Mulheres assentadas de Água Azul do Norte recebem R$ 400 mil de crédito rural

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) elaborou os projetos no âmbito do 'Fomento Mulher', política pública do Incra

28/09/2020 12h46 - Atualizada em 28/09/2020 13h26
Por Aline Miranda (EMATER)

Por meio de projetos elaborados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), oitenta mulheres assentadas da reforma agrária de Água Azul do Norte, no sudeste do Pará, receberam, ao longo da primeira quinzena de setembro, um total de R$ 400 mil de crédito.  

O repasse de R$ 5 mil a cada agricultora foi liberado pelo Banco do Brasil (BB) no âmbito do Fomento Mulher, modalidade do Crédito Instalação, política pública do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O recurso está servindo para estruturar empreendimentos de criação de galinha caipira, criação de suínos e pecuária leiteira, entre outras atividades, em sete assentamentos: Arica, Brasília, Continental, Esperança, Jequié, Jerônimo Nunes Lacerda e Pedro Monteiro.

Agricultora do assentamento Esperança, em Água Azul do Norte, Maria Batista mostra cópia do projeto, ao lado de técnicos da EmaterMaria Françuli Batista, 38, uma das beneficiadas, é casada com Caetano Fernandes, 56, e mãe de cinco filhos: os mais velhos, Francinalva, 21, e Pedro, 20, casaram e vivem em seus domicílios com seus respectivos cônjuges; Tiago, 17, João Vitor, 13, e Davi Luiz, 5, moram com os pais no Sítio São Pedro, no assentamento Esperança.

O Sítio possui cerca de 20 hectares, onde a família cria 100 aves “caipirão” e inicia a bovinocultura de leite e piscicultura. O Fomento Mulher será investido principalmente na granja. 

“Aqui os terrenos são pequenos e o hábito é todo mundo se ajudar. Mulher e homem participam do mesmo jeito. Não nos consideramos uma comunidade machista porque as oportunidades são demais parecidas”, diz Maria Batista. 

Na perspectiva do atendimento da Emater, ações afirmativas de gênero fortalecem igualdade a mulheres  tradicionalmente subjugadas ou reféns de uma dinâmica na qual casam mais cedo, engravidam, muitas vezes, sofrem violência doméstica e costumam cumprir dupla e até tripla jornada de trabalho, com a casa, crianças e o trabalho na roça. 

“O dia a dia da assistência técnica e extensão rural (Ater) pública visa à reparação histórica de questões sociais e culturais com impacto econômico e ambiental. As assentadas contempladas já usufruem de espaço diferenciado, são mão-de-obra tão importante quanto à masculina e têm protagonismo na gestão das propriedades”, situa o chefe do escritório local da Emater em Água Azul, o técnico em agropecuária César Augusto Carneiro.

Condições como baixa escolaridade, entretanto, persistem. No município, uma das principais dificuldades na execução de ações afirmativas pela Emater, por exemplo, ainda é a falta de documentação.