Editora da Imprensa Oficial do Estado incentiva escritores paraenses

28/10/2020 17h24 - Atualizada em 28/10/2020 18h48

O Dia Nacional do Livro é comemorado em 29 de outubro, em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, quando a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para a colônia, em 1810. No Pará, o incentivo à leitura e valorização da leitura é uma política do Governo estadual, conduzida pela editora Dalcídio Jurandir, da Imprensa Oficial do Estado (Ioepa).

Escritor Vince SouzaO primeiro livro de Vince Souza foi impresso em 2019 pela editora da Ioepa. “Há cinco anos fiz um documentário sobre o cenário de quadrinhos paraenses, chamado ‘VHQ, uma breve história do quadrinho paraenses’. O livro é um registro, assim como o doc, do cenário paraense. Já era uma ideia que tinha surgido ainda com poucos meses do documentário. E só foi realizado no ano passado a convite do Cássio Tavernard. A receptividade tem sido boa”, avalia Vince.

A obra foi escrita em parceria com Otoniel Oliveira. “O Otoniel entrou para ajudar na escrita. Ele é do cenário de quadrinhos paraenses e foi um dos entrevistados do documentário, inclusive. Estou entrando agora nessa área da literatura e da escrita, apesar de estar no cinema, onde escrevo roteiros. Eu também escrevo poemas, tanto que o próximo livro que eu quero lançar é de poemas com ilustrações minhas”, acrescentou o escritor.

Vince é um dos 23 escritores paraenses beneficiados com a Política Pública Literária do Estado do Pará, criada em agosto de 2019 pelo decreto assinado pelo governador Helder Barbalho. A partir de então, a Ioepa tem desenvolvido ações para incentivar a literatura estadual.  

“De lá pra cá, já lançamos 23 livros e três editais públicos para novas publicações. Um com o Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará (Uepa) que publicará oito livros originados de trabalhos acadêmicos da Universidade. Além desse, tem o edital do prêmio Dalcídio Jurandir, com 13 livros para serem publicados, que estão sendo editados e encaminhados para impressão e acabamento. Ainda temos oito livros para serem lançados pela editora”, afirmou Jorge Panzera, presidente da Ioepa.

O trabalho valoriza autores paraenses, incentiva trabalhos inéditos e pensa o Estado como um todo, privilegiando obras de todas as regiões de integração, e não apenas a região metropolitana de Belém. “Além disso, temos o Portal do Conhecimento, iniciativa que trabalha com doações de livros tanto de pessoa física quanto de empresas. As obras são catalogadas, limpas, higienizadas e organizadas em bibliotecas para centros comunitários e escolas. Trabalhamos em parceria com a Rede de Bibliotecas Comunitárias na Amazônia”, acrescentou o presidente. 

Gosto pela leitura - Vitor Roberto, de 8 anos, adora ler tudo, desde revistinhas em quadrinhos aos livros com muitas páginas, como a coleção do Harry Potter, por exemplo. Mesmo gostando de brincar com videogame, não é raro vê-lo deixar a tecnologia de lado para se deliciar com um bom livro, principalmente se tiver ilustrações. “Nós aprendemos coisas novas e o nosso conhecimento vai aumentando e também a nossa leitura”, acredita o menino.

Vitor Roberto - 8 anosEsse gosto pela leitura vem passando de geração em geração. A mãe do Vitor era colocada para dormir pelo avô com músicas e histórias. Ela exercita isso com os filhos até hoje e o menino só dorme depois de ouvir algo, mesmo que repetido há anos. E o prazer de ler se reflete em outras atividades cotidianas, como as aulas on-line, quando ele procura ser sempre o primeiro a fazer a atividade Corrente da Leitura. 

O amor pelos livros também acompanha a história de vida da doutoranda em comunicação, Lidia Rodarte. "Comecei a ler na infância, lembro de sempre ter livros em casa sobre histórias infantis. Eu era uma criança que escutava muita música e gostava muito de historinhas, gibis. Aprendi a ler cedo, mas livros de literatura infanto-juvenil eu lembro de uma viagem de férias para Recife, com o apoio de uma tia”, lembra

Lídia RodarteEm anos típicos, ela costuma ler de três a quatro livros de ficção por mês que procura revezar com as leituras acadêmicas. “Esse foi um ano atípico, no período da quarentena, que ficamos angustiados, eu li até nove livros por mês e já cheguei a 46 títulos”, conta a publicitária. 

E foi também durante a quarentena que Lídia buscou incentivar a leitura por familiares e amigos. “Eu comprava livros pela internet e mandava entregar na casa deles. Deu muito certo, eles me ligavam comentando que tinham gostado da leitura. Eu vou fazendo uma curadoria para as pessoas ao meu redor”, pondera Lídia. 

Para a leitora voraz, o hábito oportuniza o exercício da empatia ao entrar na história de outras pessoas. “Acho que me tornei uma pessoa melhor lendo. Nós abrimos os horizontes, a mente. Acabamos nos tornando pessoas mais empáticas, que conseguem viver histórias que não são só as suas. Acho que também melhoramos a nossa comunicação, pois ao ler, escrevemos e nos expressamos melhor, então isso é bom para qualquer idade”, finaliza.

Por Dayane Baía (SECOM)