Alunos do II Curso de Formação em Ópera produzem obras curtas de compositores eruditos

Objetivo é colocar em prática o conteúdo estudado, aliando ainda outras áreas de atuação

22/09/2020 11h34 - Atualizada em 22/09/2020 14h16
Por Iego Rocha (SECULT)

As aulas via salas virtuais não impediram as turmas de cantores e técnicos do II Curso de Formação em Ópera de realizar espetáculos: já estão sendo produzidas cinco obras curtas, com duração de 20 a 40 minutos, e que têm a previsão de serem apresentadas nos palcos em 2021. São elas: “Fête Galante”, de Ethel Smith; “Die Abreise”, de Eugen d’Albert; “Zanetto”, de Pietro Mascagni; “La Princesse Jaune”, de Camille Saint-Saëns; e “Die Verschworenen”, de Franz Schubert.

A capacitação faz parte do XIX Festival de Ópera do Theatro da Paz, que este ano ocorre de forma virtual devido à pandemia do novo coronavírus, incentivando a formação de profissionais da cadeia artística paraense. O festival é uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Theatro da Paz e Academia Paraense de Música (APM). 

Para estimular os alunos e seguir o objetivo de transformar o Da Paz em um Teatro Escola, a diretora artística do festival, Jena Vieira, conta que foi preciso elaborar novas formas de trabalho em equipe – propondo desafios aos estudantes. “Todos eles têm uma área prioritária de atuação e outra que desejam estudar, então, eles estão atuando nas duas, para que compreendam como elas se conectam. Para eles terem essa visão holística, precisam atuar em outras áreas e sair da zona de conforto deles”, explica. 

Um exemplo é a interlocução entre iluminação e visagismo. “São áreas que precisam se comunicar, pois a luz transforma a maquiagem no palco, bem como o figurino e o cenário, os volumes de cada um”, completa Jena Vieira. Um dos que estão neste desafio, pela turma de técnicos, é Omar Silva Júnior, visagista, que neste formato de aulas também atua como aprendiz de iluminador. 

“Vamos começar a produzir em diálogo com a minha tutora de iluminação. Também tivemos excelentes aulas sobre direção de palco, leitura de partitura e por onde percorre a música. Estamos tendo acesso realmente a como se faz uma ópera. Eu tenho muito interesse nessa formação, que vem a somar nos meus trabalhos de visagismo. Ter compreendido que a música influencia na iluminação, que é parte do meu trabalho, foi fundamental” - Omar Silva Júnior, visagista, que neste formato de aulas também atua como aprendiz de iluminador.

O mesmo procedimento está sendo aplicado aos alunos da turma de canto, pois além de atuarem como cantores, estão trabalhando como aprendizes de área técnica. “Isso aumenta o conhecimento deles sobre a produção do espetáculo em geral e fortalece o sentimento de equipe. Quando um diretor de palco orientar um cantor, ele ficará mais seguro porque vai entender a função do diretor”, explica Jena.

A cantora Denise Dacier, mezzo-soprano, também será aprendiz de visagismo e de produção de figurino, além de cantar em "Fête Galante", de Ethel Smyth, e em "Die Verschworenen", de Franz Schubert. “Acho importante que o profissional possa ter uma visão ampliada da própria área que atua e a inter-relação com as demais. Essa nova estrutura do curso permite que essa relação de respeito profissional e de amizade cresça, e todos ganham com isso: cantores, técnicos e público em geral”, diz. 

Aprofundar conhecimentos

O grande objetivo desta proposta é aumentar o nível da qualidade das óperas, tanto em quesitos técnicos quanto estéticos, com a ideia de equiparar as produções locais aos grandes espetáculos nacionais. Jena Vieira destaca que o fundamental é que os alunos aprendam a estudar uma ópera por completo, desde o estudo da vida do compositor e o momento histórico em que ele viveu, passando pelas referências da obra, a leitura do libreto.

“Em geral, estuda-se vendo os vídeos de outras produções disponíveis no YouTube. Mas propus uma reflexão: é suficiente? É preciso ter mais conhecimento, se envolver com mais profundidade”, defende Jena Vieira, citando como exemplo a ópera “La Traviata”, de Giuseppe Verdi. “É inspirada no romance ‘A Dama das Camélias', de Alexandre Dumas Filho, então, é preciso ler pra entender. É uma espécie de autobiografia dele, que se apaixonou por uma cortesã, mas a família não gostava. E também foi um dos primeiros livros do realismo. Isso tudo importa na maquiagem, no figurino, na cenografia, no canto”, explica. (Com informações de Sorella Conteúdo)

Serviço:

XIX Festival de Ópera do Theatro da Paz

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