Hospitais públicos no Pará implantam programa de medicina paliativa

Equipes multidisciplinares atuam no ambiente hospitalar ou domiciliar para atenuar o sofrimento causado por várias doenças

27/10/2020 18h40 - Atualizada em 28/10/2020 09h21
Por Giovanna Abreu (SECOM)

Com o objetivo de proporcionar o alívio de dores, controlar sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais em busca do bem-estar de pacientes com indicação de cuidados paliativos, hospitais do Pará contam com equipes multidisciplinares para garantir todos os cuidados necessários por meio da medicina paliativa.

“Se eu não tivesse Deus e o apoio da equipe que cuida de mim, eu não estaria mais neste plano. Eles estão sempre ao meu lado, me dando a mão para me ajudar a levantar e transmitindo toda a força que eu preciso para continuar. Somos uma família”, conta a paciente Rosemary Pereira, 63 anos, internada pela terceira vez no Hospital Ophir Loyola (HOL), em Belém. A paciente Rosemary Pereira recebendo os cuidados da enfermeira Margarida de Carvalho no Hospital Ophir Loyola

A paciente descobriu um nódulo na axila em 2019, e atualmente faz tratamentos devido à metástase e insuficiência renal crônica. O “Ophir Loyola”, unidade hospitalar referência em tratamento oncológico no Pará, dispõe de uma Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos (CCPO) desde 2001. Diariamente, uma equipe multiprofissional e interdisciplinar do HOL acompanha pacientes em internação hospitalar, atendimento ambulatorial e em visitas domiciliares.Médica Roberta Costa, coordenadora da Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos do HOL

“Os cuidados paliativos devem ser iniciados de forma mais precoce possível, ainda em tratamento curativo, para ter o melhor controle dos sintomas que vierem a surgir. Cerca de 80% dos pacientes que têm essa indicação evoluem com dor, por isso o nosso trabalho tem a intenção de oferecer mais qualidade de vida, conforto e dignidade ao paciente”, explica a médica Roberta Costa, coordenadora da Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos do HOL.Em vários hospitais, equipes multidisciplinares oferecem conforto físico e emocional aos pacientes

Atendimento domiciliar - Destinado a pacientes com indicação para cuidados paliativos, que não têm condições de se deslocar até o Hospital por estarem acamados, debilitados ou com dificuldades respiratórias, o atendimento domiciliar é garantido por uma equipe de médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogas, com apoio de nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que atuam no alívio do sofrimento.

“Nossas equipes fazem o acolhimento domiciliar, orientam, prestam cuidados e medicações orais para que o tratamento seja feito em casa”, informa a coordenadora. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Paliativismo é o cuidado ativo e total do paciente, quando a doença não responde ao tratamento de cura e não é restrita à oncologia, abrangendo também outras áreas da medicina, como cardiologia, pneumologia e infectologia. A data 10 de Outubro foi instituída como Dia Mundial dos Cuidados Paliativos.

Leidiane Soares, atendida no Hospital Ophir Loyola há quase dois mesesA paciente Leidiane Soares, internada no Hospital Ophir Loyola há quase dois meses, recebe acolhimento paliativo, após a descoberta de um câncer no colo do útero que evoluiu para metástase. A nora e cuidadora, Hellen Modesto, afirma que a sogra está respondendo positivamente aos cuidados.

“Essa doença não é fácil. Não escolhe cor, raça, idade ou gênero. Seguimos unidos e com fé Naquele lá de cima, que é o verdadeiro médico dos médicos. E só temos gratidão a todos da equipe do ‘Ophir Loyola’, que são instrumentos de Deus aqui na Terra, sempre atentos e preocupados com o bem-estar dela”, ressalta Hellen Modesto. 

Hospital de Clínicas – Em agosto, a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV) deu início à implantação da Comissão de Cuidados Paliativos. Serão realizadas capacitações, com atenção especial para a desmitificação de conceitos relacionados ao cuidado paliativo e fortalecimento de uma assistência que possa minimizar também os impactos físicos, psicológicos e espirituais em pacientes da instituição. Em breve, o HC também passará a oferecer o serviço. 

Hospital Oncológico Infantil - Há três anos, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo mantém  um setor responsável pelos cuidados paliativos, com o objetivo de oferecer alívio e prevenção da dor e outros sintomas. O atendimento é voltado aos pacientes e familiares. 

Hospital Regional do Baixo Amazonas - Em Santarém, município do oeste paraense, o Hospital Regional do Baixo Amazonas já conta com o Serviço de Cuidados Paliativos. Por meio de consultas realizadas no ambulatório, o paciente oncológico recebe cuidados paliativos e orientações. 

A unidade conta ainda com o Projeto “HRBA Na Sua Casa”, iniciativa inédita, colocada em prática durante a pandemia de Covid-19, para oferecer os cuidados a pacientes oncológicos com dificuldade de locomoção. Estes recebem cuidados em casa, por meio de uma equipe multiprofissional.