Emater deve colher mais de oito toneladas de feijão caupi em Bragança

29/09/2020 15h07 - Atualizada em 29/09/2020 15h37
Por Rodrigo Reis (EMATER)

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) deve colher, em sua Unidade Didática de Bragança (UDB) e em parceria com agricultores do município, mais de oito toneladas do feijão caupi, cujo o cultivo é uma importante fonte de proteína e também considerado a base alimentar da agricultura familiar da região bragantina. O número é bem maior do registrado em 2019, quando a produção ficou em pouco mais de duas toneladas. A parceria é administrada pela UDB há mais de 20 anos. 

A UDB trabalha diretamente com duas cultivares: manteiguinha e BR3 Tracuateua, ambos com boas características: são resistentes, rústicos, e com bom potencial produtivo. No período de plantio e acompanhamento da produção, a Emater realiza o controle fitossanitário – que é o conjunto de medidas aplicadas para evitar a propagação de pragas e doenças; além de acompanhar a evolução e o estado vegetativo e reprodutivo da variedade dos grãos. 

Para Valdeides Lima, engenheiro agrônomo da Emater e supervisor-adjunto do regional das Ilhas, a semente do feijão tem material genético de qualidade para garantir safras futuras, em novas áreas plantadas. “Isso vai proporcionar a manutenção do material genético e também garantir a sustentabilidade alimentar das famílias que estão envolvidas diretamente com o plantio e colheita da cultivar na região bragantina”, explica. 

Na modalidade parceria, alguns agricultores cedem suas terras para que a Emater realize o plantio. Deste modo, parte da produção fica com o agricultor e a outra com a empresa, que deixa a área produtiva, ou seja, com fluxo constante de produção. Somente na UDB são quatro hectares dedicados exclusivamente ao feijão caupi.

Há 40 anos trabalhando com agricultura familiar e 15 recebendo assistência técnica direta da Emater, o agricultor Antônio Costa comenta que criou identidade com o trabalho do campo, da roça. Ele foi, inclusive, beneficiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), em projeto de crédito elaborado pela Emater. 

“Sempre trabalhei na roça e não tenho do que reclamar: seja na criação de pequenos animais, na produção de farinha, açaí, e feijão caupi, me dedico integralmente porque é de onde tiro meu sustento e de minha família. Com o projeto de crédito, estruturei minha propriedade", garante. 

Na propriedade do agricultor foram plantados quase cinco hectares de feijão caupi, já colhidos. Ele explica que parte dos grãos são colhidos, tratados, e entregues a comunidade. “Minha parceria com a Emater vem de longos anos e é um trabalho que está dando certo. É uma empresa comprometida com a agricultura familiar”, explica. 

Neste ano de 2020, mais de 60 famílias foram beneficiadas com a distribuição do feijão caupi. 

O cultivar de feijão-caupi (BR3 Tracuateua) tem produtividade média de 1.400 Kg/ha em ecossistema amazônico e apresenta grãos de cor branca, grandes, reniformes e com tegumento levemente enrugado, com boa aceitação de mercado e apresenta ciclo de 65 a 75 dias. A partir das sementes diferenciadas e orientação científica, a Emater pretende recuperar índices como boa produtividade e melhores características do produto em si. Já o manteiguinha apresenta grãos de cor creme, lisos e muito miúdos. É rico em ferro e zinco, e pode ser cozido e acompanhado de cebola e tomate picados para virar salada do dia a dia. 

Referência – A Unidade de Bragança trabalha com a multiplicação de feijão caupi na região há mais de 30 anos e desenvolve, também, atividades com rebanho bovino de leite; ovinocultura; cultivo de gliricídia (para produção de tutor vivo); compostagem e produção de humus de minhoca; meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão); implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs); cultivo de pimenta-do-reino; produção de mudas; recuperação de nascente e irrigação, e produção de mandioca e macaxeira. O espaço reúne também dados meteorológicos, coletados desde 1977.