Ninhos de tartarugas ganham proteção no Parque Mangal das Garças

25/09/2020 17h07 - Atualizada em 25/09/2020 17h21
Por Beatriz Pastana (Pará 2000)

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças, administrado pela Organização Social Pará 2000, além de ser um dos pontos turísticos mais visitados de Belém, realiza continuamente trabalhos de proteção e conservação da fauna e flora local. Dentre as espécies que recebem cuidados especiais no Parque estão as tartarugas-da-amazônia e os tracajás, que recentemente ganharam ninhos especiais para seus ovos.

Protegidos contra predadores, por uma contenção confeccionada a partir de bambus e telas de metal, os novos ninhos chegaram em boa hora, já que o período reprodutivo das tartarugas e tracajás ocorre de setembro a dezembro. No Mangal, a maior abundância de ovos se dá no mês de novembro, para ambas as espécies.

Visando promover mais conforto reprodutivo aos répteis, a equipe técnica do Parque, em conjunto com os tratadores de animais, foi responsável pela confecção dos ninhos. “Uma área localizada no alto de um morro foi preparada para receber os ovos. Neste local, a grama foi retirada e substituída por uma quantidade ideal de areia branca, a fim de favorecer a oviposição, que é o ato de expelir ovos”, explica Basílio Guerreiro, biólogo do Parque.

No habitat natural, as tartarugas e tracajás são ameaçados pela poluição dos rios e pela caça. Mas, mesmo em um ambiente como o Mangal das Garças, os ovos destes répteis ainda são alvo de predadores que habitam o espaço. Por isso, a equipe do Parque mantém vigilância aos ninhos, acompanhando desde o processo de oviposição e eclosão dos ovos, até a migração dos filhotes para a água.

“Eles nascem com cerca de 5 cm de comprimento e disparam em direção a água, mas essa corrida chama a atenção das garças, que os atacam no trajeto e se alimentam dos filhotes recém-nascidos. Na natureza, a taxa de sucesso no nascimento dos filhotes é de 5%. Tanto o tracajá, quanto a tartaruga-da-amazônia são espécies que estão quase ameaçadas de extinção, por isso o cuidado com estes animais é essencial”, frisa Basílio Guerreiro.

A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) é uma espécie de grande porte, considerada a maior da América do Sul. A cabeça destas tartarugas é pequena e achatada, com um casco acinzentado de formato oval no dorso. Os machos, conhecidos popularmente como capitaris, são menores do que as fêmeas. Esta espécie é comumente encontrada da Região Norte do Brasil e em países como Guianas, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia e Venezuela.

O tracajá (Podocnemis unifilis) é um parente da tartaruga-da-amazônia, sendo ambos do mesmo gênero. “Por conta do tamanho, as duas espécies se diferenciam mais na vida adulta. Os tracajás podem chegar a ter 45 cm e pesar 8 kg, enquanto as tartarugas-da-amazônia podem alcançar cerca de 90 cm de comprimento e pesar até 75kg”, esclarece o biólogo do Mangal.

Apesar de muitas semelhanças entre estes animais, há uma diferença crucial: a tartaruga-da-amazônia põe em média 100 ovos, que demoram de 45 a 60 dias para eclodirem. Já os tracajás colocam de 15 a 20 ovos, que são incubados de 90 a 220 dias.

“Um fato muito curioso é a determinação do sexo através da temperatura no segundo terço da incubação. Os ovos que estão na parte mais inferior do ninho, que é mais frio, sofrerão diferenciação para macho; já os ovos mais superficiais, ou seja, mais quentes, serão fêmeas”, informa Guerreiro.

A OS Pará 2000 reitera, que as medidas preventivas para o combate do novo coronavírus serão mantidas em prol da preservação da saúde dos colaboradores e frequentadores do Parque, sendo obrigatório o uso de máscara para entrada no local.

Texto: Gabriel Nascimento