Ideflor-Bio utiliza metodologia PROSAF para recuperar áreas no Territórios Sustentáveis

Estratégia prevê um conjunto de medidas para recompor a vegetação de áreas alteradas a partir do plantio de Sistemas Agroflorestais

21/08/2020 12h41 - Atualizada em 21/08/2020 18h19
Por Pryscila Margarido (IDEFLOR-BIO)

Ideflor-Bio inaugurou o viveiro com capacidade para produção de 20 mil mudas, na Vila Xadá, em São Félix do Xingu Promover a recomposição florestal produtiva de áreas alteradas em propriedades de agricultores familiares nos municípios envolvidos, diversificando a base produtiva, com o plantio de espécies nativas, e garantir segurança alimentar, com geração de emprego, renda e redução do passivo ambiental, são prioridades do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), que integra o Grupo de Trabalho do Programa Territórios Sustentáveis.

Para implementar as ações de fomento agroflorestal, o Instituto utiliza uma metodologia própria: o Projeto PROSAF, criado e coordenado pelo Ideflor-Bio, por meio da Diretoria de Desenvolvimento da Cadeia Florestal (DDF). 

Trata-se de uma estratégia de Governo que visa o estabelecimento de um conjunto de medidas para a promoção efetiva da recuperação das áreas antropicamente alteradas no Pará. A principal estratégia para recompor a vegetação é o plantio de Sistemas Agroflorestais – SAFs Comerciais, que reúne espécies florestais e frutíferas nativas da Amazônia, presentes em cada região paraense.

“A estratégia permite a convergência de benefícios ambientais, econômicos e sociais para o público-alvo e para a coletividade, em geral. Da mesma forma, contribui na geração de conhecimentos sobre espécies nativas apropriadas, bem como de arranjos agrossilviculturais de importância econômica, coerentes com a realidade local e social de cada região do Estado”, destacou a presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson.

Entre as ações implementadas, destacam-se a instalação de viveiros para a produção de mudas; capacitações (oficinas de preparo de substrato e produção de mudas, cursos de Sistemas Agroflorestais – SAFs e intercâmbios para conhecimento de experiências exitosas em SAFs); preparo de área mecanizado e o plantio dos SAFs.

APA Triunfo do Xingu

O Territórios Sustentáveis surge para fazer uma análise ambiental minuciosa de cada área. Primeiro o Iterpa promove o ordenamento fundiário no território. A Semas faz a regularização ambiental, verificando os cadastros ambientais rurais e a Emater realiza o diagnóstico socioeconômico da propriedade.

O Ideflor-Bio entra em ação, observando o passivo ambiental e, a partir disso, executa as atividades estratégicas de recuperação das áreas alteradas.

Na fase inicial dos trabalhos do Territórios Sustentáveis, promovida no início deste mês, são atendidos os agricultores da região do Xingu, ao longo da rodovia PA-279, que abrange os municípios de São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte.

Em sua primeira ação institucional no Programa, o Ideflor-Bio realizou ações na Área de Proteção Ambiental – APA Triunfo do Xingu, em São Félix, uma das 26 Unidades de Conservação Estaduais geridas pelo órgão.

Nessa etapa, o Instituto inaugurou o primeiro viveiro comunitário do Programa na Vila Xadá, com capacidade para a produção de 20 mil mudas de espécies frutíferas e essências florestais. O viveiro encontra-se em plena atividade.

As mudas produzidas serão posteriormente utilizadas pelos agricultores familiares residentes na APA, inscritos no Territórios Sustentáveis, no plantio dos SAFs dentro de suas propriedades. A iniciativa pretende alcançar 30 famílias daquela comunidade. 

Gerente da Região Administrativa do Xingu, do Ideflor-Bio, Dilson Lopes enfatizou que o Ideflor-Bio foi o órgão que entregou o primeiro viveiro de mudas para atender os Territórios Sustentáveis, dentro da Vila Xadá, junto com o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Rodolpho Zahluth, responsável pela entrega do Termo de Cessão de uso do viveiro.

"Realizamos junto com a Emater uma capacitação técnica para os gestores do GT. Mostramos a importância daquela Unidade de Conservação Estadual e como é feito esse trabalho, que tem como alvo a conscientização das comunidades que habitam na APA”, explicou Dilson Lopes, responsável pela gestão da APA.

De acordo com a diretora de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação, do Instituto, Socorro Almeida, existe ainda um segundo viveiro na Vila Central, que em breve será reativado pela própria comunidade para ser incorporado às ações do TS.

“Dentro da APA, tem o viveiro da Vila Xadá, no qual a comunidade já está trabalhando. Tem o viveiro da Vila Central, que será revitalizado pelo Territórios Sustentáveis. E o terceiro viveiro é o da Vila Canopus, que ainda será entregue. Ao todo, serão implantados pelo Ideflor-Bio 14 viveiros no território da PA-279”, informou a diretora Socorro Almeida.

Para a gerente do Escritório Regional de Carajás do Ideflor-Bio, Keylah Borges, o trabalho realizado pela equipe técnica do Instituto foi satisfatório. “Demonstrou bastante eficiência na compreensão e no atendimento das primeiras demandas dessa etapa do TS, especialmente nas ações em São Félix, município selecionado pelo Governo para receber a ação piloto da Política dos Territórios Sustentáveis. Participamos da montagem do viveiro, das capacitações para produção de mudas para os agricultores e, também, da semana de imersão no Programa”, ressaltou a gerente.

Territórios Sustentáveis (TS)

O TS é um pilar do Plano Estadual Amazônia Agora, que funciona de maneira integrada entre secretarias e órgãos ligados ao meio ambiente, com o objetivo de aumentar a produtividade no campo, alinhada à preservação ambiental. Para isso, o Programa dispõe de uma estratégia de regularização fundiária e ambiental, apoio técnico, com acesso às linhas de crédito e ao mercado, para garantir que o produtor rural produza mais, invista e tenha lucro mantendo a floresta em pé.