Governo encerra atividades do Hospital de Campanha de Santarém

Unidade atendeu pacientes diagnosticados com a Covid-19 vindos, especialmente, da região Oeste, Baixo Amazonas, Xingu e Tapajós

27/09/2020 18h45 - Atualizada em 28/09/2020 10h03
Por Caroliny Pinho (SESPA)

O Hospital de Campanha de Santarém, montado pelo Governo do Pará no Espaço Pérola do Tapajós, encerrou as atividades neste domingo (27). Inaugurado em 22 de abril deste ano, a unidade atendeu pacientes diagnosticados com a Covid-19 vindos, especialmente, da região Oeste, Baixo Amazonas, Xingu e Tapajós. No total, o hospital realizou quase 800 atendimentos e, antes do seu encerramento, estava com uma ocupação de 8%.

“Levando em consideração a ocupação que nós estamos tendo hoje, o recente inquérito epidemiológico, além de toda a avaliação da nossa equipe técnica, nós achamos conveniente fecharmos o Hospital de Campanha de Santarém com o término do contrato, ou seja, sem a necessidade de haver um aditivo de manutenção de prazo” - Rômulo Rodovalho, titular da Sespa. 

O Hospital de Campanha de Santarém contou com 36 leitos de unidade de tratamento intensivo, 84 leitos clínicos e 10 leitos clínicos para indígenas, totalizando 120 vagas. O município possui retaguarda para atender novos pacientes de Covid-19 da região que apresentarem sintomas graves, podendo ser encaminhados para o Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, ou para o Hospital Regional do Baixo Amazonas, ambos com leitos clínicos e de UTI disponíveis.

A partir da próxima segunda-feira (28), o espaço do Hospital de Campanha de Santarém passará por um processo de desinfecção e levantamento patrimonial. “Nós vamos fazer um levantamento patrimonial de todos os equipamentos que temos hoje no hospital de campanha, dando prioridade para distribuí-los na região do Baixo Amazonas. Após essa avaliação e junto com o mapeamento das necessidades dos hospitais locais, é que nós vamos encaminhar a essas unidades o legado”, afirma Rômulo Rodovalho. 

Até na última sexta-feira (25), a Região do Baixo Amazonas computava uma redução de 63% no número de casos da doença quando comparado com a média móvel de 14 dias, passando de 35,7 caso/dia para 13,1. A queda demonstra que o trabalho da equipe do hospital de campanha foi fundamental para o controle da doença na região. 

“Estamos encerrando um ciclo, um ciclo de um hospital de campanha criado em meio a uma pandemia. Nós temos a sensação de dever cumprido, pois foram mais de 790 atendimentos e muitos pacientes curados, muitas histórias e aprendizados. Uma equipe muito comprometida de pessoas que se afastaram de suas famílias, pois muitos familiares faziam parte de grupos de risco. Esses profissionais não hesitaram e vieram enfrentar de frente esse novo inimigo”, comenta Marcelo Henrique, diretor administrativo da unidade de saúde.

O Hospital de Campanha de Santarém é o segundo a encerrar as atividades. O primeiro foi o Hospital de Campanha de Breves, localizado no arquipélago do Marajó, que encerrou no dia 31 de julho.

Emoção - Para os colaboradores, o momento foi de muita emoção e de dever cumprido após cinco meses de trabalho. "Nós assumimos essa missão de trabalhar no Hospital de Campanha e conseguimos criar toda uma história", ressaltou diretora clínica, a médica Camila Louise Teixeira.

O representante do Governo do Estado na região Oeste, Henderson Pinto falou sobre o que este dia representa. "Essa foi uma estratégia que ajudou a salvar centenas de vidas, por isso hoje o sentimento é de gratidão, primeiramente a Deus, depois ao governador Helder Barbalho que oportunizou montar toda estrutura. Quero também aqui, agradecer a todos os profissionais que atuaram no hospital, desde os médicos até os faxineiros, toda equipe que se dedicou a essa missão muito importante que é salvar vidas", destacou.

Pacientes - No final da tarde deste domingo (27), apenas nove pacientes estavam internados no hospital de Campanha e foram remanejados para o hospital Regional do Baixo Amazonas, onde foram abertos mais 20 leitos, sendo 10 de UTI e 10 leitos clínicos. 

Os municípios também trabalharão de forma conjunta, fazendo com que apenas pacientes que realmente precisem de um tratamento mais específico sejam transferidos para o Hospital Regional do Baixo Amazonas. (Com informações de Ronilma Santos - SRGBA)