020 13h16
Por Marília Jardim (UEPA)

Pioneiro em muitos aspectos, o curso de Enfermagem da Universidade do Pará (Uepa) completa 76 anos neste mês de novembro. Mais antigo dentre todas as graduações, a Escola de Enfermagem Magalhães Barata foi instituída pela enfermeira canadense Mabel Faust, que trouxe para a região Norte os moldes nightingaliano, em referência a Florence Nightingale, renomada enfermeira que fundou a primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra.

“O nome era Escola de Enfermagem do Pará, mas, por questões políticas, se tornou Escola de Enfermagem Magalhães Barata. Inicialmente, funcionava em regime de internato e foi se modificando: hoje em dia é uma faculdade de ensino misto e já temos um grande percentual de homens. Também foi um dos primeiros cursos no interior do Pará” - professora Marinalda Leite, nos componentes curriculares História da Enfermagem e Legislação da Enfermagem.

Hoje o curso de Enfermagem está presente nos campi dos municípios de Altamira, Conceição do Araguaia, Tucuruí e Santarém e em Curuçá, por meio do Forma Pará. São em torno de 500 alunos em Belém, e mais de 150 nos demais campi do Estado, que seguem o mesmo Projeto Político Pedagógico da capital. Participar do desenvolvimento do Estado, contribuir com a sociedade e formar profissionais competentes e éticos são as principais demandas da Escola de Enfermagem Magalhães Baratas, que contribui, há mais de sete décadas, com a realidade paraense e amazônica, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão.

As professoras Margarete Boulhosa e Marinalda Leite, e os alunos Williame Ricardo A continuidade dos estudos de Enfermagem também se estendem à pós-graduação. “A Universidade tem outros caminhos porque já temos especializações, mestrado e residência. Em termos de ensino da continuidade, nós já temos uma história”, analisa a professora Margarete Boulhosa, que atua na área de conhecimento da Saúde Coletiva e Saúde Pública. Ela também enfatiza: “nós queremos essa história viva. Tudo o que aconteceu no curso desde 1944 está registrado”. As memórias estão presentes, inclusive, no Museu da Enfermagem, que funciona no Campus IV da Uepa, em Belém.

E, apesar de septuagenário, o curso de Enfermagem não deixa de se atualizar. A cada quatro anos, o Projeto Político Pedagógico é revisado e atualizado, conforme as mudanças da sociedade que refletem nas necessidades da profissão e o que se espera dos novos profissionais de saúde, como o conceito da interprofissionalidade, que é entender que o enfermeiro não atua sozinho, mas dentro de um grupo de saúde, composto por médicos, terapeutas, fisioterapeutas e demais profissionais.

Desafios

O que não mudou em mais de sete décadas de existência foi o desafio de formar o profissional de enfermagem capaz de prestar cuidados, não apenas ao paciente doente, mas também para toda a sociedade. O trabalho envolve o indivíduo, a família, a comunidade e mais recentemente os grupos e suas especificidades. A formação do enfermeiro no Pará o torna um profissional pronto para atender as particularidades da região amazônica, com grupos específicos, como os ribeirinhos, os indígenas e os quilombolas.

Para ampliar esse conhecimento, os próprios alunos se mobilizam para fortalecer o conhecimento difundido na Universidade e ampliar o ensino universitário. “Entendendo nosso Projeto Político Pedagógico, a gente montou um grupo de estudos, com alunos de diferentes semestres, para estudar o Projeto e discutir o que falta. É uma forma de empoderar o estudante e fazer dele o protagonista da educação”, comenta o aluno do quarto semestre do curso de Enfermagem, Ricardo Silva.

Além das adversidades corriqueiras do curso e da profissão, o ano de 2020 trouxe uma dificuldade muito particular: o novo coronavírus. “Essa pandemia mostrou que a gente tem jogo de cintura! Não basta ter destreza manual, a gente tem que saber lidar com as diversas situações, como a mudança do atendimento presencial para uma teleconsulta, por exemplo”, relata o aluno do nono semestre da graduação, prestes a concluir o curso, Williame Ribeiro.

Williame também destaca que, desde o começo do curso, os alunos são preparados para a atuação profissional, por meio de diversas atividades que envolvem a comunidade, mas essa percepção só é assimilada ao final da formação. “Temos a responsabilidade de devolver para a sociedade o que a gente aprende aqui dentro, porque é ela que mantém a nossa formação”, finaliza o estudante.